Mentiras

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Às vezes, passamos a vida procurando um lugar para pertencer, sem perceber que o verdadeiro endereço sempre foi interno. Há casas enormes onde a alma permanece sem abrigo, e espaços pequenos capazes de acolher uma existência inteira. No fim, lar não é o lugar onde repousa o corpo, mas onde o coração não precisa se defender.

Amizade Verdadeira
Uma vez me disseram que amizade verdadeira é aquela que te aproxima mais perto de Deus, é aquela que te ensina a andar no caminho certo, é aquela que te ajuda, te socorre, puxa tua orelha, briga com você e te ama... Uma vez me contaram que devemos valorizar cada momento perto de uma amiga verdadeira, que devemos agradecer aos céus pela sua existência. Bom, agora que entendi o que me disseram, agora que parei pra pensar em tudo isso, sabe porque? Porque um dia ela vai embora, e um dia ela vai casar, vai ter filhos, vai formar sua própria vida, mas amizade nunca vai acabar.

Dois Oceanos.


Você me disse:
"Se quiser me conhecer de verdade,
não se contente com a minha superfície."


E eu entendi
que havia um oceano
escondido atrás do horizonte
dos seus olhos.


Então você sorriu
e fez um convite ainda mais difícil:


"Se quiser conhecer o meu oceano,
permita que eu conheça o seu.
Mas já adianto:
não vai ser fácil."


Foi nesse instante
que compreendi
que algumas pessoas
não querem ser admiradas.
Querem ser descobertas.


Então abri as portas
do mar que existe em mim.


Disse que,
para conhecer o meu oceano,
seria preciso enfrentar
ondas gigantes,
aceitar o peso
de alguns mergulhos
e permanecer submersa
até encontrar o caminho
de volta.


Você não recuou.


Apenas respondeu:


"Eu não tenho medo do seu oceano.
Sei que existem ondas,
profundezas
e partes difíceis de atravessar."


E, pela primeira vez,
o medo de ser demais
encontrou alguém
que não desejava ir embora.


Foi então que percebi
que talvez
os maiores encontros
não aconteçam
em águas calmas.


Acontecem
quando duas pessoas
escolhem mergulhar
uma na outra,
sem prometer ausência de tempestades,
apenas a coragem
de continuar nadando.


Por isso,
nunca vou me cansar de repetir:


Venha desvendar os meus códigos.


Talvez você seja
a primeira pessoa
que, depois de decifrar
todos os meus mistérios,
escolha ficar.


E, se um dia
você me permitir,
prometo fazer do seu oceano
o lugar onde
até as tempestades
soam como poesia.


Porque, no fim, descobri que oceanos não procuram quem saiba nadar.


Procuram quem tenha coragem de permanecer,
mesmo quando a profundidade assusta.


Talvez esse seja
o verdadeiro significado
de conhecer alguém: não desvendar
todos os seus mistérios; mas escolher voltar, todos os dias, sabendo que sempre existirá
mais um oceano para explorar.


E tudo bem.


Porque algumas pessoas
não foram feitas
para serem decifradas.


Foram feitas
para serem escolhidas,
onda após onda.




- Sereia 💖

Que o corpo diga a verdade
antes que a boca se arrependa.

João 15:1-4

[1] – Eu sou a videira verdadeira, e o meu Pai é o agricultor. [2] Ele corta todo ramo que, estando em mim, não der fruto. E poda todo aquele que der fruto, para que dê mais fruto ainda. [3] Vocês já estão limpos, pela palavra que tenho falado. [4] Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês. Como um ramo não pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na videira, assim vocês também não podem dar fruto se não Bom permanecerem em mim. Dia

Amigos falsos são como sombras...
Somem quando a luz se vai.
Mas quem é verdadeiro permanece,
Mesmo quando o mundo inteiro cai.

O Verdadeiro Escritor.
É Mesmo, Escritor é aquele que não é preciso falar, para se fazer ouvir.

Uma verdade.
O que dizes hoje, amanhã pode estar contra ti.

Há verdades que chegam a tempo de corrigir um erro.
Outras chegam quando já não há erro para corrigir, apenas consequências para compreender.

Procura-se
a verdade:
Mesmo
que esteja
bêbada.⁠

"Quando a verdade depende de um calendário, é o calendário que envelhece, não a verdade."

" Entre o voo do beija-flor e o reflexo do espelho, a delicadeza revela que a verdadeira beleza não se encontra nas flores exteriores, mas naquilo que a alma reconhece e contempla em silêncio. "

"Nenhuma rosa se entrega ao golpe do machado. O amor verdadeiro floresce apenas nas mãos que aprenderam que esperar é a mais profunda forma de cuidar."

GANHAR O MUNDO E PERDER A ALMA: Uma Leitura Espírita Sobre o verdadeiro Sofrimento Humano, a Reencarnação e o Verdadeiro Sentido da Vida.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Entre todas as advertências morais deixadas por Jesus, poucas são tão profundas e perturbadoras quanto esta:
“De que serviria a um homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”
(Mateus 16:26)
Durante séculos, essa frase foi interpretada como uma exortação contra os excessos do materialismo. Contudo, à luz da Doutrina Espírita, ela adquire uma profundidade muito maior. Não se trata apenas de uma crítica à riqueza, ao poder ou à fama. Trata-se de uma reflexão sobre o próprio destino do Espírito imortal.
O homem passa pela Terra apenas por um instante. A alma, porém, atravessa os séculos.
Aquilo que o mundo chama de sucesso nem sempre corresponde ao que o Céu reconhece como progresso.
Enquanto a Terra mede o valor de uma criatura pelo que ela possui, o mundo espiritual a avalia pelo que ela se tornou.
É justamente aí que reside a grande tragédia humana.
Muitos passam a existência inteira conquistando posições, acumulando bens, buscando reconhecimento e aplausos, mas negligenciam a construção do próprio ser. Desenvolvem a inteligência, mas esquecem a consciência. Alimentam o ego, mas deixam a alma faminta.
Quando chega a hora do retorno ao mundo espiritual, descobrem que os títulos ficaram na Terra, os cofres permaneceram fechados, os aplausos silenciaram e apenas a consciência os acompanha.
Foi a isso que Jesus se referiu.
Não à perda da alma em sentido absoluto - pois o Espírito é imperecível - mas ao retardamento de sua evolução e à dor moral produzida pelas escolhas equivocadas.
Os Valores da Terra e os Valores do Céu
A humanidade vive sob duas escalas de valores.
A primeira é transitória.
A segunda é eterna.
Os valores da Terra são aqueles que desaparecem com a morte:
riqueza;
prestígio social;
influência;
aparência física;
poder político;
reconhecimento público.
Não são maus em si mesmos.
O Espiritismo jamais condenou a prosperidade material.
Allan Kardec esclarece que o problema não está na posse dos bens, mas no apego a eles.
A riqueza é prova difícil porque oferece ao homem inúmeras oportunidades de desenvolver orgulho, egoísmo e vaidade.
Os valores do Céu, ao contrário, permanecem além do túmulo:
amor;
caridade;
humildade;
resignação;
conhecimento moral;
fraternidade;
capacidade de servir.
São esses os tesouros que Jesus recomendava acumular.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Kardec recorda que os bens terrestres pertencem apenas temporariamente ao homem. Os bens da alma, entretanto, constituem patrimônio eterno.
Por isso, um pobre pode ser espiritualmente rico, enquanto um milionário pode apresentar-se diante da espiritualidade como um mendigo moral.
A Dor da Alma e o Sofrimento Humano
A maioria das pessoas acredita que sofre apenas por causas presentes.
Perda de emprego.
Doença.
Separação.
Fracassos.
Luto.
Injustiças.
Contudo, a Doutrina Espírita ensina que o sofrimento possui raízes mais profundas.
Em muitos casos, a dor atual é apenas o reflexo de causas anteriores.
Não apenas desta existência, mas de vidas passadas.
Quando observamos o mundo sob a ótica de uma única encarnação, encontramos aparentes injustiças por toda parte.
Por que uma criança nasce cega?
Por que alguém enfrenta extrema pobreza enquanto outro desfruta abundância?
Por que pessoas bondosas sofrem tanto?
Por que indivíduos perversos parecem prosperar?
Sem a reencarnação, essas perguntas permanecem sem resposta.
Com ela, surge uma lógica moral universal.
As Causas Atuais e as Causas Pretéritas
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo V, Kardec distingue claramente duas origens para os sofrimentos humanos:
Causas atuais
São consequências diretas das ações da presente existência.
O indivíduo colhe aquilo que semeou.
Excessos geram enfermidades.
Orgulho produz conflitos.
Egoísmo gera solidão.
Imprudência traz prejuízos.
Nesse caso, o sofrimento funciona como resultado natural dos próprios atos.
Não é castigo.
É consequência.
Causas pretéritas
Existem dores cuja origem não pode ser encontrada na vida atual.
São provas ou expiações relacionadas ao passado espiritual.
O Espírito renasce trazendo consigo tendências, débitos morais e necessidades educativas.
A reencarnação não é punição.
É oportunidade.
Cada existência representa uma nova chance de corrigir erros e desenvolver virtudes.
Assim, muitas das dificuldades aparentemente inexplicáveis encontram sentido dentro da continuidade da vida.
Como ensina Kardec em A Gênese, capítulo XVII, a lei da reencarnação é a chave que permite compreender inúmeras passagens do Evangelho que, sem ela, pareceriam contraditórias.
A Questão 222 de O Livro dos Espíritos
Na questão 222 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec investiga a situação dos Espíritos após a morte e antes de nova encarnação.
Os Espíritos explicam que, nesse intervalo, o ser revê sua caminhada, avalia seus progressos e compreende suas necessidades futuras.
É nesse estado que percebe com clareza aquilo que, durante a encarnação, muitas vezes ignorava.
A alma enxerga então o valor real das coisas.
Aquilo que parecia enorme na Terra revela-se insignificante.
Aquilo que era desprezado mostra-se essencial.
Muitos Espíritos lamentam oportunidades perdidas.
Outros reconhecem que trocaram conquistas eternas por satisfações momentâneas.
É a realização tardia da advertência de Jesus:
Ganharam o mundo.
Mas negligenciaram a própria transformação moral.
Por Que Sofremos Diante da Vida?
O sofrimento não existe porque Deus seja injusto.
Nem porque tenha abandonado suas criaturas.
O sofrimento é instrumento de educação espiritual.
Kardec afirma que a dor é uma das grandes alavancas do progresso.
Enquanto o prazer frequentemente adormece a consciência, a dor desperta reflexões profundas.
As grandes perguntas da existência quase sempre nascem das lágrimas.
O sofrimento obriga o homem a olhar para dentro.
Convida-o a examinar seus valores.
Questiona suas prioridades.
Desfaz ilusões.
Revela fragilidades.
Mostra a transitoriedade das coisas materiais.
Em muitos casos, aquilo que chamamos desgraça é apenas uma etapa necessária do crescimento espiritual.
Sob a perspectiva terrestre, vemos perdas.
Sob a perspectiva espiritual, muitas vezes existem libertações.
O Segundo Advento do Cristo e a Renovação da Humanidade
Em A Gênese, capítulo XVII, Kardec analisa as palavras de Jesus sobre sua volta.
O Mestre não prometeu necessariamente um retorno corporal.
Anunciou a vinda de uma nova compreensão de sua mensagem.
Segundo a interpretação espírita, essa promessa se concretiza através do Consolador Prometido, identificado com a Doutrina Espírita.
O Cristo retorna não em um corpo físico, mas na restauração de seus ensinamentos.
A reencarnação, a comunicabilidade dos Espíritos e a lei de causa e efeito oferecem uma compreensão mais ampla da Justiça Divina.
Assim, a humanidade é convidada a abandonar a visão limitada de uma única existência e compreender sua verdadeira condição de Espírito imortal.
Ganhar o Mundo ou Ganhar a Si Mesmo?
Talvez a pergunta de Jesus pudesse ser formulada hoje de outra maneira:
De que adianta possuir tudo aquilo que o mundo admira se a consciência permanece inquieta?
De que vale a fama se não existe paz interior?
De que serve o poder se o coração continua vazio?
De que adianta conquistar impérios externos enquanto o mundo íntimo permanece em ruínas?
A Doutrina Espírita ensina que a finalidade da existência não é enriquecer, nem tornar-se famoso, nem acumular títulos.
O objetivo fundamental da vida é a evolução do Espírito.
Tudo o mais é instrumento.
Tudo o mais é transitório.
Quando o túmulo se fecha sobre o corpo, inicia-se a verdadeira avaliação da existência.
Não somos julgados por Deus como um soberano julgaria seus súditos.
Somos julgados pela própria consciência iluminada pela verdade.
Nesse momento, cada Espírito percebe exatamente o que fez de si mesmo.
E compreende que o verdadeiro patrimônio adquirido durante a jornada não eram os bens que acumulou, mas as virtudes que desenvolveu.
Por isso, a advertência de Jesus permanece tão atual quanto há dois mil anos:
Ganhar o mundo pode impressionar os homens.
Mas somente ganhar a si mesmo conduz à felicidade duradoura.
Fontes:
O Livro dos Espíritos.
O Evangelho Segundo o Espiritismo.
A Gênese.
Evangelho de Mateus 16:26–28.
Evangelho de Marcos 8:36 -
14:60–63 (correspondente ao trecho citado sobre o Sinédrio).

AFASTAR OS MAUS ESPÍRITOS.
A Verdadeira Defesa Não Está nas Fórmulas, Mas na Reforma do Espírito.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro
Desde os tempos mais remotos, a humanidade procurou defender-se das influências invisíveis por meio de ritos, amuletos, sinais exteriores, fórmulas sagradas e palavras consideradas poderosas. Em todas as civilizações surgiram práticas destinadas a afastar entidades maléficas, expulsar forças obscuras ou proteger os indivíduos contra aquilo que não podiam compreender.
Entretanto, quando Allan Kardec investigou metodicamente os fenômenos espíritas, submetendo-os ao crivo da observação, da experiência e da razão, chegou a uma conclusão revolucionária para seu tempo e ainda profundamente atual: nenhuma fórmula exterior possui poder intrínseco para afastar os maus Espíritos se não houver transformação moral daquele que busca proteção.
O problema da influência espiritual não se resolve por mecanismos mágicos. Resolve-se pela renovação íntima.
Essa afirmação desloca completamente o centro da questão.
A verdadeira batalha não ocorre fora de nós.
Ela acontece dentro de nós.
É na consciência que se decide quais influências encontrarão abrigo.
É no coração que se define quais Espíritos encontrarão sintonia.
É no pensamento que se estabelece a ponte entre o homem e o mundo invisível.
O Grande Equívoco das Fórmulas de Proteção
Desde o surgimento das manifestações espíritas modernas, muitos acreditavam ser possível obrigar um Espírito a dizer a verdade mediante juramentos solenes.
Imaginava-se que bastaria fazê-lo declarar-se em nome de Deus, de Jesus ou de algum santo venerado para que toda possibilidade de engano desaparecesse.
Kardec demonstrou a fragilidade dessa crença.
Os Espíritos inferiores não possuem necessariamente os mesmos escrúpulos morais dos homens honestos.
Se alguns hesitam diante da mentira, outros mentem sem constrangimento.
Se alguns respeitam nomes sagrados, outros os utilizam como instrumentos de mistificação.
Por isso, um Espírito enganador pode jurar, prometer, assinar nomes veneráveis e apresentar-se sob identidades ilustres sem que isso modifique sua verdadeira condição moral.
A fraude espiritual funciona exatamente como a fraude humana.
Um falsário continua sendo falsário mesmo quando assina documentos.
Um impostor continua sendo impostor mesmo quando veste roupas respeitáveis.
Da mesma forma, um Espírito mistificador continua sendo mistificador ainda que invoque os nomes mais santos.
A autenticidade não se encontra na assinatura.
Está no conteúdo.
Não está na aparência.
Está na essência.
Não está na forma.
Está na substância moral da mensagem.
O Mundo Invisível É a Continuação da Humanidade.
Uma das mais extraordinárias contribuições do Espiritismo consiste em desfazer a falsa imagem de um mundo espiritual composto apenas por seres perfeitos.
Os Espíritos não formam uma raça separada da humanidade.
São a própria humanidade desencarnada.
São homens, mulheres, jovens, idosos, sábios e ignorantes que sobreviveram à morte física.
Por isso, o plano espiritual reproduz a diversidade moral observada na Terra.
Há Espíritos virtuosos.
Há Espíritos egoístas.
Há Espíritos benevolentes.
Há Espíritos vingativos.
Há Espíritos esclarecidos.
Há Espíritos profundamente ignorantes.
O desencarne não opera milagres morais.
A morte transforma o estado do ser, mas não modifica instantaneamente seu caráter.
O orgulhoso continua orgulhoso.
O egoísta continua egoísta.
O vaidoso continua vaidoso.
O homem leva consigo aquilo que construiu em si mesmo.
Por essa razão, a influência espiritual sempre existiu.
Ela não começou com o Espiritismo.
Não depende das reuniões mediúnicas.
Não depende sequer da consciência que temos dela.
O intercâmbio entre encarnados e desencarnados é uma lei permanente da vida.
A mediunidade apenas tornou visível aquilo que sempre esteve presente.
A Lei de Afinidade Moral
Entre todos os princípios apresentados por Kardec, talvez nenhum seja tão importante quanto a lei da afinidade moral.
Os Espíritos aproximam-se daqueles com quem possuem sintonia.
Semelhante atrai semelhante.
Não por imposição.
Mas por afinidade vibratória e psicológica.
O orgulho encontra eco no orgulho.
A vaidade encontra eco na vaidade.
A ambição encontra eco na ambição.
O ressentimento encontra eco no ressentimento.
Os maus Espíritos não criam nossas imperfeições.
Eles exploram aquelas que já existem.
No prefácio da prece "Para Afastar os Maus Espíritos", Kardec apresenta uma comparação memorável:
"Os Espíritos maus descobrem as chagas da alma, como as moscas descobrem as do corpo."
A imagem é profundamente reveladora.
As moscas não produzem a ferida.
Elas são atraídas por ela.
Da mesma forma, os Espíritos inferiores não criam necessariamente as nossas fraquezas.
Eles se aproximam delas.
Encontram nelas campo favorável para exercer influência.
Por isso Kardec afirma que não basta pedir que os maus Espíritos se retirem.
É necessário eliminar aquilo que os atrai.
A Verdadeira Natureza da Obsessão
A obsessão raramente começa de maneira violenta.
Ela quase sempre se inicia através da sedução.
O Espírito inferior aproxima-se gradualmente.
Primeiro inspira confiança.
Depois oferece elogios.
Em seguida alimenta vaidades ocultas.
Exalta capacidades.
Promete missões grandiosas.
Estimula sentimentos de excepcionalidade.
Pouco a pouco a vítima passa a acreditar que possui privilégios espirituais especiais.
Neste momento instala-se uma das formas mais perigosas de obsessão: a fascinação.
A pessoa deixa de analisar.
Deixa de questionar.
Deixa de comparar.
Passa a aceitar cegamente tudo aquilo que recebe.
A razão cede lugar ao encantamento.
O senso crítico é substituído pela exaltação.
O indivíduo imagina estar sendo guiado por Espíritos superiores quando, muitas vezes, está apenas sendo conduzido por inteligências astutas que exploram suas fragilidades emocionais.
Por isso Kardec advertia constantemente:
Os Espíritos superiores nunca exigem submissão cega.
Eles esclarecem.
Orientam.
Aconselham.
Mas respeitam a liberdade humana.
Já os Espíritos inferiores tendem a impor, dominar e controlar.
A Armadilha da Adulação
Entre todas as armas da mistificação espiritual, poucas são tão eficazes quanto a lisonja.
O orgulho raramente resiste ao elogio constante.
O mistificador espiritual sabe disso.
Ele proclama o médium como escolhido.
Afirma que possui missão única.
Declara que foi separado por Deus para revelar verdades desconhecidas.
Promete glória espiritual.
Promete reconhecimento.
Promete superioridade.
Quando o indivíduo aceita essas sugestões sem exame, começa a afastar-se da humildade.
E quando a humildade desaparece, abre-se uma das maiores portas para a influência obsessiva.
A adulação é perigosa porque anestesia a vigilância.
O orgulho transforma-se numa cegueira espiritual.
E a cegueira torna impossível reconhecer o engano.
O Método Espírita de Defesa
Diante desse cenário, Kardec apresenta um método simples e extraordinariamente racional.
Não há mistério.
Não há segredo oculto.
Não há ritual.
A defesa repousa sobre três pilares fundamentais:
Observação.
Discernimento.
Razão.
São Luís sintetiza essa orientação numa recomendação imortal:
"Pesai e refleti."
Toda comunicação deve ser examinada.
Toda revelação deve ser confrontada com a lógica.
Toda afirmação deve ser submetida ao crivo do bom senso.
A verdade não teme investigação.
Os Espíritos superiores jamais se ofendem com perguntas sinceras.
Quem teme o exame geralmente teme a descoberta.
O Critério Supremo: A Linguagem dos Espíritos
Kardec ensina que o caráter dos Espíritos revela-se principalmente através da linguagem.
Nenhuma máscara permanece eternamente intacta.
Mais cedo ou mais tarde o pensamento íntimo manifesta-se.
Os bons Espíritos apresentam linguagem:
Simples;
Serena;
Modesta;
Coerente;
Elevada;
Benevolente;
Profundamente racional.
Os Espíritos inferiores revelam-se por:
Exageros;
Contradições;
Presunção;
Orgulho;
Fanatismo;
Intolerância;
Autoritarismo.
Enquanto os bons Espíritos esclarecem, os maus procuram impressionar.
Enquanto os bons convencem pela razão, os maus tentam dominar pelo fascínio.
Enquanto os bons inspiram liberdade, os maus estimulam dependência.
A Prece Como Instrumento de Elevação
O Evangelho Segundo o Espiritismo não apresenta a prece como um encantamento destinado a expulsar Espíritos.
Sua função é muito mais profunda.
A oração sincera modifica o estado moral daquele que ora.
Eleva o pensamento.
Fortalece a vontade.
Favorece a ligação com os benfeitores espirituais.
A famosa prece proposta por Kardec encerra uma lição extraordinária.
Observe que ela não pede apenas o afastamento dos maus Espíritos.
Pede também:
"Preservai-me do orgulho e da presunção, afastai do meu coração o ciúme, o ódio, a malevolência e todos os sentimentos contrários à caridade, que são outras tantas portas abertas aos Espíritos maus."
Aqui está o núcleo da questão.
A proteção verdadeira não consiste em expulsar Espíritos.
Consiste em fechar as portas pelas quais eles entram.
E essas portas não estão nas casas.
Não estão nos objetos.
Não estão nos ambientes.
Estão nos sentimentos.
A Reforma Íntima Como Defesa Suprema
O ensinamento final de Kardec é de uma profundidade admirável.
A obsessão não é vencida apenas por intervenções externas.
Ela é vencida principalmente pela transformação moral.
Quanto mais a criatura desenvolve humildade, paciência, indulgência, caridade e equilíbrio, menos pontos de apoio encontra a influência inferior.
Os Espíritos maus podem aproximar-se.
Podem tentar influenciar.
Podem sugerir.
Mas não conseguem dominar uma consciência vigilante e moralmente fortalecida.
A verdadeira proteção espiritual não é um amuleto.
Não é um símbolo.
Não é uma fórmula decorada.
É a conquista diária do bem.
É o esforço constante de aperfeiçoamento.
É a vigilância sobre os próprios pensamentos.
É a prática da caridade.
É a humildade diante da vida.
Por isso, à luz do Espiritismo, afastar os maus Espíritos significa, antes de tudo, afastar de nós mesmos aquilo que lhes serve de abrigo.
Quando o coração se ilumina, as sombras perdem naturalmente o seu domínio.
E quando a alma se aproxima do bem, encontra nos bons Espíritos não apenas proteção, mas companheiros de jornada rumo à sua própria elevação.
Fontes:
O Livro dos Médiuns – Segunda Parte, capítulos sobre a identidade dos Espíritos, mistificações e obsessão.
O Evangelho Segundo o Espiritismo – Capítulo XXVIII, Preces Espíritas, item II – Para Afastar os Maus Espíritos.
Allan Kardec.
Evangelho de Mateus, capítulo XXIII, versículos 25 a 28.
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" Às vezes, uma única lágrima contém mais verdade sobre uma vida inteira do que todas as palavras pronunciadas. "

"A vida não se mede pelos anos que atravessamos, mas pelas verdades que descobrimos enquanto caminhamos."

"Não te preocupes com a ingratidão dos teus filhos. O amor verdadeiro não exige recompensa; continua sendo luz, mesmo quando aqueles que a recebem ainda não aprenderam a enxergá-la."

EFETIVA RESIGNAÇÃO.
"A verdadeira resignação não escraviza; nela reside uma força desconhecida que conduz o ser humano ao domínio de si e à autêntica liberdade."

Viver é amar
Mas amar a quê?
Amar a verdade
Não somente
O conhecimento da verdade
Amar a verdade sobre você
E ter a consciência leve
Compreenda que nem tudo é permitido
A maior verdade da vida
É que a vida é muito breve
Amar ao silêncio
Ouvir a voz do vento entre as folhas
O suave movimento
da aranha que tece a teia
Amar ao emaranhado
da história da sua vida
Enquanto vai sendo tecida
Amar a solidão
Que te faz amar a cada companhia
Amar a luz e a escuridão
Pois cada coisa tem tempo e lugar
Amar ao amor de Deus
Pois só assim se pode ouvir a Deus
Na luz
Na solidão
Na teia que foi tecida
Amar ao tempo que passou
E aprender a não mais lamentar-se
Amar a paz
Aguardar com serenidade
A surpresa que haverá
Ela vem na certeza que há
de um dia, um desenlace
Feliz ou não
Eis aqui toda a importância
de saber amar
A essa vida que não nos pertence
E que há de se apagar como uma vela
Pois um dia
Todo mundo vai ter que prestar as contas
Sobre ela.

Edson Ricardo Paiva.