Morrer
Faço um convite ao jovem leitor: Me leia. Não me deixe morrer.
Oi! Achei que não íamos nos ver mais,
Você está diferente, não sabia que tinha envelhecido,
nem parece ser a mesma pessoa,
De mim, você havia esquecido,
Juntos já demos muitas risadas,
brincávamos até na chuva,
a vida não era tão chata,
Então, fico muito feliz
com este nosso encontro,
por ter lembrado de que eu existo
Mas sinto que estou morrendo
aos poucos,
Sem você, eu não vivo
Entretanto, pra mim, ainda há esperança,
sou sua criança interior,
tente não me esquecer,
peço por favor,
não deixe-me morrer.
Eu já morri, eu já morri por dentro. Vivo aos olhos de quem vê, mas por dentro não existo mais. Não me sinto, não me vejo, não me quero.
Percebi que, se aprendi alguma coisa do fato de quase ter morrido, é que a vida é curta demais para desperdiçar sequer um segundo com arrependimentos.
Morrer de Amor
Morrer de amor
ao pé da tua boca
Desfalecer
à pele
do sorriso
Sufocar
de prazer
com o teu corpo
Trocar tudo por ti
se for preciso
Morrer de saudade é quando a saudade que morre, não você. Então, sem hipocrisias, eu vou sentir muita saudade, uma bonita saudade, uma doída saudade, mas não vou morrer dela, porque ela também nunca vai se acabar.
Um triste fim
Sozinha me encontro
Sozinha me sinto
Sozinha sem ti me encontro perdido.
Te achei na vida
Te achei em mim
Te achei um dia, porém te perdi.
A gente se encontrou
A gente se perdeu
A gente simplesmente morreu.
Eu morri
Tu morreu
No céu nos encontraremos somente você e eu.
Dizem as escrituras sagradas: "Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer". A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A "reverência pela vida" exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir. Cheguei a sugerir uma nova especialidade médica, simétrica à obstetrícia: a "morienterapia", o cuidado com os que estão morrendo. A missão da morienterapia seria cuidar da vida que se prepara para partir. Cuidar para que ela seja mansa, sem dores e cercada de amigos, longe de UTIs. Já encontrei a padroeira para essa nova especialidade: a "Pietà" de Michelangelo, com o Cristo morto nos seus braços. Nos braços daquela mãe o morrer deixa de causar medo.
Rubem Alves, para a Folha, em 2003
Durante toda a minha vida fui ensinado a morrer, mas ninguém nunca me ensinou a envelhecer.
Sim, e quantas vezes um homem precisará olhar para cima
Antes que ele possa ver o céu?
Sim, e quantas orelhas um homem precisará ter
Antes que ele possa ouvir as pessoas chorar?
Sim, e quantas mortes ele causará até saber
Que pessoas demais morreram?
Nota: Trecho da música "Soprando no vento".
O que quero fazer com a minha vida única, fascinante e preciosa? É muito simples. Quero alegrar as pessoas. O máximo que eu puder, enquanto puder. E, no fim, espero que minha história ajude os outros a perceberem que não é preciso saber que se vai morrer pra começar a viver.
