Meu Sonho e te Conhecer

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Tentei conversar com supremo,
ouvi meu pensamento sereno,
encurvei implorando uma prece,
um sinal que nunca aparece...

"Já dizia Jalison Santos:


Eu não quero ser bom ou considerado; o meu objetivo é trazer sorrisos para as pessoas."

⁠Na tristeza, Deus ajude minha mente;
Na alegria, Deus perpetue meu gozo;
Há apenas um capaz de me compreender inteiramente.

A Caligrafia do Abismo
Nesse mundo de incerteza, sou um poeta.
Meu caderno é a vida escrevendo o tempo,
onde o meu próprio abismo se deita
e se confessa ao papel.
Em linhas tortas escrevo,
procurando a mais perfeita caligrafia.
Mas a perfeição é um espelho quebrado
que nenhum poeta consegue juntar.
Basta-me o verso que foi rascunhado
na urgência febril de não sufocar.
Amanhã o calvário retoma o seu curso,
e a vida me pede outra vez sacrifício.
Não busco o aplauso de nenhum discurso,
só a paz de quem vence o próprio hospício.
—Rodrigues BFK

Solidão e Resistência

Desde que nasci, caminho com a solidão ao meu lado.

Vaguei por estradas em busca daquilo que nunca tive,
sofri em silêncio,
guardando dores que ninguém viu.

Aprendi da forma mais dura
a nunca pedir ajuda.
Para mim, ajuda era sinônimo de fraqueza.

Tentei melhorar,
lutei,
permiti a mim mesmo mudar.
Mas não floresci na primeira tentativa.
Quando falei, me decepcionei.

Ainda assim,
de cada queda eu me levantei.

E entre todas as lições que a vida me deu,
aprendi que o amor que realmente permanece,
o amor que vale a pena cultivar,
é o amor-próprio.

Quando penso em você, nada mais importa. Meu coração se enche de alegria, meu amor por você é puro e verdadeiro. Quando estou com você, fico rindo, só sinto você no meu coração, gosto de você. É a flor mais linda que entrou na minha vida.

"Como sabiamente ironizou meu grande amigo, Agnelo: 'Você não tem coração e nem vasos sanguíneos; você tem um provedor... um provedor com fibras ópticas.' Sob uma perspectiva filosófica, psicológica e científica, a metáfora traduz a seletividade da inteligência emocional. Os homens de caráter e de virtudes adentram o coração e, em sentido figurado, irradiam-se pelos vasos sanguíneos, integrando-se à memória afetiva e aos valores que sustentam a existência. Os desprovidos de nobreza moral, ao contrário, jamais alcançam esse espaço. São apenas recebidos pelo 'provedor' da racionalidade, percorrem as fibras ópticas da percepção como informações transitórias e, tal como dados sem relevância em um sistema de alta eficiência, são imediatamente filtrados e descartados, sem jamais encontrar abrigo no coração."

Eis que faço a minha confissão. Ó meu caro amigo, bem sabes que minha loucura tem asas e não cabe na casa. Escrevo versos contidos, hinos à natureza e ao amor, mas minha mente tem mil voltas e arduamente tento educar minha insanidade que quer gritar obscenidades e clamar pela justiça e a liberdade com sons histéricos e canções insandecidadas de minhas mãos já conhecidadas. Mas tranco minha loucura com grades de ferro e espero que ela morra de inanição. Se eu pudesse falar tudo que eu penso, não restaria pó sobre pó, porque eu sou mais do eu mesma e meu ser não conhece o limite do céu. Escrevo versos educados, mas minha boca quer comer o mundo e regugitar outro planeta. Sim, sou louca, e não posso me ofender com a verdade se meus dedos digitam acorrentados. Não quero assustar o mundo, nem acordar os passarinhos, mas vivo enclausurada em mim mesma, calculando os meus passos e não há margaridas nem begôneas que me contenha. Tenho palavras na boca que não podem ser ditas. Como eu seria livre se eu pudesse me expressar realmente quem sou. Mas não quero que me joguem novamente no calabouço, esse pouco ar que eu respiro me é sagrado e meus poemas são falseados se eu quero extrapolar todos os limites, mas respiro longamente e me limito. Sei que eu nunca poderei ser eu mesma, que a educação sempre calará minha garganta. Mas do amor eu sinto eu não minto, essa é a única verdade dos meus versos cabaleantes, adornados por palavras que desconheço, porque minha sinceridade é do tamanho da minha loucura e seu amor foi a única sanidade que me restou. Não espero ver sua face novamente, bastam-me as lembranças e já tenho metade do céu. Quem ousaria declarar sua insanidade assim tão cruamente? Vivo em uma linha tênue entre a razão e a loucura, mas se te amo há tanto tempo, bem sei que meu amor é verdade e sobrevive heroicamente sobre minha oscilação. Já não me importa mais quem sou, se tristemente vivo o que esperam de mim. E eu queria gritar no sol da tarde até acordar as estrelas e difamar o universo. Morre minha loucura na minha constante educação. E você continua como esperança em forma de canção. Que Deus ouça minha oração.

"Já dizia Jalison Santos:
Me chamar pelo meu nome significa que você não me ama."

Sou estrela antiga, ecoando luzes que já se foram, meu coração queimando em silêncio. Cada fagulha é memória de mundos que jamais verei, cada brilho, um suspiro perdido. No vazio do cosmos, aguardo o instante em que tudo se desfaz, me transformando em poeira estelar, um murmúrio esquecido no infinito.

Em silêncio, imploro. Almejo o que nunca será meu. Talvez o que mais rejeito seja o que tenho de sobra, esse excesso de pensamentos, vagando como sombras num silêncio gritante, me prendendo às noites que não sabem dormir.

No meio do barulho que me cerca, minha alma inquieta chora baixinho, soluçando ao ver meu coração dividido em quatro pedaços.

Meu passado é um espelho cujo reflexo me fere, ainda que eu o quebre, as lembranças de um tempo sombrio permanecerão intactas.

Saber que meu nome repousa no Livro da Salvação me impulsiona a viver com fé ardente e inabalável.

Nunca me coube a sorte de vivências extraordinárias ou feitos que impressionem; se meu diário fosse medido por tais episódios, grande parte de suas páginas repousaria em branco, silenciosa testemunha do ordinário.

Não posso ensinar nada, porque ainda vivo em construção, minhas certezas são andaimes e meu eu, uma casa inacabada.

Elegantemente, vou ignorando tudo e todos, um gesto contido que guarda meu silêncio como quem preserva um relicário.

Quando as lembranças da infância se entranham no meu peito, rasgam-me as entranhas e arrancam minha carne ao ritmo de memórias que não perdoam, tudo o que superei , daquele passado terrível com tanto esforço vira pó, e eu fico a arrastar o cadáver de quem fui.

Eu escrevo para não transbordar, o papel se torna meu confidente, onde meus pensamentos escorrem em rabiscos que carregam todas as minhas cicatrizes invisíveis, que além de mim, ninguém consegue as ver.

O medo ergue grilhões invisíveis, mas meu grito os despedaça, asas que rasgam o céu da dúvida.