Minha Terra tem Palmeiras onde Canta o Sabia
ALMA NA JANELA
A cada suspiro, o sangue respinga no abismo de dor onde se encarcerou, tinge de flores rubras a cortina, lúgubre saudade na própria sina. Ouve risos vãos de vultos, por estar só, que rodopiam em zumbidos, formando um nó. Debruça-se à janela, escura como breu, até que o anjo surja e a leve para o céu.
Lu Lena
O CERNE QUE HABITA EM MIM
Para onde o meu íntimo se eleva,
As sementes vão,
Rompendo a inércia da fé pelo chão.
Ela não se oculta na imprecisão,
Pois orbita no brilho do astro sol.
Dança em quebras com o vento,
Desafiando o flagelo do tempo.
O meu cerne é fibra, alma resistente,
Mesmo quando o céu se faz ausente.
Pela transmutação da cor vibrante,
A vida me fez forte e resiliente.
Inclinando-me ao que produz luz,
É o magnetismo que me conduz,
Mantendo-me altiva e imponente.
Tal qual girassol, latente!
Lu Lena / 2026
O DESVIO DO CAMINHO
A vida é um caminho feito de reticências
onde os três pontinhos
representam a Santíssima Trindade.
Mas é incrível como nos desviamos
desse percurso
fazendo das reticências
um ponto de interrogação.
Lu Lena /2026
FRASES RASGADAS, CHÃO AUSENTE
(Onde o que não fomos sustenta quem somos)
Sufocamos sonhos e rasgamos frases que deveríamos ter dito. Hoje, se tivéssemos libertado esses sonhos e remendado essas frases, talvez nada disso tivesse sentido.
O que fomos é um rastro de papel picado. Ao destruir o que queríamos dizer, construímos um presente feito de lacunas. A busca por um sentido retroativo é inválida, pois a mão que remenda hoje já não possui o mesmo calor da mão que rasgou ontem.
No fim, resta o reconhecimento de que o solo sob nossos pés é feito justamente daquilo que escolhemos não ser; só não podemos nos deixar sugar por esse chão ausente.
Lembre-se: a vida não é um engodo!
Lu Lena / 2026
QUEM É MÃE ATÍPICA VAI ENTENDER...
(Onde o cansaço encontra o silêncio, e o cuidado vira oásis)
Ando tão anestesiada do autismo que, quando passa a crise, eu me pergunto:
— Já passou? Posso voltar para a sala de recuperação?
Aí, num delírio da memória, saio da "matéria" e vejo outras mães atípicas: sentadas e extremamente exaustas, enquanto seus filhos enxugam suas testas dessa fuga em silêncio...
Onde descansar por um segundo é como encontrar um oásis no meio do deserto.
Lu Lena / 2026
O CORDÃO QUE SE ROMPEU
(Onde a biologia termina, a saudade transborda)
Sinto um vazio em mim, você levou junto meu cordão umbilical,
me sinto avulsa no mundo, devolva minha essência para que através dela eu volte a dormir em posição fetal,
do mesmo modo que me protegias no líquido amniótico de teu útero...
Mãe!
Lu Lena / 2026
O ELO INVISÍVEL
(Onde o suspiro encontra o sagrado)
Cada passo dado com presença é uma oração dita sem palavras: uma mão toca o céu e a outra, o chão. Não existe separação entre o comum e o sagrado, pois o divino não habita apenas o silêncio dos castelos medievais desenhados em sonhos; ele está neste suspiro que acabas de dar.
É o estar permanentemente consciente no aqui e agora
— porque o amanhã não tem hora.
Lu Lena / 2026
O PRIVILÉGIO DO TEMPO
(Onde o fim se curva para encontrar o início)
Nunca diga que a velhice é uma envergadura de sua alma. Lembre-se de que, quando nasceste, estavas em posição fetal, e isso por si só já é umprivilégio, pois estás voltando ao estado de origem e conseguindo cumprir tua missão. Seja grato pela vida!
Lu Lena / 2026
O AVESSO DO VERBO
(Onde a grafia não alcança)
Às vezes eu culpo o silêncio por não compreender as metáforas de minha existência. Ele tem o hábito de esconder as palavras que eu ainda não tive coragem de inventar — ou mesmo decifrar. O que resta, afinal, é o que sobra quando as letras faltam.
Lu Lena / 2026
DE PALMAS ABERTAS
(Onde a oração recebe luz)
Não lamente o vazio, o que parece perda,
Pois o Autor da Vida não joga ao acaso:
Ele move as peças e as encaixa.
O que parece atraso é apenas engano;
Descanse na mente de quem tudo vê,
Para que a grandeza do céu, enfim,
Caiba nas palmas abertas de tua oração.
Pois é Ele quem redesenha o plano,
Fazendo um mosaico no teu coração.
Lu Lena / 2026
DIA DA MULHER:
Onde o Sentir é Potência🌹
Uma homenagem a quem traduz histórias em sorrisos e transforma lágrimas em vida.
Milhões de emoções vividas que só ela consegue expressar, seja num sorriso solto ou numa lágrima que brota em seu olhar. Só nós, mulheres, conseguimos decifrar cada sentimento contido num sorriso e cada história em uma lágrima que derramamos sem notar...
Lu Lena / 2026
O COMPASSO DA EXISTÊNCIA
(Onde a memória fragmentada reencontra o sentido do caminho)
A velhice não carrega mais aquele entusiasmo do início; vive caminhando com a bengala do tempo entre a nostalgia do meio e a expectativa do fim, sinalizando, em sua fragmentada memória, as texturas de sua história.
Lu Lena / 2026
FAXINA DA ALMA
(Onde o caos termina, a prece começa.)
Organize seus pensamentos mais aleatórios e intrusivos, tranque-os num baú fechado e coloque-o no porão do esquecimento. Sacuda as mãos e eleve, em prece, seu suspiro ao céu.
Lu Lena / 2026
FRAGMENTOS NA MASMORRA
(Onde a alma se perde no esquecer)
Ao dormirmos, partimos em viagem por domínios indecifráveis e invioláveis. Se despertamos sem a lembrança do sonho, é porque a alma permaneceu cativa em alguma muralha do castelo medieval. Ao retornar à matéria, o ser percebe o vazio: deixou fragmentos de sua própria essência em alguma masmorra do esquecimento.
Lu Lena / 2026
POSIÇÃO FETAL
(Onde o tempo para e a mágoa seca)
Às vezes, lavo todas as minhas mágoas
e sentimentos mal resolvidos no líquido amniótico;
torço-os com toda a força onde fui segregada
pelo útero materno,
estendo-os no cordão umbilical e,
enquanto não secam,
fico dormindo na posição fetal.
Lu Lena / 2026
A HERANÇA DE ALADIM
(Onde o passado guarda a luz que o futuro precisa.)
Toda vez que desço naquele porão escuro, cheio de entulhos e lembranças, encontro aquele baú fechado e empoeirado. Ao abri-lo, lá está: a lâmpada mágica que achei na infância.
Quem sabe um dia, ao abrir aquela porta rangendo, eu encontre somente a luz da esperança sorrindo para mim e dizendo:
— Faça agora os seus pedidos!
Lu Lena / 2026
Psiu...Silêncio!
Já chorei tanto que minhas lágrimas foram parar no oceano das emoções onde a calmaria me traz a paz... então descanso meus olhos vermelhos e inchados numa ilha deserta onde só minha alma enxerga a miragem de um oásis que minha fé alcança.
Psiu... Silêncio!
Porque esse murmurinho externo pode afastar a esperança que veio me salvar...
Só com os olhos d'alma a gente consegue entrar num mundo incomensurável, onde percebemos na beleza dos troncos de árvores secas, que ali as orquídeas não morrem jamais.
