Minha Alma tem o Peso
O passado não me arrasta, me arma, não é peso, mas fundação, é raiz indestrutível da árvore que sou.
Quando somos verdadeiramente doação, tornamos a vida do próximo
mais leve, ao partilhar-lhe o peso que o sufoca.
Renasço das quedas como quem recolhe brasas e delas forja amanheceres. Carrego o peso do mundo nas costas, não por orgulho, mas porque sei que dignidade se sustenta no esforço. Não escrevo para o aplauso, minhas palavras apontam as feridas que pedem cura. Ao doar-me, faço habitável a vida do outro e, nesse gesto, reconstruo a minha. Sigo insistente, acendendo luzes onde o silêncio impera, transformando dor em exigência de justiça e sentido.
Nem tudo o que pesa é fardo, às vezes é missão. O amor não retira o peso, mas dá sentido ao que se carrega. A leveza vem quando entendemos que até a cruz tem propósito.
Ao evitar escolhas, adiamos apenas o peso das renúncias; o preço do avanço, cedo ou tarde, será cobrado.
Não é a diminuição da carga, mas a certeza inegociável de não estar só que alivia o peso e me permite seguir.
As almas rasas não suportam o peso da profundidade e invariavelmente se afogam no mar de quem ousa pensar e sentir.
A leveza não está na ausência de peso, mas na força inquebrável da coluna que aprendeu a suportá-lo.
Eu não pensei no agora e joguei fora quem me amou, e o peso desse arrependimento é o mais difícil de carregar.
Em vão eu vou carregando o peso dos anos acumulados, se não transformarmos a experiência em aprendizado para os outros.
A verdade é que a gente nunca supera nada, apenas se acostuma com o peso e aprende a equilibrar o fardo para que ele não esmague a coluna de uma vez só. A superação é uma lenda urbana contada por quem nunca teve que carregar um cadáver emocional nas costas.
Há uma exaustão que não vem do corpo, mas do peso de sustentar pensamentos que não descansam, como se minha mente fosse um tribunal permanente, onde eu sou, ao mesmo tempo, acusado, juiz e sentença.
A Sombra Livre vs O Peso das Escolhas
Aquele vazio do lugar
Me mantém aprisionado
As correntes que me grudam lá
Não detém o meu desejo de refugiado.
Sei que estou "acordado",
Mesmo assim o meu corpo falha
Tentando vencer a batalha
Da qual eu já estou derrotado.
A ferrugem corrói as correntes
E meu corpo quase dormente
Grita no fim que devo reagir.
Na minha frente movendo-se em ondas
Aquelas malditas e asquerosas sombras
Querem a todo custo me coagir.
Reluto tentando não desisti
Olhando as pressas muito atordoado.
Todos que ali estão acorrentados
Se esforçam para não me verem insistir.
Eu tento então proceguir.
Vejo o teto como se fosse o véu,
Mas acredito que aquele céu
Não consiga mais me manter aqui.
Ergo o meu corpo decrépito e frágil
Sob os protestos que me acusam de plágio
Tentando sair daquela caverna.
Agora serei totalmente hábil
Cruzando entre eles, serei ágil,
E passarei para a vida "eterna".
Daqui de cima vejo todos moribundos,
E grito que são fantoches projetados.
São como sombras de seres desprezados
Subjugando-se todos a cada segundo.
Criaturas de corpos imundos
Nunca passaram de seres pecadores.
Atacam nas chagas, nas dores,
Rasgando as feridas até aos fundos.
Essa visão me dilacera
Até o coração acelera
E o meu estômago embrulha inteiro.
O mundo não passa de uma grande quimera
Controlado por grandes bestas e feras,
Abusando dos sofrimentos de terceiros.
Há tantas cores que me sufocam,
Gostaria de voltar para lá, dentro.
Até volto, mas assim que entro,
Vejo que as sombras me provocam.
Os olhares que agora elas trocam,
É que gargalham de ironia comigo.
Vendo que agora sou o meu próprio inimigo,
Então mais medo em mim, elas colocam.
Sento, ponho as correntes novamente.
A minha mente quase que inconsciente
Me relembra a minha eterna luta.
Sei o quanto eu fui inconsequente
E agora deitado com o corpo quente
Quero que a morte seja minha última disputa.
Os meus olhos vão se fechando rápido demais.
A sombra que se deita sobre mim me assombra cada vez mais.
Tsharllez Foucallt
O Peso da Liberdade
Nunca fui totalmente livre. Sempre havia algo – ou alguém – que me amarrava. A sensação de liberdade e paz sempre existiu dentro de mim, mas com o tempo, tudo parecia ir por água abaixo. Lá estava eu, presa a compromissos que mascaravam a realidade, tentando me convencer de que eu era feliz.
Hoje, percebo que tudo aquilo era apenas uma forma de manter a união. Se fosse agora, jamais entregaria meu cem por cento. Nunca mais me deixaria para traz por completo. Daria apenas cinquenta por cento – o necessário, o justo.
Afinal, tenho a minha vida, meus compromissos, minhas vontades e meus ideais. E nada disso merece ser silenciado.
