Minha Terra tem Palmeiras onde Canta o Sabia
Em um mundo paralelo, talvez as pessoas ainda pudessem ser felizes juntas… Mas onde foi parar o amor?
A Uruvalheira outubrina
em florescimento onde
a ventania faz cantiga
e a paz sempre convida
Anuncia a melífera
pretensão toda risonha
de não ser efêmera
de ser completa e sedutora
Tentadora e toda feita poesia
mais que o pão de cada dia
queiram uns e outros não
garantir a total satisfação
com o fiel compromisso
de trazer calor para o coração
Na cidade onde as estrelas
descem trago algo da busca
eterna de Lori por Morã,
em tudo o quê se cultua.
Em tempos que quase
mais reparam na falta
que os vagalumes fazem
em alegrar as noites
pelos caminhos da Pátria,
a infância na memória
traz intocada a História.
A cada nova linha deixo
a rebeldia Uauá eternizada,
assumida, plena e enraizada,
porque renascer tem local
certo, sabido e merecido.
[[[Ai de que que fizer impedido!]]]
Saboreio os teus beijos
a teus pés de joelhos,
No teu peito semeio
um vendaval profundo,
Onde ali permaneço,
e o meu reino estabeleço.
Tudo o quê você quiser
também hei de querer,
Romance nascido austral
não há mais regresso,
Não há de ser distante,
pois está em nossas mãos.
Cultivar a Pátria Brasileira
onde leio e me enlevo
"Sobre a linha das montanhas do Brasil"
de Villa-Lobos,
Assumo ser parte do que levo
da "Aquarela do Brasil"de Ary Barroso,
e a fusão de Samba com batidão do morro.
Ter a honra altaneira das regiões,
dos sinais do tempo que corre nas veias,
E do pertencimento por tudo
aquilo que une e reconhecemos
no trote e no galope que enleia
levando a herança viva campeira.
Não basta querer, e nem sempre ser,
com toda a gente é preciso conviver,
Como quem ainda se senta na praia
para cantar canções de outra e é rendeira,
Que assume que o seu rebolo poético
é a minha magnífica Cultura Brasileira.
Eu sou o meu povo,
e o povo me é;
Não preciso de mandato
por onde passo;
Nada e nem ninguém
mais importa;
Não sou presença,
e sim História;
Nas linhas do destino
sou eu quem escrevo;
Nasci poeta enraizada:
(para o seu desespero).
Contemplar o curvar-se
para beijar o meu ventre
cheio de Primavera
até a altura onde se pisa,
Sem precisar rastejar
sem implorar e sem haver
o tal obedecer sem pestanejar.
Porque torná-lo possuído,
e, ao mesmo tempo, render-se,
para entregar as rédeas,
é de poesia, e nos é imperativo;
para alinhar planetas,
acordar cidades inteiras
e românticos tocar cometas.
Admito ser a tua Rainha,
e tu és o meu Rei escrito;
Somos donos do destino,
onde a sedução é soberana,
é deusa, senhora, ama,
a guarda-chaves e a Lei,
por nós ser obedecida,
com sabor de Jacaratiá e folia.
Cada verso sibilante toca
tépido e poderoso no ego,
Colocando no ambrosíaco
efúlvio onde o silêncio
como veladura denuncia:
Que sou a única que o coração
o tempo todo se precipita,
apropria e por mim vulpina.
No Hemisfério Celestial Sul,
tudo ao redor de nós converge,
Como a Primavera floresce
lado a lado da Araucária,
com um abraço entregue,
tudo meu em ti - estremece.
Quando chegar o tempo
do encontro e da colheita
do Pinhão há de ser feita
com serenidade e excelência,
Acompanhada virá da paz,
da certeza e espera serena,
que todo o tempo valeu a pena.
Trago os Hemisférios
Sul e Norte nas origens,
Onde a Lua alcança
o zênite e onde nunca
haverá de alcançar,
O meu coração é onde
a paz sempre haverá
de florescer não importa o lugar
quanto tempo irá levar,
só sei que nunca irá parar
por onde eleger caminhar.
Onde a luz não penetra
encontrar a sua fome
como Murtilla sem pressa
no extremo Sul romântico
com delícia total atrevida
inteiramente se devora
de aurora em aurora.
Diante dos teus olhos que
são onde convergem o céu
e monumentos do tempo,
Mesmo que ventos contrários
soprem nas nossas faces,
Convicta ando insistindo
para que o nosso mundo
íntimo não tenha destino
igual ao da Linha Durand.
Pisoteei caleidoscópios,
rasguei todos calendários
e quebrei muitos relógios,
Por recusar viver a vida
toda a mercê do acordo
entre o cavaleiro e o emir,
Está para nascer quem irá
ditar os meus valores a seguir.
Por saber que a história
não começou a partir daí,
As minhas próprias regras
fui eu quem escrevi,
E uma delas é que impérios
sempre as próprias covas
por si mesmos cavarão.
Confio na predição forjada
por lágrimas, sangue e fogo,
e na sublime ambição
que converge na sua direção
levando o teu amor no coração
com a certeza da tua retribuição.
Docemente transformaste-me
o ímpar estepário refúgio
onde floresce com total
augúrio de levar o silencioso
amor virtuoso e puro --
que somos capazes de proteger,
sem ressignificar e pertencer.
O teu olhar que guarda o auge
celeste sei que me pertence
com a potência mais alta,
no fundo sabe que o Oriente
não é apenas de alma,
e sim herança viva e perene,
sobre tudo o que perece.
De caravansário em caravansário
do rumo sei que não se perderá,
porque o destino nos reunirá
sob a vontade de Deus que é
Sagrado, Clemente, Soberano
Misericordioso e Fonte da Paz,
e que orienta e só o Bem traz.
Dar espaço para tudo
melhorar entre nós,
onde eu e você tenhamos
sempre a nossa voz.
O mundo está em guerra,
nós não precisamos dela,
e nem que ela venha ser
puxada para a nossa terra.
Só quero que saiba que
floresce a Paineira Rosa,
os guarás sobrevoam,
e tudo sempre passa.
Fazer daqui um lugar
melhor é voto particular,
que cabe cada um levar
sem deixar se perturbar.
Lanço-me entre as auroras
sobre a Mata Atlântica,
no Médio Vale do Itajaí,
onde em Santa Catarina
por aqui o Aracuã-escamoso
se alimenta e se abriga.
Porque toda absoluta
a Araraúva restauradora
amorosa da terra e da vida
com raízes e suas cascas
é que a inspiração se alia,
e das pancadas da vida cura.
Sempre que o mundo vier
conflitar sem permissão,
em mim a brandura perdura,
faz moradia com formosura
para manter a distância segura.
De toda a rudeza e da secura,
para não perder nenhum pouco
a esperança, a sutileza e a ternura,
enlevo-me ao encontro deste vale
que põe o meu coração na altura
para o que é sagrado se preserve.
Não quero saber
onde você nasceu,
Se ama de verdade
o meu país ---
eu amo o seu.
Se vem até o meu
país em paz,
Com paz retribuirei:
Amar o meu país
é a minha Lei.
O meu país não
é seu, ele é nosso;
Trate bem dele
como não se
houvesse outro.
Porque se você
se sente brasileiro,
Para mim você
assim nasceu,
e é irmão meu.
No Centro de Rodeio
é onde eu moro,
e não próximo
do Ribeirão São Pedro;
Te conto um segredo
o Canário-da-terra
no Ribeirão São Pedro
cantou diferente.
Algo me disse que
para do amor
não ter mais medo,
e tenho certeza
que ali nos encontraremos
sem nenhum receio;
Porque com todo
o seu carinhoso jeito,
logo virá aqui em Rodeio.
Adormeci sem querer
num lugar de extrema beleza,
onde as terras foram dote
do casório real da nossa Princesa.
Não é sonho nem mentira,
é fato puro e histórico:
procure conhecer Orleans,
quem sabe um dia venha ver de perto.
Eu te ensinarei com prazer
o caminho certo e mais bonito.
O sonho parecia tão real
que eu quase acreditei,
mas no final era só ilusão...
Que grande infelicidade
para este meu pobre coração!
Eu vi o Zé Diabo e o Padre
animados, confabulando,
tentei chegar mais perto
pra escutar o que falavam.
Eles olharam para mim
de um jeito que me estranhavam.
Dei uns passos adiante,
olhei para trás bem devagar,
e vi que as Esculturas do Paredão
estavam todas prontas, lindas de admirar!
Foi um susto bom, incrível demais,
depois de tantos anos de espera...
Quando olhei de novo, espantada,
acordei do mais intrigante dos sonhos desta Era.
Deixar-se levar pelo tempo
onde os homens olham
para os relógios não desafiam,
porque fazer o refúgio
que protege o sagrado,
o paraíso e o profundo,
faz das vidas dos impérios
não mais serem as mesmas,
é mister abrir as tais fendas.
Permitir que os sonhos
deslumbrantes incendeiem
sem deixar que se extinguam
à guiar-se pelo caminho
que as estrelas conhecem,
e iluminam o único exército
que se curva diante de Deus.
Faça Sol ou faça Chuva,
ciente de que sou
a que é total fora da curva,
sem temer nenhum abismo,
no teu peito escrevi o destino,
que nós não podemos controlar;
a florescida tulipa selvagem
em todas as estações de amar.
Alma de Tuiuiú no ninho do mês de maio,
que da poesia ostenta --- o mais sagrado,
Onde o desabrochar das flores dos ipês-rosa
como preces recordam a promessa amorosa.
Promessa que foi cumprida e floriu no lugar
que foi enterrado o heroico guerreiro indígena;
Como prova de amor para a sua amada
além da vida que hoje enfeita a nossa vista.
Desta e de tantas recordações que a memória
resgata com particular lírica se finca a história,
para se envaidecer e honrar de cada glória.
Para que legados entre os dedos não escorram,
para de tudo o que importa por nada nem ninguém
tenha nenhum poder de fazer que a gente desista.
