Moldura
Balanço sem criança
Rede sem preguiça
Bandeirolas de roupas
Ferrugem na decomposição
Tapete verde em desuso
Camada de girassóis ao chão
São ipês amarelos da remissão
Um click que pára o tempo
Pára o espaço
Esboça a forma
A pintura que não borra
A doce magia da criação
Moldura nítida da memória
Em traços finos da emoção
É bom termos belos pratos à nossa disposição, mas, de que serve o prato se não há nada dentro? É bom possuir uma bela moldura para um quadro, mas, que importa a moldura se não há tela? Formidável é enfeitar a sala com magnifíco lustre, mas, que adianta o lustre se não foi instalada a luz? Se Deus lhe deu um corpo harmonioso, um rosto bonito, agradeça-lhe: mas, que importa seu corpo, se o espírito não é rico e não anima o corpo?
Olhemos tudo com atenção e carinho, não deixemos passar nem um único dia de nossa existência sem saudar a vida, a música e a poesia dentro e fora de nós...
Onde
Tenho contado com muita sorte
Com o tempo aprendi
Traçar na pedra o necessário corte
Como fez Miquelangelo na estátua de Davi
Muitas pancadas foi dada
Segurando em outra mão
O cinzel que me ajudava
Assim seguia a construção
Necessário manter o plumo
A parede no mesmo rumo
Uma luz sempre me guiava
Hoje vejo essa escultura
Que não falta nem moldura
Mas onde que será pendurada.
Eu te enxergo. Não sua versão cuidadosamente arrumada. Você de verdade. O que se esconde fora da moldura do retrato.
