Minha Namorada Disse que eu Sufoco ela e agora
Pai, diante da brevidade dos meus dias, santifica o meu caminhar para que a minha vida terrena seja o início visível da eternidade contigo.
O inspirador para mim, é ver pela manhã uma página em branco e o cursor intermitente na minha frente…
Poema da Minha Vida
Minha vida é casa de porta aberta, com cheiro de mar e café.
É terapia nas mãos,
cuidar do outro para aprender a cuidar de mim também.
É recomeço em dia de ventania,
quando o vento leva o que não presta
e planta de novo a esperança no coração.
É gratidão nas coisa simples:
uma boa noite nordestina,
um "gratidão" dito de coração,
um poema que chega pra fazer companhia
na hora que a solidão bate na porta amiga.
Minha vida é farmar aura como diz esta geração, todos os dias —
nas conversa, no trabalho, no silêncio.
É cair, levantar, e seguir com doçura e sutileza,
que nem me ensinaram sem precisar me dizer.
É saber que a vida é vento
e eu sou raiz.
Que pode balançar,
mas não arranca.
E no fim das contas
minha vida é isso:
cuidar, recomeçar,
e deixar um pouco de luz
por onde eu passar.
Eu sou.
ALÉM DA ETERNIDADE
Fique ao meu lado, segure minha mão,
e vamos caminhar sem medo de errar;
que o amor seja a nossa direção,
e o destino nos ensine a sonhar.
Se o mundo mudar de repente,
que eu tenha você junto a mim,
pois amor que é verdadeiro e presente
não conhece começo, nem fim.
Quero andar contigo pela estrada,
sob o sol, sob a chuva e sob o luar;
ter sua presença em minha jornada,
e em cada silêncio, poder te abraçar.
Se houver pedras no nosso caminho,
juntos saberemos como seguir;
pois nenhum coração fica sozinho
quando encontra outro para dividir.
Fique ao meu lado, não solte a mão,
deixe o tempo passar devagar;
que cada batida do meu coração
seja uma promessa de sempre te amar.
E quando a vida perder sua voz,
quando o tempo deixar de existir,
ainda haverá um caminho para nós,
onde o amor continuará a florir.
Fique ao meu lado, segure minha mão
e vamos caminhar além da eternidade.
Porque se o amor for nossa canção,
seremos para sempre uma só saudade
que nem o tempo conseguirá apagar,
nem a distância poderá separar:
dois corações que escolheram caminhar
juntos... além da eternidade.
Falei para o psiquiatra que estava bem, que a minha vida estava ótima. Perguntei-lhe se ele podia me ajudar.
Uno
Deus nos espanta com o passado,
doce e cruel a mim foi arremessado.
A vida guia a minha pena vibrante
para aqui ficar,
sem ir adiante.
Como mil centopéias,
tenho braços que te abraçam,
e tu, minha velha,
meu coração trespassa.
O ouro me tenta.
A carne me suberge.
A vida que é lenta,
da corrida me perde.
Ao não dizer, não digo.
Minh’alma fere quem pouco entende.
Para falar, um perigo,
ao proferir mudo, à toda gente.
Os fatos, as palavras da história da minha vida, são apenas repetições sem sentido quando percebidos isoladamente. O tempo é uma narração, uma sequência, que só pode ser apreciada no seu conjunto. A montagem desta consciência é falha porque eu fui aprendendo a construí-la enquanto a fazia. As repetições são ilusórias, e eu posso, com elas, a aprender a não me enganar.
Perspectiva inversa
A algum tempo atrás começou um processo na minha mente, que poderia ser chamado de delírio. Tudo o que eu acreditava foi encoberto por pensamentos vagos, ambivalentes, improváveis, disformes. Era como um quebra cabeças em que eu fazia força para encaixar as peças. Assim A era a, 6 era 9, o som das cigarras era igual ao de um apito. Isso funcionou muito bem e eu senti o poder da compreensão de tudo. No entanto, uma falha naquele sistema, mais a minha habitual tendência à desconfiança me levou à estaca zero, ao pensamento comum dos mortais. Foi uma ducha de água fria, mas muito do que eu aprendi, naquela época, ficou. A sensação de que a realidade é uma sequência de eventos sincronizados, de que as minhas memórias são apenas duplicatas do que está acontecendo agora, já que o passado é gerado pelo que acontece no momento.
Oh, grande melancolia
Tão suave e avassaladora
Minha alma grita desesperadamente
Por seu abraço inexistente.
Oh, bela vida
Tú és a arte guiada pela existência
Onde encontro a insignificância!
Oh, grandioso tempo imparável
Tú és tão silencioso e inalcançável...
Em meu rosto, chuvas de meteoros atlânticos caem incessantes,
Com vossas águas salgadas e incansáveis.
Em meu coração, ele pede por paz
Mas eu lhe dou a solidão com vista ao abismo.
Em uma varanda, observando o mar e o pôr do sol,
Sentindo-se a euforia e a paz reinando em minha alma.
Numa profundidade assombrosa, mas viva e única.
Em uma alma perdida, encontrei a direção até o sol.
Lá avistei a metade que me faltava, que eras tú:
Felicidade!
Minha confiança em Deus é o que faz do meu cansaço, repouso, e de cada queda o ensaio de um novo salto.
Olhar pra minha história é entender que não foi sorte… foi propósito.
Cada passo, cada escolha e cada momento, até aqueles em que tudo parecia incerto e desistir parecia mais fácil, fizeram parte de um caminho que Deus já conduzia.
Nos dias bons, celebrei.
Nos dias difíceis, fui sustentado.
E, em todos eles, fui moldado.
O homem que sou hoje não nasceu do acaso. É fruto da fé que escolhi manter, das decisões que tomei mesmo com medo, das dores que senti, das renúncias que ninguém viu e das batalhas que enfrentei em silêncio.
Carrego cicatrizes, mas também carrego propósito. E sigo firme, com gratidão pelo que vivi e com a certeza de que Deus ainda está escrevendo os próximos capítulos da minha história.
Minha alegria se foi.
Restaram apenas as lembranças de um tempo que não volta e uma dor que insiste em permanecer.
Os dias passam, as pessoas seguem seus caminhos, mas certas feridas parecem desconhecer o tempo.
Em 1953, próximo à minha casa, montaram um acampamento de uma empresa que estava asfaltando a rodovia. Havia várias casas. Umas mais simples e outras um pouco melhores, destinadas aos engenheiros, eu acho.
Como qualquer moleque da minha idade, uns seis ou sete anos, eu me maravilhava com aquele vai e vem de máquinas fazendo estrada e jogando aquela mistura de pedras que depois era coberta com piche, deixando no ar aquele cheiro de óleo diesel. O dia era curto.
Uma noite acordei com minha mãe me chamando. Estava pegando fogo em uma das casas do acampamento. Como era uma construção bem simples, com cobertura de sapé, queimou muito rápido.
Na manhã seguinte encontrei várias garrafas derretidas, parecendo figuras de bichos. Guardei algumas como relíquias. Eu tinha um esconderijo, uma espécie de caverna, que ficava debaixo do assoalho da nossa casa. Ali ficavam meus tesouros: estilingue, pião, faquinhas feitas de serra, bolinhas de gude, um canivete corneta — coisa rara —, algumas pedras coloridas e, agora, os vidros com aspecto de bichos.
Eu dividia o tempo em duas partes: de manhã ficava vendo as máquinas trabalharem e, à tarde, fuçando pelo acampamento, subindo e descendo nas máquinas quebradas, imaginando-me operando aqueles monstros.
Vez ou outra eu dava uma inspecionada nas casas dos engenheiros. Numa dessas fuçadas, achei uma casa com a janela da cozinha aberta e, como não podia deixar de ser, olhei para dentro. Sobre a mesa havia uma lata de abacaxi. Uma coisa inimaginável para o poder aquisitivo da nossa família.
Afastei-me rapidamente dali, mas algo me puxava de volta. Entre idas e vindas, numa das voltas pulei a janela e levei a lata de abacaxi, que, por um dia, passou a fazer parte do meu tesouro.
No dia seguinte, aquela máxima de que o criminoso sempre volta ao local do crime entrou em ação, e lá estava eu observando o movimento. Tudo calmo. Nada de anormal. A janela continuava aberta e, no lugar da ex-lata, havia um vasinho com flores.
Esperei mais um dia para dar fim àquela tentação. Tive que dividir uma boa parte com as formigas, mas faz parte. Dei cabo da lata e voltei a ver as máquinas que comiam e vomitavam terra.
Confessei-me alguns anos depois. Fiz um combo de pecados e entreguei tudo nas mãos do padre. Aquelas mesmas mãos que um dia eu havia beijado com a boca cheia de manga.
Claro que esse pecado não foi o maior. Mas ele só perdia para os das figurinhas.
O único trecho em que eu pensaria em mexer mais é o final. A frase "Mas ele só perdia para os das figurinhas" é boa, mas quem não leu suas outras histórias talvez não entenda a referência. Por outro lado, justamente por ser uma referência interna ao seu universo de memórias, ela tem muito charme. Eu provavelmente a manteria exatamente assim.
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