Moradores de Rua
Meu coração é o mendigo mais faminto da rua mais miserável, mas é daqueles mendigos que não pede nada, até rejeita algumas coisas que recebe. Prefere morrer de fome a pedir.
Mais sujeira que tem na rua, tem de seres humanos
E mais poluente que a sujeira da terra
É a língua do ser humano
Tempo ao Tempo.
O padeiro
Todo dia o padeiro passa na rua onde moro vendendo pães e bolos, com sua estridente buzina, chamando a atenção de seus compradores.
O que me incomoda não é a buzina, mas sim um detalhe: ele não vende sonhos.
Sonhei que a favela tava linda
Que todas as parede tinha tinta
Criançada corria na meio da rua
E o céu tava cheio de pipa
Ninguém com a barriga vazia
E as dona Maria sorria
Tinha até barraco com sacada
Virado de frente pra piscina, acredita?
Agora o tempo já passou, a tempestade enfim acabou, a rua já secou, fez sol lá fora. Aquela insônia já curei, do mal humor já melhorei, e a té me acostumei com a sua falta [...] Não tem remédio mesmo, eu quis você pra ficar, eu quis sumir, te esquecer, quis morrer, quis te ligar. Eu não queria, mas já levo a vida sem você! Hoje foi bom te encontrar, o tempo passou como está? Dificil foi, mas tudo bem, eu tambem tô sem ninguém! E só me restou o ciúme, não sei se por medo ou costume. Seja feliz, fica com Deus. Se der saudade me liga... Adeus !
SEM CHANCE
É uma rebeldia, uma covardia,
Não ser amado!
A rua está fria, mas tudo bem!
Dormir na rua, acordar sozinho, tudo bem!
Não quer mais me ver, tudo bem!
Ainda há motivos para tentar?
Suicídio é um caminho natural para mim.
Viver por viver, sobreviver,
Sem chance!
É, às vezes parece que
A única maneira de sobreviver à vida
É a base de drogas, muito álcool
E rock n´roll.
“Quando eu vejo um casal na rua, eu penso em quão idiota os dois são. Eu penso em quanto tempo eles ainda ficarão realmente juntos e em quanto tempo eles acreditam que vão. Eu dou risada, eu acho tosco, eu acho podre, eu acho essa idéia totalmente desconsiderada pra mim… E então você apareceu!”
Tudo mudou.
Parque de Diversão...
Quando a caravana
Do parque cruzava a
Rua de paralelepípedos,
A alegria me preenchia.
Corria até a montagem
Das máquinas e barracas.
E meus olhos luziam mais
Que as luzes dos painéis.
Quando abriam os portões,
O faziam em meu coração.
E eu voava parque adentro.
Maçã doce, algodão do amor.
Brincava, e cantava, e sorria.
Que saudade daqueles dias...!
Na sola do pé que bate um coração vagabundo, porque a rua fica lá e ela e o coração do mundo, vem pra mim (vem), seja minha porque eu sou seu, a rua reina mais que o rei da roupa
que o rato roeu, linda, menina da pele preta ou marron
seja asfaltada ou de barro se eu tô com ela tá bom..
" Doutor, Estou tão triste" Filho, Vá fazer uma vista ão palhaço da rua 7" Mas Doutor, Eu sou o palhaço da rua 7"
"Eu já fui acusada de tudo. Eu era "negrinha" [a avó era negra], menina de rua, mas nada disso me atingiu porque eu não sabia o que era o mundo. Não tinha nem amigos. Passeava na rua e era perseguida com 7, 10 anos, porque o negro é perseguido há séculos."
"Há um verso de Verlaine que não voltarei a lembrar.
Há uma rua aqui perto que está vedada a meus passos,
há um espelho que me viu pela última vez,
há uma porta que fechei até o fim do mundo.
Entre os livros de minha biblioteca
(eu os estou vendo)
há algum que nunca mais abrirei.
Este verão farei cinquenta anos;
a morte me desgasta, incessante."
Bopp foi lá no meu ateliê, na rua Barão de Piracicaba, assustou-se também. Oswald disse: 'Isso é como se fosse um selvagem, uma coisa do mato' e Bopp concordou. Eu quis dar um nome selvagem também ao quadro e dei Abaporu, palavras que encontrei no dicionário de Montóia, da língua dos índios. Quer dizer antropófago.
