Minha Namorada Disse que eu Sufoco ela e agora
"Se muito antes de Abraão Ele é, então, muito antes d’Ele eu te amo.
O amor d’Ele por ti é infinito, mas é gota onde o meu é oceano.
Se é pecado amá-la mais que Ele, então, morrerei pecando.
Sou eu, blasfemo, apaixonado e insano.
Se 70 vezes 7 eu devo perdoar o irmão que contra mim peca, então, por 70 vezes 7 e mais uma, seguirei te amando.
Não sei o que escrevo, tampouco o que ando falando.
Não sei o que penso, não sei os pecados que venho cometendo, o quanto ando blasfemando.
Eu me olho no espelho e não me reconheço, mas sei que Ele, o Deus, o criador de minh’alma mater, conhece o meu âmago.
Ao me criar, ele se enganou, achou que eu poderia existir sem minha metade, um meio homem, mas sou um todo de sofrimento; a quem estou enganando?
Ele sabe, sabe, sei que sabe: parei de sorrir, parei de chorar, é só indiferença, Ele sabe que nem mesmo por ela venho orando.
Punição, Pai, sem ser amado, seguir amando.
É como sem ar, continuar respirando.
É como se em meu corpo não houvesse sangue e, ainda assim, meu coração continuasse palpitando.
É como se em meus olhos não houvessem mais lágrimas e, ainda assim, eu continuasse chorando.
Que existência miserável, Pai! Por sobre os céus, eu lhe amaldiçoo, pois tens tudo o que queres e me fizeste um ser de paixão e servidão ao seu mais belo anjo.
Que existência pífia, o homem que olha no espelho e sabe que viver sem aquela mulher é somente existir, definhando.
Se és onipotente, me tire esse amor que, no deserto da solidão, por tanto tempo vem me tentando.
Caso não, tudo bem, continuarei olhando para o chão e o olhar dela imaginando.
Não olharei mais aos céus; de minh’alma não merece nem mais um lampejo, um vislumbre, a ti, Deus Pai, não abrirei meu flanco.
Digo e repito, seja blasfêmia ou não, venho falando.
Se muito antes de Abraão Ele é, então, muito antes d’Ele, meu amor, eu te amo..."
*O Uniforme da Virtude*
O jornal apareceu no meu jardim numa manhã em que eu não estava esperando por notícias.
Não era assinante. Nunca fui muito chegado a jornais, principalmente depois que descobri que as tragédias do mundo chegavam mais rápido pela internet e as mentiras continuavam chegando no mesmo ritmo.
Peguei o jornal pela ponta, como quem recolhe alguma coisa suspeita.
Levei para a varanda.
Sentei na cadeira velha e coloquei os pés sobre o parapeito. O gato estava deitado no degrau. Olhou para mim. Miou.
Parecia perguntar:
— Você vai realmente ler isso?
Não respondi.
Ele se espreguiçou, virou de costas e foi cuidar de assuntos mais importantes. Provavelmente dormir.
Abri o jornal.
Na primeira página havia um cidadão sorrindo.
Era um dos homens que ocupavam um dos cargos eletivos daquela nova cidade. O sorriso tinha aquela medida exata que os fotógrafos gostam. Nem alegria demais, nem preocupação demais. Apenas o suficiente para parecer humano.
Ao lado da fotografia, um título falava sobre dignidade humana.
Li.
O homem defendia respeito, inclusão, empatia, tolerância e todas aquelas palavras que hoje aparecem juntas com a mesma facilidade com que antigamente se escrevia “atenciosamente” no fim de uma carta.
Continuei lendo.
Não havia nada errado com o que ele dizia.
Esse era justamente o problema.
O sujeito tinha aprendido a dizer tudo certo.
Fiquei alguns minutos olhando para o papel.
Pensei que talvez eu estivesse ficando velho demais para certas coisas. Talvez o problema fosse comigo. Talvez fosse apenas implicância de um homem que já viu muita gente falar bonito antes de fazer alguma coisa feia.
Mas então lembrei que tratar alguém com respeito nunca foi o problema.
O problema começa quando a virtude vira uniforme e a consciência passa a usar crachá.
Parei de ler.
O gato voltou.
Sentou ao meu lado.
Olhou para o jornal.
Depois olhou para mim.
— É — eu disse. — Também achei estranho.
Voltei ao texto.
O homem falava sobre uma sociedade mais humana. Era uma boa ideia. Quase bonita.
Só que eu conhecia aquele tipo de discurso.
A cidade continuava cheia de gente que passava por moradores de rua sem enxergá-los. Velhos continuavam conversando sozinhos dentro de apartamentos silenciosos. Crianças aprendiam cedo que certas coisas eram vendidas antes mesmo de serem compreendidas.
E nós continuávamos medindo pessoas.
Pelo salário.
Pela aparência.
Pelos seguidores.
Pela utilidade.
Pela capacidade de nos servir.
Depois chamávamos aquilo de sociedade civilizada.
Talvez fosse por isso que a expressão “politicamente correto” tivesse adquirido tanta importância.
Não porque respeito fosse ruim.
Respeito é necessário.
O problema é quando a palavra passa a substituir o comportamento.
Trocaram a ética pela etiqueta.
É mais fácil.
Etiqueta exige apenas que você saiba onde colocar o garfo.
Ética exige que você saiba onde colocar a própria crueldade.
E isso dá trabalho.
Continuei lendo.
O político falava sobre empatia.
Eu pensei em quantas pessoas conhecia que publicavam frases sobre empatia e não conseguiam ouvir cinco minutos de alguém que discordasse delas.
Era uma coisa curiosa.
A crueldade havia aprendido gramática.
A hipocrisia descobrira o vocabulário da inclusão.
A mentira tinha feito faculdade.
E eu não estava completamente fora disso.
Foi aí que a leitura começou a ficar desagradável.
Porque é fácil apontar o dedo para o sujeito da fotografia.
Mais difícil é olhar para a própria mão.
Eu também já fui injusto.
Já tratei pessoas como inconvenientes porque estavam atrapalhando meu dia.
Já concordei com alguém em público e pensei o contrário em silêncio.
Já me calei diante de uma covardia porque falar custaria alguma coisa.
Já fui educado quando deveria ter sido honesto.
E talvez essa seja uma das formas mais discretas da hipocrisia.
Não mentir para os outros.
Mentir para si mesmo com boas maneiras.
Fechei o jornal.
Fiquei olhando para o jardim.
O gato tinha encontrado uma sombra e dormia dentro dela.
Ele não precisava escrever sobre dignidade.
Não precisava defender ninguém.
Não precisava publicar uma frase bonita.
Se alguém o incomodasse, ele simplesmente iria embora.
Talvez houvesse alguma sabedoria nisso.
A verdadeira decência nunca precisou de cartilha.
Ela aparece quando ninguém está olhando.
Quando você poderia humilhar alguém e decide não fazê-lo.
Quando poderia esmagar e prefere não usar a força.
Quando discorda sem precisar transformar o outro em inimigo.
Quando ninguém está fotografando.
Quando não existe plateia.
Quando não existe recompensa.
Talvez seja aí que começa o caráter.
Todo o resto pode ser teatro.
E o teatro sempre foi um esconderijo confortável para quem tem medo de ser visto sem maquiagem.
Voltei a abrir o jornal.
A fotografia continuava ali.
O sorriso também.
Pensei que talvez o homem da fotografia acreditasse sinceramente no que havia escrito.
Isso também me incomodou.
Porque seria mais fácil se ele fosse apenas um canalha.
Mas ninguém é apenas uma coisa.
Nem eu.
Nem ele.
Nem o sujeito que fala sobre moral enquanto pisa no outro.
Talvez o maior escândalo do nosso tempo não seja a existência de pessoas ruins.
Elas sempre existiram.
O problema é outro.
Aprendemos a vestir a roupa da virtude.
Aprendemos quais palavras provocam aplausos.
Aprendemos quais indignações rendem aprovação.
Aprendemos a parecer bons.
E, em algum momento, esquecemos de perguntar se ainda somos.
Olhei novamente para o gato.
Ele abriu um olho.
— Você tem alguma opinião sobre isso?
Ele fechou o olho.
Justo.
Talvez a humanidade pudesse aprender alguma coisa com os animais.
Eles não costumam fingir que são melhores do que são.
Nós fazemos o contrário.
Construímos discursos para esconder nossos dentes.
Chamamos isso de civilização.
Chamamos de progresso.
Chamamos de consciência.
Às vezes, talvez seja apenas medo de admitir que continuamos sendo animais assustados, egoístas e famintos por aprovação.
A diferença é que agora sabemos escrever sobre isso.
E escrever bem sobre humanidade não torna ninguém humano.
Fechei o jornal de vez.
Coloquei-o sobre a mesa.
O gato continuava dormindo.
Fiquei ali, olhando para ele e pensando que talvez eu tivesse passado a manhã inteira procurando hipocrisia nos outros para não precisar encontrá-la em mim.
Essa foi a parte que mais me incomodou.
Porque a consciência também sabe usar uniforme.
E, quando quer, sabe até sorrir para a fotografia.
A mata, que era o meu reino
Hoje é cinza e solidão
Onde eu rugia com brio
Resta o som do caminhão
As cercas vão me prendendo
Onde antes era o meu chão
E o homem vai esquecendo
Que somos parte do mesmo quinhão.
Peço que o olhar se transforme
Que o respeito possa voltar
Pois se a selva adormece
A vida vai se apagar
Não quero ser só gravura
Ou um bicho de museu
Quero ser força da natureza
No lugar que Deus me deu.
Ainda há tempo de cura
De plantar o que se perdeu
Para que a onça futura
Não diga o adeus que eu disse ao meu.
Agradeço por poder fazer tantas ações boas sem necessidades de contar, é eu e Deus e em sua força não precisa se auto-afirmar.
Amava quando tinha o tal jogo da seleção, que enquanto assistiam, eu saia para andar de bike e as ruas eram somente minhas.
Eu sou os planos harmônicos de Deus que apresenta-se em todas manhãs.
Eu sou um inferno para o diabo.
O meu pecado clama por uma reparação que eu não posso dar; logo, somente Jesus, o Salvador de dignidade infinita e mérito superabundante, poderia operar a minha justa Redenção.
A higiene per se, não contribui para um coração limpo e puro.Não é que eu queira dizer que não se deve tomar banho. Um deve saber o que diz e o que pensa dizer.
Eu guardo os teus detalhes como quem coleciona as fotografias mais bonitas da vida. O teu riso frouxo, o teu jeito de me olhar e essa paz que só você sabe me trazer.
DeBrunoParaCarla
Ando todos os dias sobre o Rio Saracura. Não que eu seja Jesus Cristo para andar sobre as águas, mas trata-se de um curso d'água soterrado e canalizado aqui no bairro da Bela Vista, na capital de São Paulo.
Benê Morais
Não importa para onde o vento sopre ou onde os caminhos da vida decidam nos levar. Desde que eu tenha a sua mão na minha, sei que estou no rumo certo. O amor não é apenas o destino final, mas cada quilômetro que escolhemos rodar juntos, dividindo o silêncio, os risos e os recomeços. Prometo ser o teu cais quando o mar lá fora estiver revolto, e a tua paz quando o mundo insistir em fazer barulho.
DeBrunoParaCarla
Dizem que somos feitos de poeira de estrelas, e eu só consegui acreditar nisso no dia em que olhei nos teus olhos. Há um universo inteiro brilhando dentro de você, uma gravidade própria que me puxa para perto e me faz querer orbitar ao teu redor para sempre. O nosso amor não foi um acaso do tempo; foi um alinhamento perfeito de órbitas que vagavam sozinhas pelo infinito até se encontrarem e criarem a sua própria luz.
.
DeBrunoParaCarla
Se eu pudesse ligar os pontos de cada momento bonito que já vivemos, tenho certeza de que desenharíamos a constelação mais brilhante do céu. Você é o meu norte, a minha estrela-guia na noite mais escura. Amar você é entender que, mesmo na imensidão do cosmos, o destino deu um jeito de cruzar os nossos caminhos para que a gente pudesse iluminar o mundo um do outro.
DeBrunoParaCarla
Dizem que as estrelas vivem mais do que todos nós, sentinelas eternas no alto, mas eu procurei seus corações de prata e eu me pergunto se, talvez, elas morram, talvez elas suspire o frio da aurora, um último suspiro da noite viva, faíscas recém-nascidas surgem da escuridão, respiram no crepúsculo e respiram a luz.
Um pedacinho...
Ei, hoje eu vi o sol indo dormir lentamente, Olhei para trás e lá no auto estava a lua linda e silenciosa,
Logo ao meu lado, estava o rio São Francisco com sua grandiosidade e sua correnteza sendo sacodida pelos ventos fortes,
Então me perguntei:
_Deus aqui é um pedaço paraíso?
Hoje eu respeito o seu ponto de vista em relação ao mundo ao seu redor, como também sua religião e tudo que você acredita.
Então faça o mesmo com o meu.
Cada criação tem sua própria história, então deixem cada um viver a sua própria não queira que todos sejam uma cópia imperfeita sua,deixem eles sentir o que é ser autor da própria história sem serem manipulados por alguém que não é feliz com as próprias escolhas...
Eu não escolhi ficar sozinha
O destino preferiu assim
para quando o grande dia chegar eu esteja preparada e limpa das minhas próprias vaidades
E assim ter o entendimento do seu real objetivo.
e
E mesmo assim,eu ainda serei uma aprendiz.
Por: Edilma Azevedo
Eu te esperei
até o último momento ao qual eu acreditava que você iria voltar
eu te esperei, mas agora cansei de esperar
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