Morreu e esta em um lugar Melhor
"Nada é errado
Somente não foi-se acertado
Pois o erro para se tornar um erro
Precisa ser acertado como um erro
E portanto está certo
O erro é assertivo"
Que horror!
Vossas egrégoras construídas estão um desastre!
Vampíricamente intragáveis
Teus intentos vão contra o meu sossego!
Apenas lamento tua desgraça...
Porém aflito, reflito
Que Diabos está acontecendo?
O tempo já não diz o que vai ser
(O que será a não ser as lágrimas?)
O tempo já não diz mais o que se foi
(Não lembras mais do teu amor?)
O sonho ainda não vosaconteceu
(Ou serás que tu já sesqueceu?)
O presente nunca chegará, somente o vazio lhesespera
Pois é o começo quem vos desespera
Teus fins sempre serão mais belos
Porém prefiro ser sincero, teus futuros estão incertos!
O gosto da melancolia chove sob meu corpo
Mas eu não me entrego, sou mais forte do que o todo
Tuas vozes de tormento me acertam como flechas
Mas eu não abro brechas, sou mais firme do que isso
Teu olhar nebuloso drena o sangue do meu pescoço
Mas eu não sou um bom moço
Meu sangue é mais que venenoso
E é do veneno que se tira a cura
Do teu rancor, da tua luxuria
Da tua dor
A dor meça em paz
Pois em guerra a dor meçer ás jamáis
A natureza vos xama
Sem drama, nem fama
Ela vos conclama o amor
Amor tecer
Amortecer
A morte cer
São
Minha ìsis,
Minha rainha, minha deusa
Sou teu Romeu contemporaneo
Teu xamã hegeliano
Mais um anjo pecador
Deleito-me instigantemente em observação
Tua face, teus olhos
Deleito-me em profunda meditação
A ti devo minha vida
Meu poema, meu calor
Por ti volto a ser coerente
com minha própria existencia
Paulatinamente, contra intransigencia
Admirando sua beleza
Mais bela que a natureza
Mais bela que o próprio amor
Não digo palavras mortais, humanas
temporais, irrelevantes
Digo somente o eterno
Digo somente o alucinante
Minha deusa
Teu castelo precisa de súditos
Teu castelo precisa de um rei
E o meu precisa do teu sol
Da tua lua, do teu vento
Da tua chuva, do teu frio
Do teu calor, do teu ardor
Meu amor
Aonde está voce agora?
Muitas vezes a crítica que fazem a você, e a que mais incomoda, é a que tem um fundo de verdade.
Embora a vida possa ser divertida, ela não é um parque de diversões. A vida é disciplina, aprendizado e evolução.
Brincadeira da Árvore
Certo dia, um menino perguntou-me,
Se eu sabia brincar de árvore.
E começou explicando-me:
- Primeiro a gente pinta nos galhos,
os nomes das pessoas que gosta.
Depois, escreve nas folhas palavras,
Como ternura, abraço, encantamento.
Também acrescentou que pode-se deixar água,
De cor amarela rio para que a árvore se descreva,
Mas nenhuma árvore é desigual a outra,
e todas sabem falar com a terra.
Contei para ele que eu brincava de estrela viva.
Era assim: Minha mãe desenhou uma estrela,
E colocou numa caixa alaranjada de madeira.
Ensinou-me que deveria toda noite,
Abanar com as mãos para que o brilho,
Não se perdesse no vir a ser do tempo.
Sem indagar-lhe qual era a língua das árvores,
Ele visivelmente empolgado me relatou:
- Quando eu crescer vou ser astrônomo,
Ou pirata do bem.
Isso para trabalhar.
Para viver, quero aprender a falar com as borboletas,
Dar um vagalume de presente para minha namorada,
Que ainda não sabe de nenhuma das duas coisas.
Também vou descobrir como se faz um poema.
Você pode me emprestar sua estrela,
Para eu colocar na minha árvore?
Carlos Daniel Dojja
In Poemas para Crianças Crescidas
POEMA PANDEMIA
Na rua alguém sem nome vendia sonhos.
Duas pernas aflitas percorriam os sinais.
Um violonista cego tocava Beethoven.
Um belo cão era transportado numa coleira de prata.
Duas crianças ciscavam comida, nas frestas do chão.
Uma senhora de óculos fumava esperança,
Outra fechava a janela para não ser molestada.
Um poeta sem livros anotava palavras.
Jornais destacavam novas guerrilhas.
Gritos anunciavam para breve a salvação.
Mascaras e grades resguardavam o futuro.
Namorados mandavam virtuais abraços.
Gente com sede comprava água com gás.
Num céu sem homens, até a lua parecia distraída de Deus.
Carlos Daniel Dojja
"...A natureza é a memória atemporal do mundo.
Um mundo sem a preservação da memória da terra, da água, do sol, do vento, se esquecerá da alma dos humanos..."
Carlos Daniel Dojja
In Poemas para crianças Crescidas
"...Germinei-me de um olhar.
Estou indo-me a brotar,
obreiro de amanhecimentos...”
Carlos Daniel Dojja
DO DESEJAMENTO
Alguns são feitos de um desejamento dilacerado.
Desse querer aflorado, não receio.
Nele me introduzo. E me ponho a ver o não dito.
Como quando me enamorei por uma moça.
Ela tinha um nome no meu peito escavado.
Chegava-me nas noites em que a buscava.
Deitava sua ternura sobre minha espera.
Acariciava as palavras que o silêncio esculpia.
Ela era tão docemente tingida de inteireza,
Tão despida de melancolia e incerteza.
Que apenas eu a via, andarejando ao meu lado,
Com suas mãos encravadas em minha ausência.
E eu já então, descabidamente encantado,
Apenas me sabia, ao traduzir-me fecundado,
Que mesmo a passar a só, a esperar a moça que viria,
Ela com o coração entreaberto de mim não partia.
Carlos Daniel Dojja
De que tempo falo
Falo de um tempo sem data,
e dele me reinvento.
Do que hoje verso em mim já houve.
Foi o melhor que colhi e ainda planto,
o que amanhã é passado.
Assim semeio:
O que é ausência e o que reparto
"... Uma parte de nós necessita,
de um sempre outro dia,
Para ir-se indo a esperançar.
A esperança precisa de gente para lhe dar pés e olhos..."
A liberdade é como um rio que se não pode represar.
Mas suas águas precisam fertilizar a terra da justiça.
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