Minha Terra tem Palmeiras onde Canta o Sabia
A política deve vigiar a si mesma
para não se converter em religião,
onde dogmas substituem o pensamento
e a fé ocupa o lugar da razão.
E a religião deve guardar distância da política,
para que o sagrado não seja usado
como ferramenta de poder.
Quando a política vira religião,
nasce o fanatismo.
Quando a religião vira política,
nasce o poder travestido de fé.
✍©️@MiriamDaCosta
Existe um vai-e-vem infinito de palavras,
um trânsito inquieto
onde nem todas sobrevivem ao próprio nascimento.
Algumas se perdem
no labirinto das intenções mal resolvidas,
girando em falso,
como pensamentos abortados
antes de tocar o território da consciência.
São ruídos disfarçados de linguagem,
ecos que não encontram corpo,
sons que se esfarelam
antes de se tornarem sentido.
Mas há outras, raras,
que atravessam o silêncio
como quem rompe
uma membrana invisível,
e mergulham fundo
na gravidade do que é essencial.
Essas não se dispersam
e nem pedem permissão ao caos.
Elas se erguem
e deixam de ser palavras.
Tornam-se ideia que pulsa,
verdade que inquieta,
permanência que resiste
ao desgaste inevitável do tempo
e à fragilidade transitória
da linguagem.
✍©️@MiriamDaCosta
Sei por onde ir.
As folhas coloridas
do meu outono
enveredam,
ímãs perfumados
de poesia,
na bússola
do meu caminhar.
✍©️@MiriamDaCosta
Vivemos em um tempo
onde o fator determinante
é a banalização de tudo e de todos,
o próprio ser humano se propõe,
se exibe e se divulga como um ser banal.
🖋 @MiriamDaCosta
A semana dita "santa"
Chamam de santa
uma semana
onde a memória sangra.
Dizem sagrado
o que foi feito de cordas,
de açoites,
de carne rasgada
e silêncio forçado.
Eu olho,
e não vejo santidade.
Vejo mãos humanas
erguendo a própria crueldade
como espetáculo.
Vejo a multidão
(os mesmos que hoje rezam)
gritando ontem
pela condenação.
Vejo o peso da madeira
não como símbolo,
mas como instrumento.
frio, concreto,
real.
E me pergunto,
em que instante
a dor foi coroada de divina?
Em que momento
a atrocidade
ganhou nome de redenção?
Chamam de santa,
talvez porque precisem
que seja.
Talvez porque encarar
o abismo humano
sem adorno,
sem promessa,
sem justificativa,
seja insuportável.
Mas eu não consigo.
Não chamo de santo
o que nasceu da violência,
nem beijo
o que foi instrumento
de tortura e de morte.
Se há algo sagrado ali,
não está no ato,
nem nas mãos que feriram.
Talvez esteja
no que sobreviveu...
apesar de tudo.
Ou talvez…
na recusa de olhar na cara
a atualidade
das mesmas atrocidades
(e até piores)
que a humanidade
é capaz.
©️ @MiriamDaCosta
"Sinto o pulsar do universo em minhas veias,
Um eco de singularidade, onde as estrelas são minhas iguais.
O mundo é um sussurro de possibilidades,
E eu, um grito de existência, único e indomável.
As estrelas compreendem a vastidão do meu ser,
Um cosmos de emoções, sem fronteiras para conter.
Sinto o mundo em sua forma mais crua,
E as estrelas refletem a intensidade da minha alma nua."
Ganhe a entrada e o presente da Eternidade divina, onde ladrões, corruptos e gente com falsa identidade espiritual não passam pela Catraca da Sua santidade.
Psiu...Silêncio!
Já chorei tanto que minhas lágrimas foram parar no oceano das emoções onde a calmaria me traz a paz... então descanso meus olhos vermelhos e inchados numa ilha deserta onde só minha alma enxerga a miragem de um oásis que minha fé alcança.
Psiu... Silêncio!
Porque esse murmurinho externo pode afastar a esperança que veio me salvar...
Só com os olhos d'alma a gente consegue entrar num mundo incomensurável, onde percebemos na beleza dos troncos de árvores secas, que ali as orquídeas não morrem jamais.
ALMA NA JANELA
A cada suspiro, o sangue respinga no abismo de dor onde se encarcerou, tinge de flores rubras a cortina, lúgubre saudade na própria sina. Ouve risos vãos de vultos, por estar só, que rodopiam em zumbidos, formando um nó. Debruça-se à janela, escura como breu, até que o anjo surja e a leve para o céu.
Lu Lena
O CERNE QUE HABITA EM MIM
Para onde o meu íntimo se eleva,
As sementes vão,
Rompendo a inércia da fé pelo chão.
Ela não se oculta na imprecisão,
Pois orbita no brilho do astro sol.
Dança em quebras com o vento,
Desafiando o flagelo do tempo.
O meu cerne é fibra, alma resistente,
Mesmo quando o céu se faz ausente.
Pela transmutação da cor vibrante,
A vida me fez forte e resiliente.
Inclinando-me ao que produz luz,
É o magnetismo que me conduz,
Mantendo-me altiva e imponente.
Tal qual girassol, latente!
Lu Lena / 2026
O DESVIO DO CAMINHO
A vida é um caminho feito de reticências
onde os três pontinhos
representam a Santíssima Trindade.
Mas é incrível como nos desviamos
desse percurso
fazendo das reticências
um ponto de interrogação.
Lu Lena /2026
FRASES RASGADAS, CHÃO AUSENTE
(Onde o que não fomos sustenta quem somos)
Sufocamos sonhos e rasgamos frases que deveríamos ter dito. Hoje, se tivéssemos libertado esses sonhos e remendado essas frases, talvez nada disso tivesse sentido.
O que fomos é um rastro de papel picado. Ao destruir o que queríamos dizer, construímos um presente feito de lacunas. A busca por um sentido retroativo é inválida, pois a mão que remenda hoje já não possui o mesmo calor da mão que rasgou ontem.
No fim, resta o reconhecimento de que o solo sob nossos pés é feito justamente daquilo que escolhemos não ser; só não podemos nos deixar sugar por esse chão ausente.
Lembre-se: a vida não é um engodo!
Lu Lena / 2026
QUEM É MÃE ATÍPICA VAI ENTENDER...
(Onde o cansaço encontra o silêncio, e o cuidado vira oásis)
Ando tão anestesiada do autismo que, quando passa a crise, eu me pergunto:
— Já passou? Posso voltar para a sala de recuperação?
Aí, num delírio da memória, saio da "matéria" e vejo outras mães atípicas: sentadas e extremamente exaustas, enquanto seus filhos enxugam suas testas dessa fuga em silêncio...
Onde descansar por um segundo é como encontrar um oásis no meio do deserto.
Lu Lena / 2026
O CORDÃO QUE SE ROMPEU
(Onde a biologia termina, a saudade transborda)
Sinto um vazio em mim, você levou junto meu cordão umbilical,
me sinto avulsa no mundo, devolva minha essência para que através dela eu volte a dormir em posição fetal,
do mesmo modo que me protegias no líquido amniótico de teu útero...
Mãe!
Lu Lena / 2026
O ELO INVISÍVEL
(Onde o suspiro encontra o sagrado)
Cada passo dado com presença é uma oração dita sem palavras: uma mão toca o céu e a outra, o chão. Não existe separação entre o comum e o sagrado, pois o divino não habita apenas o silêncio dos castelos medievais desenhados em sonhos; ele está neste suspiro que acabas de dar.
É o estar permanentemente consciente no aqui e agora
— porque o amanhã não tem hora.
Lu Lena / 2026
