Minha Alma tem o Peso

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Eu sinto como se estivesse sendo rasgada. Sinto minha pele esticando e meus musculos sendo rasgados.
Tudo me dói, até a dor que não é minha.
Eu não sei mais como me desvencilhar dessa lãmina.

Eu não sinto mais as pontas dos meus dedos
Nem das mãos e nem dos pés
A minha base está curvada e enfraquecida
Sinto queimar da planta dos meus pés ao topo da cabeça
As dores que me assolam são tantas, que eu nem consigo mais listá-las.
Meu prazer, é o meu vício, e a repetição
Estou fadada a sofrer em vários aspectos de uma vez
Sinto que vivo por que preciso viver, não por que quero viver.
A música me acalma, mas eu não posso me acalmar.
O vinho me liberta da preocupação, e me joga no desespero de ter perdido mais uma noite.
Sinto que escrever é meu único refúgio, uma forma de tirar de mim todos esses pensamentos de dor, sem precisar me desfazer deles, por que eles se tornaram necessários demais para a minha sobriedade.

Trago em mim marcas da vida que nunca deixarão minha pele, minha vida, minha memória;
Trago feridas abertas que sangram e que jamais cicatrizarão;
Trago malas cheias de desventuras, desconfianças e agruras; mas uma coisa que não trago na minha viagem é a deslealdade ou o mal travestido de bondade….

⁠ morte morte
eu não te darei este gostinho de ceifar minha vida
antes que busque em mim o seu prazer
eu abrirei mão desta que só me trouxe noites e tempestades
farei assim
E minha melhor
a minha melhor amiga a solidão
será minha testemunha
o meu último ato como libertação
não morte
não se ira de mim com teu ódio
mas veja minha absolvição como o teu auxílio
eu vivi para conhecer a vida dos vivos e desejo não viver a mais como prisão pois se viver entre os sorrisos pouco duradouro que se encharcam nas lágrimas das Noites e dias
e ver o tempo passar de felicidades que só antecipam a tristeza
então morte
Oh morte
deixe-me partir do meu jeito sem me despedir

Houve um tempo na minha vida em que eu era eu mesmo e tão feliz, mesmo com tantas adversidades e fatores que eu nem entendia as coisas de adulto.
Eu era feliz e podia sorrir, correr, cantar, pular, ser uma super-heroí — tudo o que eu queria ser, eu podia fazer sem me preocupar com mais nada.
Ao longo da vida, crescemos e amadurecemos, e tudo em que acreditávamos começa a desaparecer, e a magia se esvai com o sorriso que se perde pelo caminho.
E depois de tanto caminhar, como umo adulto maduro, sobrecarregado e cansado, olho no espelho e não resta nada daquele garotinho, vivo, livre e feliz, que podia voar.
Só cansaço e exaustão, cabelos grisalhos,
Rugas que aparecem.
Acho que meu verdadeiro eu se perdeu lá atrás, no caminho da vida...


Marcio Melo

Me fure, atire em mim, me chute, corte minha cabeça, só não me peça pra ficar nesse mundo por nem mais um segundo⁠.

Às vezes me pego pensando em como seria minha vida se tivesse feito diferentes escolhas... Acho que esses pensamentos estão começando a tomar conta do meu dia a dia. Eu já não me sinto mais vivendo o agora. Sinto que o que eu vivo é uma escolha errada que tomei anos atrás e agora já não tem mais volta. Às vezes quando eu sonho me sinto em uma de minhas boas escolhas, e, ao acordar, volto na realidade dessa "escolha errada"... Sei lá, já não sei o que fazer.

Meus estimulantes existem para me tornar produtivo, para emprestar importância à minha existência dentro do seu cronometrado tempo de efeito. Ao fim da dose de dopamina, resta a carcaça real do meu ser — um empilhado de nada.
No ápice, entrego o que planejei; fora dele, sigo de onde nunca saí. O ponto exato em que parei é onde aceitei que sempre estarei. E já não sinto esperança na mudança. Mas fiquem tranquilos: amanhã estarei produtivo de novo, em mais um pico da "melhor" parte de mim. Ou do que essa droga inventa de mim.

Pisquei os olhos, anoiteceu
Bocejei, o cabelo alvejou
Deu um pulo, a minha filha cresceu
Gargalhei, a aposentadoria chegou

⁠sou o que é possível ser feita de retalhos que costuro com os melhores tecidos de minha trajetória 🌄

Foi minha própria família que me ensinou uma verdade cruel: às vezes o mundo lá fora parece menos pesado do que aquilo que a gente é obrigado a suportar dentro de casa.

Engenho Afetivo


Demétrio Sena - Magé


Sou a minha versão mais trabalhada,
quando sou responsável por alguém;
porque nada no mundo é tão urgente
quanto a conta que tenho que me dar...
O amor me sequestra não sei como,
para ser prisioneiro de ser preso,
defender indefeso, a qualquer custo
a quem tem minha vida em suas mãos...
Torno a própria verdade mais latente,
minha síndrome árdua de Estocolmo;
viro gente que sabe virar bicho...
Rompo todas as forças que não tenho,
ou as tenho por força de ser fraco,
num engenho afetivo que me ativa...
... ... ...


Respeite autorias. É lei

⁠Eu gosto da minha saudade, porque gera em mim ocasião favorável para te amar.

1964, o ano de minha eclosão: abriu-se uma fenda no tempo sob o magnetismo de seis eclipses e o alinhamento cósmico de quatro mistérios solares e dois segredos lunares.
Reno Fioraso

Adão no Éden: Em um jardim de delícias, disse: "Seja feita a minha vontade" e mergulhou o mundo em trevas.
Jesus no Getsêmani: Em um jardim de agonia, disse: "Não seja o que eu quero, mas o que Tu queres".

O Perfume de todo dia.

Quantas histórias vivo em minha cabeça.
Mas minha cabeça é só uma, e as histórias são muitas.
Nela se passa tudo e tudo se passa.
o passado e o futuro, nada se para.
No presente existo, mas não deveria.
Pois nele se ignora o que certo seria.
Presenciar o amor de todos os dias.

Ao seu lado sigo, sigo a minha vida.
Eu sinto a rotina de todos os dias.
Como a noite espera, espero o final do dia.
E nele sentir seu perfume, como um presente no dia a dia.

Esta é a minha carta de despedida


Desejo ser cremada. Quero abraçar as chamas em meu último contato físico, mesmo que meu corpo já não carregue vida, apenas uma casca vazia. Essa casca, que um dia sorriu, agora se despede. Joguem minhas cinzas ao mar, deixem as ondas salgadas me levarem. Que eu toque o mundo inteiro, mesmo em fragmentos dispersos.
Não quero funerais nem celebrações fúnebres. Só de imaginar a hipocrisia dos lamentos, o som de vozes dizendo o quanto me amavam ou sentiriam minha falta, sinto um peso que não quero levar. Por que poupam palavras tão belas em vida para oferecê-las apenas na morte? Não chorem. De que valeria? Não verei seus rostos tristes, nem poderei confortá-los pela perda.
Não sei se quero ser lembrada — depende da imagem que carregarem de mim. Seja na memória, no coração ou no vazio de um momento. Apenas saibam que parti sem arrependimentos. Se houver algum, que seja um reflexo das escolhas que fiz. E com elas, boas ou ruins, estou em paz.
Não chamem todos, apenas os próximos, os íntimos. Meus amigos, minha mãe. Não tragam parentes que vivem onde Judas perdeu as botas. Quero ao meu redor aqueles que estiveram comigo em vida, compartilhando momentos que valeram a pena.
Lembrem-se de mim como eu fui, em cada hora, em cada dia. Seja nos meus dias bons ou maus. Quando eu reclamava do cabelo. Quando chorava por não dar conta das mil tarefas que me cobrava. Ou quando sorria apenas por comer morangos. Lembrem-se de mim por inteiro, com meus erros e falhas, acertos e verdades.
E onde quer que eu esteja, partirei em paz, sabendo que, de alguma forma, vivi em suas lembranças.

Sou antigo. Minha mente não foi educada pelo fluxo raso dos vídeos transitórios, mas pela disciplina contínua da leitura, onde o pensamento é construído, não consumido.

A minha confiança existe, mas a desconfiança também anda ao mesmo tempo.

Minha confiança existe, mas a desconfiança nunca dorme.