Minha Alma tem o Peso

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"No mundo existem dois tipos de pessoas; aquelas que mostram o seu valor, quando tem oportunidade e aquelas que demonstram a sua falta de valor o tempo todo"

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Tem coisas que fazem parte da vida da gente: Árvores, Luz do Sol, Pássaros, Nuvens, Tempo, Ar, Sonhos e Esperanças, Espelhos e Balanças.
Tem pessoas que passam pela vida da gente e são breves como as nuvens; tem as que criam raízes como árvores e são importantes como o ar, outras são belas, alegres e fugazes como os pássaros, outras são constantes como a luz do Sol, outras serão sempre presentes, apesar de invisíveis, como sonhos e esperanças. Finalmente algumas são perenes como o tempo.
O fato de sermos pessoas é que faz a diferença: somos iguais a essas coisas, mas ao mesmo tempo não somos coisas: somos pessoas...e o que tem valor na vida são as pessoas. As pessoas de quem gostamos e em cuja presença nos sentimos bem. Nos sentimos confiantes e em paz. Isso é algo que vem na alma: Tem pessoas que transmitem essa sensação por onde passam, tem o dom de cativar quando ficam e deixam saudade quando se vão.
Sejam suaves perante a vida, enquanto estão no caminho com ela. Há espelhos ao longo da estrada, mas eles nunca serão tão sinceros quanto a balança que existe lá no final.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Eu duvido
Quase nunca
Ninguém
Há de saber
Qual é
Devido
À fé que não se tem
Até que não se tenha
É como apanhar
Um espinho num jardim
Apanhe
Sem saber qual é
Até que assim ele te arranhe.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

A Poesia dos Grilos.

Tem horas que a vida
Não é que ela parece
Que perdeu todo sentido
Tem horas que eu olho pro mundo
E a impressão que eu tenho
É dela nunca ter tido
Minh'alma descalça e nua
Passeia em olhares perdidos
Por breves trechos, preces leves, tão compridas
Curtos pedaços da vida, uma viagem
Pelas ruas, pelo céu, pelo passado e presente
Perdidos no correr da vida
Outro dia, talvez a gente encontre algum sentido nela
Vou buscar na lembrança dos meus olhos
Um resto de olhares felizes
Eu me vejo quando embarco numa balsa e atravesso
Um pequeno espaço... tão vasto é este universo
Valsa a atmosfera
Meu olhar espera ao menos
Ver estrelas parecer felizes
Cá da terra as sei como são falsas meretrizes
Intocadas, infelizes
Inspirando aos grilos a mais linda poesia
Profundas como as jamais ouvidas
Deste meu lado da vida
Belas como aquelas
Que eu quis fazer e não fiz
Pode ser que por amor
Pode ser de solidão
Pode ser que de cansaço
Pode ser de pés no chão
Pode ser de limitada alma de gente
Tem horas que a bela vida
Não faz sentido
Eu disse só isso, somente
Como a terra abrisse a boca e me engolisse
Sobre a gente desistir?
Não, nada disso eu disse.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

"Tem horas que a vida
Não é que ela parece
Que perdeu todo sentido
Tem horas que eu olho pro mundo
E a impressão que eu tenho
É dela nunca ter tido''

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Depois de tudo
Há sempre alguma coisa a mais
E depois de tudo a mais que veio
Ainda tem algo esquecido lá, depois que acaba
O mundo desaba, mas ainda não é o fim
A gente é que chama assim
Pra poder dar nome às coisas
Cuja palavra não criou-se ainda
A febre insana da semana passada
O desejo que virá
Lá pelo meio do ano que vem
Um beijo na estrela que está distante
Se nem o beijo e nem a estrela, muito menos a distancia
Nunca foram de verdade
É só uma vontade boba e sem importância que a gente tem
É só uma sombra que os olhos fazem
Uma espécie de arroubo, nada importante
Um querer de quem nem quer de verdade
Mas que vem, quando se vive
E eu os tive todos
Pois a vida é feita de sentir vontades
E não de fazê-las
Só lá pelas tantas é que vê
Quanta gente vive sem saber viver
Vive a vida de querer, mas acaba louca e infeliz
Pois a vontade de saber querer
É uma das poucas que nunca quis ter.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Há sonhos
Que não tem vida e nem vontade própria
Nem jamais terão
Os sonhos hão de ser a própria vida
E tudo se ajeita, quando bem sonhados
Quando as frases são refeitas
A vida chega a ser a imagem
Quase que perfeita dos melhores sonhos
E que seja feita a nossa vontade
Sinta-se à vontade pra querer
A nossa natureza humana é toda feita de desejos
Ou seja deixada de lado
Pois vida sem sonhos
é vida sem vida...é só verdade
E, de verdade em verdade
São sonhos em melodia que nos trazem à vida
De vez em quando
Uma brisa leve chega e diz:
Seja feliz, mas seja breve
Porque a vida é algo urgente
E a gente precisa, logo após a prece
Voltar bem depressa à realidade
O sonho sem vida
Pra sempre há de ser um sonho só
E a vida, quando carece de um sonho
é quase nada
Nem sempre é preciso
dormir para sonhar
Mas o ato de acordar
É imprescindível
Pra poder viver a cada sonho
E que seja feita a vontade
De todo aquele que bem sonhar
Embora uma montanha possa desviar
Um mar do seu caminho
Não existe cordilheira
Que separe um sonho da sua hora.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠⁠Se fosse apenas a vida
E se a gente tivesse só
Que olhar a chuva na janela
Mas tem dias que o ranger da porta assusta
Tem dias que o ranger da porta irrita
E tem dias em que a porta range
Custa um tempo a perceber a falta
das coisas que a chuva trazia
No silêncio a alma grita
Porém, é tão grande esse silêncio
Que nem mesmo a própria alma escuta
Mas ele é assim, tão lancinante
Que eu sei que o próprio Deus garante
A alma o sente
Não nos basta ter de volta aquele tempo
Aquela coisa corroída pela chuva
Um tempo carcomido pelo tempo
Por mais breve ele fosse
Muito ele abrange
Tem dias em que há previsão de tempestade
Se fosse então apenas
Ter que olhar o Sol pela janela
Abrir a porta ao vasto mundo
Perceber que amanhã
Também não trará nada
Nada além de outra manhã
Aquela que desfolha as flores
Ver as pétalas já mortas
Com o vento a levá-las
Todas pra bem longe
Sem cores, sem viço, sem nada
Em cada fim de tarde
O mesmo vento na janela
Aquela velha porta range
Não me assusta, nem me irrita
Me toca à duras penas
Me apenas convida a viver
Como se fosse outro dia de chuva
Sem chuva nova, sem nem mesmo a velha chuva
Apenas chove
Sem as coisas que ela trazia
Ela não trouxe nada
Eu não quero outra vida
Nem aquela de volta
Eu quero essa à distância
Olhar o mundo do espaço
Que um dia, antes da invenção do tempo
Eras antes do cansaço
Era assim que a vida prometeu que ela seria.


Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠"Tem dias que me acordo
Propenso a ter longas conversas
Tem dias que eu penso
Que podíamos
Apenas ler os nossos pensamentos
Saber das mais pequenas coisas
em que pensaria
No dia em que você se acordasse
e que eu não estivesse ali
Indiferente a tudo
Que se pensa e que se diz
O que conta é a presença
A companhia
Sobre o fato de a gente estar
E enquanto estiver
Sentir-se feliz
Mas não porque ninguém mandou
Feliz porque quis...e acabou!
Assim o nosso dia acaba
No instante em que a vida versa
Sobre sempre terminar igual
Indiferente às longas conversas
Apesar do sepulcral silêncio"


Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠"Quem ama tem paciência!
Está escrito na Bíblia que Deus ama a Humanidade; mas nem por isso Ele deixa de mandar raios sobre a Terra o tempo todo"


Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Foi vivendo bem rapidamente
O dedo em riste e as mãos em prece
Tem coisa que existe e que nunca acontece
E quando acontece, é prá lá de distante
É chuva que chove muito além desses quintais
Nos jardins as folhas crescem, caem, se vão
Se vão pelos desvãos das mãos em prece
Nos olhos vendados, nos rincões do tempo
Parece até que no final deu tudo certo
O dedo em riste, o medo escondido
O coração deserto, perdido e ainda em segredo
Tão secreto quanto um sonho
Que, quando acontece, é pra lá de distante
Tão longe quanto o minuto passado
Vivido tão rapidamente
Quase tão desconhecido
Quanto uma vontade que passou.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠A gente tenta entender
Tem horas que parece até
Mas a vida, essa é senhora do silêncio
Dona da verdade
Na paz dessa oportunidade de calar ou não
E de novo a gente morre
De novo e de novo e de novo
Morre dessas coisas que te vem do coração
E que te corre sem sangrar
Que te sangra sem que se perceba
Te vai numa oração que também morre
Sem subir aos céus
Oculta atrás de um véu
Na tristeza que outra vez se oculta
Na beleza das palavras por dizer
Que na verdade, elas também são ditas
No segredo da oração que não se escuta
Mortas, mas também bonitas.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Eu tenho um coração tão livre
Que tem horas que sinto
Apesar de não saber voar
Ainda dá tempo de aprender
Pois eu tenho a alma solta
E vem do tempo que eu sonhava
Eu tive um tempo de sonhar
Só não consigo te explicar como é se sentir assim
Saber que o tempo é breve
E eu tenho um coração tão leve
Como num circo de domingo à tarde, cujo ingresso é livre
Mas que é preciso um par de asas para entrar
Porque ele voa ao vento
Voa lento e espera uma notícia boa
Mas há momentos em que ele se fecha
Quem quiser sair, ele deixa
Quem não quer entrar, não precisa
Pois a vida é tão breve; um sopro...uma brisa
Leve como a sensação de liberdade
Que não se sabe que tem e deixa ir num medo que sonhou
Não guardo o peso de nenhum segredo
Nem medo de batalha ou de acordar mais cedo
A vida é um folguedo que passa depressa
Um fogo que se apaga
Eu tenho um coração bem livre e só
Isso é tudo que eu tive.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Não me lembro bem que ano era
Tem bem mais que muito tempo
Era só mais outra primavera
Mas setembro tem o dom dessa saudade
Tinha um sapo que cantava à toa
Sua voz tinha o som de piano ou de sanfona
E tinha a sapa, que valsava
E tinha uma canção, que vinha no vento
O sapo era tão vagabundo
Que esperava a balsa pra ganhar o mundo
E tinha a rã, com cheiro doce, de hortelã
Porém, a sapa era do mês de agosto
A marrafona era mulher sem rosto
E eu ainda era criança
Mas o tempo passa e sempre tem setembro
Trazendo essa saudade, essa lembrança
Uma coisa boa, uma verdade que é so minha
E não me lembro muito bem que ano que era
Nem qual idade que eu tinha.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Como criança
Você lança a pedra pro alto
E ri de alegria incomum
Aquela que só tem quem desconhece
Taca fogo na floresta imaginária
E pula de felicidade e dança
Dança como quem dança na chuva
Chuva cai como uma pedra
Apaga a chama da floresta
Lança pro alto a fumaça
Qual criança, desconhece a direção
Deixa por conta dos ventos que levam palavras
Elas vão como a fumaça
O destino da pedra era o chão
Quem sabe, uma vidraça
Não te cabe a direção dos ventos
Não se sabe a profundeza da lagoa
Onde se lança a pedra a saltitar mil vezes
As águas sempre se evaporam
E as nuvens choram de comum tristeza.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠O inverno vem
E o frio trouxe uma versão profunda
das coisas invisíveis que essa vida tem
Pois, quando a estrada foi florida
Cada qual tinha as mãos dadas
Numa ilusão acompanhada
O inverno vem
E frio traz uma versão vazia em nossas casas
Os velhos bancos de madeira
Há muito se tornaram cinzas
No calor da fogo há companhia
Verdadeira e quase que tão passageira
Quanto as mãos que seguraram velhas mãos
Não tem mais quadros na parede
Não há porque encher os cântaros
O inverno carregou também a sede
Ainda resta alguma coisa
E ela só presta pra queimar
Dentro em bem pouco
Quando anoitecer no quarto morno
Do forno triste desse inverno interminável
Que existe sim, pra todos nós
Dentro de cada um
Esperando apenas pelo escurecer.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Tem um mundo
Lá no coração da gente
Um mundo sempre igual
Só que diferente
Porque lá também tem céu
Só que nunca é o céu presente
É sempre outro, o tempo
E tudo é melhor, eternamente
Mas só dá pra olhar pra ele
Quando o olhar da gente
Como num barco distante
Olha o mar
Quando uma fogueira acesa
Lá no alto da maior montanha
Uma pipa no céu
Que se torna avião
Contorna o mundo
e volta pra um dia qualquer
Nesse dia é de tarde
E a gente se vê
Lá no galho de uma árvore
Porque lá tem quintal também
Só que sempre é diferente, é melhor
Mesmo assim, distante o chão
Ainda que eu voasse
E, lá nesse céu tivesse
O rosto de tanta gente
Que passou pelas nossas vidas
Gente que nos esquece
Porque sempre haveremos de ser esquecidos
Nesse mundo o esquecimento é diferente
E tudo sempre volta
Em formato de brumas
Como um barco na noite
Que passa lá, distante
E você numa montanha
A montanha no quintal
O quintal lá no galho
O galho no céu
Que se torna avião
Que contorna o mundo
E traz você sempre de volta
E quando volta você deixa lá teu rosto
Pra que sempre sejamos lembrados
Em formato de bruma sem nome
Somos todos crianças brincando no mesmo quintal
Se pudéssemos sair pra brincar
Com certeza a gente iria pra lá
Sempre...ou de vez em quando.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠O pássaro foi preso porque ele tem asas.

A tarde vai
Noite cai depressa
Parece que não faz sentido
Vai-se como o pensamento
Uma vontade que, apesar de enorme
Sucumbiu, perante o tempo
Em frente da verdade
Te vejo chegando e pergunto
Meu Deus, o que foi que te trouxe?
Quisera fugir de desejo tão doce
Quem dera se ao menos tão breve não fosse.
Tudo são peças
De todos os quebra-cabeças
Mas a vida é toda feita tardes e manhãs
E tortas de maçãs
Esfriando, nas janelas do passado
Aquelas que, de vez em quando
A gente se recorda
Nunca ouvi falar de orgulho que não perecesse
No mais, tudo se ajeita
A tarde passa depressa
De maneira que foi só desejo
Que se põe pra sempre
Lá no fim da linha
Todo fim de tarde é uma visão perfeita
Onde um mundo de horizontes
Se enfileira bem diante
de todos os olhos do mundo
Quando finda o dia e a luz do sol se aninha
Mas a vida toda, ela consiste
De manhãs e tardes
Onde existe a pressa e o vice-versa
E nuvens que não passam por aqui
Se uma só, triste, passasse
Juro como eu lhe pedia
Que me ensine levitar
Que eu revelo a ela
O peso de pisar em brasas
O pássaro foi preso porque ele tem asas
Os pássaros são livres por estarem presos...às próprias asas
Eis a nossa natureza
Hoje eu olho para o céu, nada se move
Todo dia é todo feito de manhãs e tardes
E janelas a se abrirem pra jardins de flores mortas
Portas, donde agora estamos. Ah, se elas se abrissem!
Tardes passam, sem fazer sentido
Algodões que não se movem, que não chovem, que não nuvens
que não nevam, que não levam nada
Vão vivendo a vida, sem ligar se faz sentido
São borrões no céu, apesar de parecer felizes
Se passassem por aqui
Pedia pelo menos pra que ouvissem meu pedido.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

"⁠O pássaro foi preso porque ele tem asas."

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Há quem se arraste pela vida morta.

Tem dia que amanhece antes de clarear
Coração se despe
e se despede de toda agonia
Pra que nosso espírito se apresse
Ditos se fazem não ditos
Olhos se comprazem olhar a rua
E não tem nada diferente
Coração bate apressado
Segura, d'álma nua as mãos aflitas
Ambos se entreolham
Compreendem, de repente
Quem mudou foi a gente
A vida fica mais bonita assim
Há quem creia isso desimportante
Meu compromisso é comigo
Olhos, almas, mãos, meu peito, abrigo
Há quem queira abreviar o fim
E há quem queira olhar a noite
Saber que o sol se levante
Quero só me despedir do mal que houver em mim
Tem vida que termina igual
Numa esquina de um momento
Um vento frio de agosto
Tem dia que começa igual
Luz do dia vem vazia de algum modo
e nada muda
Não tem sonho bom que nos acuda
Não existe ilusão que, por melhor que seja, iluda
Até que um dia alguma coisa...tudo
Há quem julgue que isso pouco importa
Vai, se arrasta pela vida e arrasta a vida morta
Sem o olhar que lhes convide a perceber
A vida abandonou-lhe um dia
Chão sem céu, sem luz de estrela-guia
Vida voa, vai no vento e corta e volta
Vem, se despe de tanta agonia
Então, depois se apresse
Tem dia que amanhece antes de clarear
Mesmo que pareça tudo igual eternamente
Alguma coisa não amanheceu
Isso torna tudo muito diferente.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva