Minha Namorada Disse que eu Sufoco ela e agora
Eu não estava lá
Quando Brasília foi projetada
Para centralizar todo o poder
Quando uma pedra foi lançada
E os incrédulos passaram a crer
Eu não estava lá...
Na hora errada, hora de falar
As palavras certas, poucas
Únicas, mas fora de lugar
Quando a Revolução foi inaugurada
Ameaçando o poder dos nobres
Quando uma bala foi projetada
Direto no coração dos pobres
Eu não estava lá...
Para conhecer o outro lado
Saber o que teria acontecido
Se fosse real e não inventado
A noite toda, o tempo todo...
É impossível para mim negar
O dia inteiro, desde acordar...
Nunca. Eu não estava lá.
Vocês não me compreendem e me acham genial; eu acharia genial se alguém me compreendesse e não me achasse um tolo.
Às vezes eu penso que os pingos de chuva nada mais são do que lágrimas de Deus caindo sobre a estupidez humana.
Reflexão (tardia)
Entre a insanidade e a lucidez
A sobriedade e a embriaguez
Eu pego apenas mais um copo
Se for pra apostar agora, topo
Crescemos e envelhecemos
Desaprendendo a usufruir
Trabalhamos e perdemos
A experiência de curtir
Entre o fim do dia e o de tudo
Algumas letras, alfabeto mudo
Eu mantenho-me em silêncio
Um disparo pro alto, inexato
Nos alimentamos da carne
De algum animal sacrificado
A reflexão chega sempre tarde
Depois do jovem ser assassinado
País, sociedade, razão e religião
Porre, porrada, falta de opção
A continuidade é um erro fatal
Em um amanhã de pleno temporal.
Teto blindado
Antes que eu me esqueça
Inicio com uma pergunta
Será que tu sabes como é
Tomar um banho de chuva?
É que quando sinto falta
Eu procuro satisfazê-la
Será que tu também sentes
Ou somente teces a teia?
A aranha, irracionalmente
Ela devora o seu par
Há gestos diplomáticos
E outros de se suspirar
Sob o teu teto blindado
Já me pus a declarar
Chamo alto, ninguém ouve
Quanto tempo a esperar
Não lhe julgo, pois saiba
Há magia em se ausentar
Nem estamos muito longe
A campainha pode tocar
A presença é um presente
A quem tanto aguardou
Eu até vejo nos vultos
O que ninguém apagou
Entre toda essa mesmice
Tu aparentas ser divina
Muito mais que passageiro
O seu impacto de menina
Pouca gente anda ao lado
Tanta gente anda por aí
Nas trilhas que percorres
Eu bem sei que tu sorris!
A estrangeira
Estrangeira vinda de um lugar qualquer
Hoje eu preciso conhecer o teu jardim
Essa beleza que trazes junto ao peito
É um delírio total para mim, sem fim
Me contaram que és muito solitária
E que tu és repreendida pelos pais
Tua banda favorita não é do Brasil
E que preferes pintar com o azul anil
Me contaram que tu não lês poesia
E que trocas o romance pelo terror
Talvez quem disse seja uma inimiga
Que ainda não percebeu o teu valor
E eu lhe conto: que incrível o efeito
Do vento que antes passou por mim
Associei às conquistas adolescentes
Quando, de repente, pensei em ti
Demonstras em gestos carinhosos
Que, de fria, não tens quase nada
Desejaria se, realmente, fria fosses
Que a minha vida fosse congelada.
Super-heróis
Frequentemente sonho que estou voando
Que posso levitar ou atravessar paredes
Eu nunca me vesti como os super-heróis
Mas que bom seria poder contar com eles
Nós somos minúsculos diante das injustiças
Crianças são assassinadas na Faixa de Gaza
O Super-Homem, se real fosse, deprimido
Provavelmente ficaria trancafiado em casa
Precisamos de poderes especiais todo dia
Para superarmos a insensibilidade imensa
A segurança inexiste entre quatro paredes
E as novas gerações permanecem tensas
Sangue é entretenimento para as massas
Terrorismo na manchete dos telejornais
O homem baleado está na capa da revista
Desvirtuadamente esperamos por mais
No intervalo das notícias, o horário eleitoral
Então o voto se torna uma escolha aleatória
Vamos girando a roleta sem ouvir propostas
No lugar de tentar construir outra história
Temos escolhas, mas não sabemos escolher
Nos acostumamos com uma realidade desigual
Enquanto assisto filmes com os super-heróis
Logo penso que eles não seriam no mundo real.
Comentam por aí
Eles falam que eu sou louco, mas não estavam lá
Que sou fechado, mas não ouviram o que lhe disse
Que sou incapaz de amar, mas não lhe conheceram
Que homem não deve chorar, e já viram um triste?
Uma era que já era
Ei, história inacabada, não venha ocupar meu tempo
Que hoje eu não estou para meias palavras e gestos
Rascunhos de felicidade, agora, não me completam
Esqueça o marujo que lhe declarou sendo honesto
Poderia esperar uma eternidade por um sinal teu
Nada acharia além de um afastamento crescente
Tu acompanhas de camarote o sofrimento alheio
Imagino que concordes com gente pisando gente
Se alguém obtém algo com facilidade, despreza
Se alguém obtém algo com dificuldade, preza
É por isso que tu estás em Netuno e eu na Terra
E é por isso que, assumidamente, lhe quis à beça
Só que não sonho mais contigo como outrora
Nem penso na possibilidade de me reapaixonar
Eu amadureci, é verdade, não se vive de saudade
Me dediquei por inteiro e descarto a tua metade
Excluo o teu contato e é para que tu percebas
Vais perder tudo, lidaste com a situação errada
Mal sabes o que fazes, és dispersa no caminho
Se a tua realidade é ventania, virará redemoinho
Quem acha que comanda, pode se equivocar
Mesmo tendo um imenso séquito de devotos
Bom saber que o questionamento é permitido
Havendo repressão, teu império seria mantido.
Aqueles dias foram horríveis. Tragédias aconteciam, mas estavam fora do meu alcance; eu não desfrutava de ocasiões realmente felizes. Não conseguia chorar; o meu sorriso era amargo. Eu estava completamente vazio.
Este terno
Vê se você muda
Eu tô falando sério
Ler Pablo Neruda
É cheio de mistério
Vento de regresso
Vidas a conflitar
Outra gambiarra
Não irá me chocar
Uh... tira logo este terno
Você nunca avisa
É frio e impontual
Vejo no seu punho
Uma atração fatal
Estufa bem o peito
Antes da mancada
Ao menos você ri
Na hora marcada
Uh... eu já tirei este terno.
Quando você tiver certeza que se livrou de mim, eu surgirei novamente e lhe farei duvidar, pois é na ausência que me faço ainda mais presente e nos seus pensamentos que estabeleço a minha melhor morada.
Quero-quero
Me pergunto o que eu quero
Quero-quero beleza florestal
Voo rasante na incredulidade
Por um porquê fora do banal
Tenho certeza destas dúvidas
De anos atrás, de poucos dias
Elas apenas mudam de forma
Mas nunca foram esclarecidas
A maioria quer ir a um lugar
O destino é pouco importante
Se almeja a dispersão rápida
Fugir do ontem dali em diante
Melhor se ninguém procurasse
Chega, aproveita e rememora
São tão poucos querendo ficar
Sabedoria mesmo é ir embora
Quero-quero o que não tenho
Ponto de chegada e um pódio
Conquista que compense suar
Chamar sal de cloreto de sódio.
O escolhido
Aquele foi um olhar de amor, eu pensei
Uma mulher sempre percebe, eu concluí
Como se pontos tivessem sido entregues
Como se esquecesse o que me trouxe ali
Um homem de verdade não diz "te amo"
De forma gratuita e indiscriminadamente
Entretanto, o denuncia de outros modos
Também retumbantes e desesperadamente
O amor feminino costuma despertar temor
É bem mais fácil envolver-se com outras
Do que com a garota que escolheu você
E você nunca a acha em quaisquer bocas
Aí existe a fuga desenfreada e cansativa
Negando a si mesmo a maior obviedade
Gostar por gostar você gostou de tantas
Ela você ama e já comenta toda a cidade
O sentimento latente bate na sua porta
Ele se chama Amor e pede para entrar
Você pensa muito porque não percebeu
A sua disposição imensa em se entregar.
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