Mensagens Profundas
Eu sonho em um dia
Ser e poder ser quem eu sou
E não apenas este
Que o Mundo me obriga a ser
Por menos que eu queira
Me obrigam a interpretar
e não me permitem viver
Eu tenho hora pra sorrir
e não posso conversar com qualquer um
Eu tenho hora pra dormir
Eu tenho hora pra falar
Eu não posso
Não me permitem amar a quem me odeia
E eu sou obrigado a amar
Quem me despreza
Eu tenho hora pra passar fome
Mesmo que eu nunca reclame da comida
Eu sou obrigado a viver esta vida
todo dia
Eu tenho que vestir o que eles mandam
Eu tenho que gostar do que eles gostam
Eu tenho que sonhar o que eles querem
Se eu gostar
Preciso gostar em segredo
Não posso apontar nenhum dedo
e dizer
Que era esta que eu queria
E não há nada que eu possa fazer
Além de sonhar escondido
Com um dia, que eu sei
Não vai haver.
A noite não passou
de um pensamento
Flutuou
qual aos sonhos sonhados
Ponho então
o concreto e o abstrato
Lado a lado
Eu vivi assim devido aos sonhos
ou sonhei assim devido à vida ?
E meu dia já começa
Repleto de perguntas
Não posso mais deixá-las
Todas juntas
Não há calma e nem há pressa
Não há em minh'alma
Nem mesmo a promessa
de que haverá,
em alguma manhã dessas
resposta convincente
Saio à rua e vou viver meu dia
Se não há como saber
Não hei de viver somente
dessa vontade inquietante
de querer saber
Hei apenas de viver como quem gosta
de ler e escrever poesia.
"Quando a alma se despedaça, os seres da criação não se preocupam mais com o corpo."
Edson Ricardo Paiva
Eu procuro sempre segurar os meus sonhos nas mãos, se as mãos estiverem ocupadas eu os ponho nos bolsos, quando tenho sono eu os guardo embaixo do travesseiro, quando eu acordo, eles fugiram. Talvez eu os tenha sonhado...
Sob as pedras
Que existem
Nos mais profundos recônditos
das Florestas
Existe vida
A vida também floresce
Nas mais profundas
e também nas rasas
Frestas
Da maior rocha
Que na Terra existe
A vida existe no calor da tocha
e o Fogo do Sol
Produz a vida
A vida é a energia
nos elétrons
e também nos prótons
de tudo que existe
Sob a batuta dos neutrons
Que a tudo equilibra
Nisto consiste
Tudo
Exceto a intolerância
e a ausência de perdão
Nelas
Co-existe a morte
de sorte
Que há sempre um porém:
Após a morte
Existe vida também
Um dia a gente pensa
Pensa sinceramente
Pensa com a mais profunda
pureza do coração
Pensa em desistir de tudo isso
E quem pensa assim
Pensa por sentir-se só
Mas nunca está só
Está comigo
Pois eu quase desisto
Constantemente
Mas então a gente pensa de novo
E faz de conta
Que está tudo bem
E mesmo não estando
A gente mente
A melhor mentira que existe
é aquela que convence o mentiroso
E se ela não convencer
A gente insiste
O gostoso nesta vida
é viver mais um dia
Viver de verdade
Mesmo que seja
Uma verdade de mentira
A capacidade
de aplacar a própria ira
é que um dia irá
Fazer com que a gente
deixe pra este mundo
pelo menos
Um pouco de saudade
Eles eram somente duas pessoas
Que não se conheciam
Duas almas boas e distantes
Muito diferentes
A encontrar semelhanças entre si
A cada instante que passava
Ele amava ficar em casa
E ela, adorava sair
Mas gostavam dos mesmos assuntos
Ele era sempre meio elétrico
E um tanto desengonçado
Ela se movia sempre meio lenta
E primava pela métrica
Mas pra cada coisa
que não combinasse
Havia outras duzentas
Que os unia
E aquilo tudo, na verdade
se traduzia em uma imensa vontade
de se ver sempre e todo dia
Ela era um tanto moderna
Ele era por demais quadrado
Mas um morria de saudade
Sempre que o outro
ia embora
e quando um ia chegar
O outro esperava lá fora
Quando a vida une algo assim
nasce um amor que não tem fim
Assim era o amor deles
daqueles, que pra desunir
demora.
Abaixo do Sol
depois de outra noite
sem sonhos
Tanta gente acorda
E se propõe a sonhar
Portanto se lavantam
E se põe a correr devagar
Por uma estrada acidentada
Que a bem da verdade
Ninguém sabe onde ela conduz
Talvez não leve a nada
Inconscientemente acordados
Fazem um acordo consigo
Abaixo do Sol
Muitos sonhos amansam
Tristonhos
Se lançam à vida
Numa dúvida doída
A única certeza
é que as folhas caem
após o outono
Mas os sonhos não descansam
Talvez seja por isso
Que em certas noites
Eles não vem durante o sono.
Acordo cedo
E guardo os meus sonhos
Eu os escondo pra mim
Talvez seja medo
Que aconteçam ou não
Abaixo da linha do Sol
A vista alcança por demais distante
Mas eu tenho que admitir
Que a gente não consegue
distingüir com clareza
Entre duas belezas pulsantes
diante dos nossos olhos
O dia passa e novamente a gente falha
Durmo tarde
Abaixo da linha da Lua
Me pergunto
Quantas Luas serão necessárias
Quantos Sóis terão a necessidade
de clarear os meus caminhos
Quantos anos ainda viveremos
Tão perto e tão sozinhos
Quantos desertos atravessaremos
e quantos sonhos guardaremos
pra nós mesmos
Antes de viver
A ilusória realidade
Que bate à nossa porta todo dia
E nos convida a conhecer aquele lugar
Acima da linha dos sonhos
Iluminada pelos faróis
Pelas Luas
e pelos Sóis despercebidos
Que trazemos todos
dentro de nós
Poema do amor impossível
Quisera fosses sonho, pra sonhar-te
Literalmente doce, devorar-te
Se fosses um poema, declamar-te
Talvez fosses problema, resolver-te
Quisera fosses morte, pra morrer-te
Se feita pro consumo, consumir-te
E se eu te visse triste, divertir-te
Mas eu existo apenas pra querer-te
Quisera fosses fumo, incinerar-te
E se você sumisse, procurar-te
Quem sabe então; eu nunca te encontrasse
E Deus me desse a sorte de esquecer-te
Bailarina aparece-me em sonhos
flutuando me mostra sua dança
vem dançar cá, na palma da mão
eu não sei como e se cansa
de trazer-me esta curta alegria
vem fazer rir meus olhos tristonhos
anuncia a chegada do dia
mais um dia a viver de saudade
eu queria poder te dizer
é tão linda esta nossa amizade
alivia a pena de existir
bailarina, porque tens que ir?
eu te espero outro dia surgir
passa a vida, não passa tua idade
vem menina, vem me fazer rir
hei te te esperar na noite que anteceda
o dia da hora de partir
pra um lugar que não tenha mais nada
nada além de um sorriso de fada
Eu sou sua alma sagrada
Em outra pessoa encarnada
Imagino-te vazia
Sem poder dividir comigo
Uma vida de alegria
Se minha vida ao seu lado fosse
Eu seria o senhor das batalhas
Vencedor da guerra fria
Marido da Imperatriz
Enfim,eu seria feliz
Simplesmente todo dia
E tudo por ti faria
Se eu pudesse te ver face a face
Ou, quem sabe,você se lembrasse
De algo que o tempo apagou
Que existiu por alguém que pensou
Em poder alegrar o seu dia
Enquanto você dormia
Por mais que leves sonhos
um dia chumbem
diante de tantos olhos
que um dia os viram
flutuar livres no espaço
por mais que o coração
fique aos pedaços
por desconhecer qual a razão
que todo tempo tem
de num determinado ciclo
a triste obrigação
de romper laços
mesmo assim
você vai encontrar
vontades que jamais sucumbem
por mais que o tempo tente
insistente
duros qual diamantes
longe anos e oceanos
contrariando todos os planos
que por mais que tenham sido
apenas breves
e por mais que parecessem
serem leves
quando existe e prospera
aquilo que se chama amor
não pode haver quimera
a implantar o dissabor
neste momento impera a vontade
não havendo vento frio
a apagar a chama
daquele coração que arde
e o medo da distância
e de se ver distantes
vem galvanizar os laços
com o mesmo frescor
de anos antes.
Minh'alma anda pesada
de tristeza
dentro de um tempo
e de um lugar
aonde se encontra
temporária, porém
irremediavelmente
presa
condenada a viver
e conviver
e envelhecer
entre os Homens
Até que isto pode
parecer
Não ser assim;
tão mal
pois vou aqui vivendo
entre risos
e sorrisos
risos são estimulados
risos ocorrem
quando ocorre
Algo que seja bom
mas o sorriso
exprime felicidade
da alma feliz
feliz de verdade
os risos viriam
ao meu rosto
se eu pudesse te vir
Sorrir
Teu sorriso
indeciso e impreciso
me parece tão somente
um riso
mesmo assim,
preciso vê-lo
preciso às vezes
acariciar
os seus cabelos
pra continuar
vivendo neste Mundo
e suportar
de forma decidida
a missão de viver
e fazer valer
a minha vida.
Hoje eu acordei sem saber ao certo
Se eu pertenço mesmo a este mundo
Ou fazia parte de um sonho
do qual fugi, do qual eu desertei
Recordando a mim mesmo,
nos últimos anos
ficou ainda mais difícil saber
Se estava certo
se aquela sensação
era somente um triste engano
Abro a caixa do correio
Nenhuma mensagem
Saio à rua e me sinto
Como se eu fosse apenas
Um despercebido pedaço da paisagem
Em casa, há tempos sou um móvel
Um quadro na parede
Patética imagem imóvel
Minhas mensagens poéticas
Carecem de estética, de forma, justeza
Minha vida, há muito tempo
vou vivendo sem certeza
Mesmo os sonhos mais sem lógica
Como mágica me fazem sentir
Como se eu fizesse parte
daquele mundo distante aonde vou
sempre que a inconsciencia vem buscar
e parece me dizer
Não acorde, filho
fique aqui com a gente
pois aqui é teu lugar
Tua ausência fere
E a alma canta
é tanta essa saudade
Que me fere, que me invade
O tempo que a tudo cura
Me procura pra dizer
Que essa saudade
Não tem cura
Eu tenho que pensar
Em outras coisas
Então eu tento inutilmente
Mas a mente pinta
Tua cara na parede
Teus olhos
A brilhar na noite
Não me veem
Enquanto estrelas lá no Céu
vão me seguindo
Por mais
Que não me enxerguem
Eu as vejo
Atrás das nuvens
A tua ausência
e existência
Me perseguem
A vida vai passando
Assim, depressa
Enquanto o tempo
escoa lentamente
Minh'alma à toa
Não se cura
E a dura dor
No dia claro
Torna a vida
muito escura
Eu tento mentalmente
Imaginar-te
Num futuro inexistente
E enquanto a tarde vai passando
Gotas da chuva que não cai
Vão brilhando aqui pertinho
Teu nome insiste
Em minha vida
e meu caminho.
Vida
Mera ilusão
Esperança perdida
Sonho que não se realiza
Onde a ilusão mais precisa
Está na mente daqueles
Que se veem realizados
Reles miseráveis
Pobres coitados
Orgulhosos, por ter vivido
uma horrenda vida suja
Cofres abarrotados
de metais,
que o tempo enferruja
A noite abraça o Mundo
Imundos seres
sob holofotes
Gente de alma vendida
Seres da escuridão
Montados em seus Cavalos
Estão chegando
E seus olhos piscam mil vezes
Por não crer
Que vieram buscá-lo
Teu reino
De orgulho e Ira
Cessa com muito barulho
Vem à tona tuas mentiras
Subiste a escada
sem pensar em ninguém
e nem em nada
Que os anjos digam Amém
Está em andamento
a luta do mal contra o bem
Bem diante das suas vistas
só os alheios e alienados
não veem.
O aço nasceu do papel
Os séculos, de Seis dias
As mais profundas raízes
Na Terra entranhadas
Viajaram em forma de Luz
Através de distantes Estradas
Experimentando
complexos processos
E hoje não dizem nada
Àqueles que são apenas
Distantes e indiferentes
Às Leis
Às divinas Leis
Imutáveis e Inexoráveis
Incríveis, insensíveis
Incorruptíveis Leis
Que regem a mim
a você
Ao Universo
A angústia que hoje abala
O coração que tudo sabe
E nada fala
Nasceu em momentos felizes
Tão felizes
Que chegavam
A fazer-te rir
De certos deslizes
Que trazem hoje ao coração
Um aperto
Consequente
Do acerto necessário
Para casos deploráveis
Sujeitos às Leis
Imutáveis e inexoráveis
Cuja consequência
Por pior e mais injusta que pareça
Compara-se às raízes ocultas
Insofismáveis medidas justas
Que atingem na justa medida
Mas que podem tão somente
Ser compreendidas
Por aqueles que não se mantém
Distantes e indiferentes.
Eu tive um pensamento
Um sonho ou algo assim
Lá num canto da cabeça
Eu achei por um momento
Que nesta Estrada
Estrada que não tem fim
A gente precisa, sim
Caminhar para algum lado
Lado certo ou lado errado
Sempre juntos
Porém, separados
Pensamento talvez
Arcaico
Pouco preciso
Precioso
Pensamento talvez
divino, talvez laico
Que surge às vezes
intensos
Às vezes brando
Sempre surgem
Ou surgem de vez em quando
Eu tive um pensamento
Num cantinho da cabeça
Ou sonhei
Com a intensidade da alma
Alma que não se acalma
Alma singela
Que me diz coisas tão belas
Alma grande, talvez miuda
Alma tudo
Exceto muda.
Faz alguns anos
Que, com a ajuda de Deus
Tornei minh'alma
Uma peneira de tristeza
Os fracassos me atingem
Qual a todos no Mundo afligem
Talvez estivesse nos planos
De quem transformou-me em brinquedo
Excetuando-se os grandes, então
Dos pequenos fracassos
Esvaiu-se todo medo
Passando pelas mãos
Que acompanham-me a alma
Vou transformando
Em palavras de calma
Todo mal que me alcança
Já não faz tanto mal
Não faz não
Eu os uso
Como pura inspiração
Sublimando assim
aquilo que eu não queria
Eu transformo em poemas
Alguns de meus problemas
A ausência de alegria
Transformei em poesia
E como eles vêm
Todo dia
As coisas iníquas
Se tornam profíquas
No dia em que não tem
E dá vontade de escrever
Eu busco então as longinquas
que um dia foram mágoa
E então elas deságuam
Num pedaço de papel
De acordo com a inspiração
Que um dia me veio do Céu.
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