Minha Namorada Disse que eu Sufoco ela e agora

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⁠Subindo estreita pela viela,
Ela sorria e imaginava,
Os tempos fartos se anunciavam,
A esperança a acompanhava:

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⁠Suellen

Furiosa comigo (seu interlocutor),
Estranho, como ela gosta.
Gosta repelindo,
Gosta afastando a causa de seu gosto.
A conseqüência é o encaramento,
Encara sem dó.
Encarnando uma couraça para se proteger,
Do desgosto que possam injetar nela.
Talvez esse afastamento,
Seja a maior prova irrefutável,
Vista, revista e certificada,
De que a distância é segura;
A margem ameniza.
E distanciada de seu inspirador,
Ela pode gostar.

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⁠Sara
(ao surgir tinha ido)

Rangeu o taco,
Trepidou o piso.
Fingi não ter ouvido,
Mas ela era e estava.
Atrás, nas minhas costas,
Quietinha.
Respiração semi-ofegante,
Ela se continha.
Aguardei-a,
Ela tinha seu próprio andamento.
É maravilhoso repassar,
A sensação de ter fingido.
Guardei-a comigo.
Naquele abreviado baque,
Assustou-me.
Deixei-me assustar
E ao surgir tinha ido.

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⁠Analogia duma Antologia,
uma sinfonia, um Hino a Ela.

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⁠Um Hino a Ela

Ensaiei, ditados inexistentes,
Martelei, aforismos famosos,
Revisei, a locução convincente,
Repassei, teus tiques nervosos,
Consultei, os baralhos videntes,
Aceitei, teus ataques mimados,
Pratiquei, as vontades urgentes,
Como os gomos, fomos tão atrelados,
Inventados, em notações e lembretes,
Findando, eis o resultado:
Na declaração que ressoa,
Falo a ti na primeira pessoa.
Prevemos o imprevisto
E não nos prevenimos,
Somos improváveis
E imprevisíveis.
Nossas precauções,
Não foram precavidas
E na pressa persistimos,
Permanentes, inalteráveis,
Incontroláveis, irreprimíveis.
Somos improváveis
E imprevisíveis !
Na declaração que ressoa,
Falo a ti na terceira pessoa.
Coletânea contraditória,
Rompendo com a dita cautela,
Ele faz sua dedicatória,
Uma sinfonia, um Hino a Ela.
Analogia duma Antologia, uma sinfonia, um Hino a Ela.

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⁠Assim Ela é,
Decência e escândalo.
Num meigo balé,
Senhora do Sândalo.

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⁠Temam a inocência,
Ela é nossa aliada,
Contra sua arrogância,
Ignorância inveterada.

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⁠Sintoma

Ela não era poesia,
Isso era ordinário demais,
Era clichesco demais,
A Ela cabia mais que isso.
Ela era Alergia.
E a irritação
Vinha seguida de prazer.

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⁠Rarefeito

Então vi que ela não vinha,
Versei novamente;
Esperançoso. Estúpido.

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⁠A aliança na gaveta
E o álbum guardado.
Ela está satisfeita,
Me vou conformado,

Reciclando retalhos
Em meu eu descartável.

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⁠A sensação aguça o paladar,
Prefiro o amargo à falta de sabores,
Mas com ela tudo se suaviza,
Voltamos a nos tratar como amores.

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⁠Amarga Doçura

A sensação aguça o paladar,
Prefiro o amargo à falta de sabores,
Mas com ela tudo se suaviza,
Voltamos a nos tratar como amores.

Amarga Doçura,
Doce Amargura,
Sabores da cura
Que experimentamos.

Gostamos de dosar,
Em medidas homeopáticas,
Práticas em equilibrar,
Debandar do amor apático.

Afago ou travessuras ?
Carícias ou ternura ?

Memorizando mais,
Limitaremos menos,
Mentalizando mais,
Teremos menos o que temer
E nos tornaremos mais.

Amarga Doçura,
Doce Amargura,
Sabores da cura
Que experimentamos.

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⁠Teu sorriso esfacelou,
Tua esperança esfacelou,
Teu sonho esfacelou,
Ela não vai voltar.

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⁠Tua missão esfacelou,
Teu projeto esfacelou,
Tua presença esfacelou,
Ela não voltará.

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⁠Poesia Pandêmica

Teu sorriso esfacelou,
Tua esperança esfacelou,
Teu sonho esfacelou,
Ela não vai voltar.

Não foi o vírus que a matou,
Foi o desprezo pela vida,
De quem nem mesmo a conheceu.

Não conheceu os teus amores,
Não conheceu as tuas dores,
Os teus temperos e sabores,
A tua chama lutadora a flamejar.

Tua missão esfacelou,
Teu projeto esfacelou,
Tua presença esfacelou,
Ela não voltará.

Não foi o vírus que a matou,
Foi a tolice desmedida,
De quem negava o inegável.

Quem a matou não se deu conta,
Que a negligência contamina,
Não há vacina, pra estupidez.

Ele nem mesmo a conhecia
E suas inofensivas idas e vindas,
Ceifaram vidas, arruinaram vidas.

Não me recordo dos teus nomes,
Nomes demais pra recordar,
Nomes demais pra mencionar.

Mas conheci os teus amores,
Eu conheci as tuas dores,
Os teus temperos e sabores,
A tua chama, lutadora, a flamejar.

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⁠Algumas pessoas foram fascinantes para mim, mas Ela foi o fascínio em pessoa.

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⁠Ela seguia,
num esforço monumental,
para ser igual a todo mundo.
todavia a pobrezinha
não percebia,
que era justamente isso,
que a entristecia.

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⁠a cada fuga dos padrões,
ela respirava e vivia.

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⁠contudo,
logo em seguida,
mergulhava na mesmice
de suas companhias.
Ela queria ser aceita,
mas não podia.
ser igual a todo mundo,
a enfraquecia.

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⁠enquanto,
sua verdadeira força
residia,
em ser-única,
em ser-ela,
incomparavelmente.
portadora da chama,
que reluzia.

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