Minha Terra tem Palmeiras onde Canta o Sabia
CANTAROLANDO O SERTÃO
E essa minha canção
tem cheiro de terra molhada
atravessando a estrada
no meio do mato verde.
É uma cantiga faceira
que traz lembrança estradeira
e na fonte de água docinha
eu vou matar a minha sede.
Cantando eu sigo os caminhos
canta o galo e os passarinhos
a chuva que molha essa terra
e a semente que vou plantar.
A vida aqui no sertão
que alegra o meu coração
e a lua da cor de prata
me convida a enamorar.
E quando é de tardezinha
com aquela beleza todinha
as cores lá no poente
presente no mesmo prazer.
Mas quando chega o dia
o sol é quem irradia
seu brilho e a sua luz
que a natureza quer viver.
Minha terra tem cana, de onde brota a cachaça e o açúcar; minha terra tem eucalipto, de onde tira o papel; minha terra tem um rio, que dá muita água; minha terra tem um solo, que gruda como cola; minha terra é de gigantes que passeiam pelo mundo
Minha terra tem mar,
Onde baleias nadam sem parar,
Cheias de alegria começam a cantar,
Cantam sem parar.
Nosso céu é radiante,
Nossa lua é brilhante,
Nosso sol iluminante,
Nossas estrelas cintilantes.
As geleiras estão derretendo,
O mar vai aumentar,
Se não fizermos a nossa parte,
A terra vai acabar.
Minha terra tem montanhas,
Em que homens começam a escalar,
Sem medo de desabar,
Escalam até o topo chegar.
Que Deus nós proteja,
Que a vida é uma beleza,
Sem Deus nada continuará,
Apenas morrerá.
(Versão: Minha Terra tem Castanheiras)
Minha terra tem castanheiras
Onde o velho Coelho aportou,
Trouxe consigo a poesia
Que Gonçalves Dias lhe proporcionou
Legado este, que a “lenda” nos deixou
E com o nome de Marabá
A cidade ficou,
Poucos sabem a “história”
Deste nome tão singelo
Por isso, somos filhos
De tantos mistérios...
Canção do Preconceito
Minha terra tem conflitos
Onde respeito não há
As pessoas se odeiam
Sem motivos para dar
O preconceito enraizado
De geração para geração pode um dia transformar
Esse ódio em compaixão?
O racismo, a xenofobia
Em formato de piada
É "comum" entre as pessoas
Que riem sem dizer nada
Minha terra
Cercado pelo ciberespaço, vivo em um cubículo onde meu único canto tem amontoado uma pilha de vazios…
O vazio que tenho por não saber quem sou, para onde vou…
O vazio de não compreender o amor, a dor e a morte…
O vazio de uma vida mal vivida que pago para respirar, beber, comer… Andar…
E ando perambulando pelas largas manchas de óleo que marcam o pequeno espaço que posso pisar…
Minha passarela poluída de sujeira humana…
Das largas e belas vitrines, mascaram-me o preço de uma vida que não posso pagar…
O comer do broto, o vestir da carne…
Vagas são as palavras que este mundo tenta falar, e os que enganam os outros enganam-se mais…
Das mentiras que cada um diz não há mais verdade para contar…
Neste mundo há quem sinta fome, uns por falta de oportunidade e outros por vontade…
Há quem fique rico pelas coisas que cativa e há os de tão pobres só tem dinheiro para contar…
Há quem não acredite que essa terra exista, dizem que tanta desigualdade só pode ser fantasia…
Mas meu caro leitor, essa terra é Real, somente as pessoas que vivem nela que ainda parecem de mentira!!!
Teu rosto
Onde um índio passa e canta
E se enlaça em Caymmi e Mozart
Foi-se depressa tal como a jangada
Cujo limite são as léguas do mar.
A amizade é graça
cartas nunca escritas, notícias sem dar.
Ah Amazônia das fugas e percursos
Teu rosto invade e alaga devagar.
O meu canto eu fui buscar, esperando em algum lugar do meu país, onde o vento faz canção, canta doce o coração...e faz feliz.
Decifra me no tempo
Não há pressa neste lugar
Dos encantos mais secretos onde a alma canta o que não se pode esperar
Corre os dedos sobre a pele e os desafios do seu corpo, como não se encantar.
Alma tua, canta a lua, vigia a noite sob o luar
Relógio para, sussurro fala, todas as línguas que não se pode decifrar.
Fala, cala, grita ao mar, sonho sonhado, brisa do mar.
Entre risos e pranto
Longas noites sem dormir
O coração grita e canta
Por não saber onde ir
Por mais que a razão
Seja uma seta precisa
Me perco na direção
Esqueço onde se pisa
Chego a me questionar
Porque tem que ser assim
Não sai mais do meu pensar
Mas isso não é ruim
Entre dor e alegria
Eu deixo o tempo passar
Quem sabe passa um dia
Espero por não passar
[Amor]
Amor, canta uma música pra mim
Perdi o sono e não há lugar onde eu possa ir,
Tua voz é tão suave, eu componho e tu canta
Nessa noite silenciosa, tu vem e me encanta,
Prometo ficar contigo sempre que tu permitir
Me leve em uma viagem em teu coração mágico,
Embora eu saiba que todos tenham retornado
Me deixando acordado pra te ver junto de mim,
Não há ninguém pra encontrar
Lance tua doce magia em meu espírito,
A velha avenida tá morta demais pra sonhar
Então vem e me leve flutuando contigo,
Amor, canta uma música pra mim
Perdi o sono e não há lugar onde eu possa ir,
Tua voz é tão suave, eu componho e tu canta
Nessa noite silenciosa, tu vem e me encanta,
Até a alvorada,
Sim,
❤
O vento canta,
Ovento canta
Na palmeira da praia
Onde á tarde o sol desmaia
devagar e fecha os holhos para dormir.
o vento canta na vela do meu pequeno barco
Que desliza sobre as ondas
Com o meu grande amor a sorrir.
O vento canta nas asas dos albatrozes
Ouvem-se as vozes ao longe dos homens que veem do mar.
Pequizeiro no caminho
Há um pequizeiro ali
No cerrado, solitário
Onde canta a Juriti,
Num doce cenário...
Onde o vento, venta bom
Onde o tempo tem razão
E o coração cala no tom,
No horizonte do sertão...
Cá tudo é calma, espera
Quem testa, a alma adoça
O gosto é de quimera,
E o povo, gente da roça...
Na poesia, agridoce canção
Deste seco chão, de cheiro
De primavera, de inspiração,
No caminho, há um pequizeiro...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Setembro de 2018
Cerrado goiano
Dentro da capoeira de onde irá a matar, o galo canta hinos à liberdade porque lhe deram dois poleiros.
