Mensagens para um Amigo Perfeito

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⁠Quando nem sequer a música é capaz de salvar-nos, um punhal brilha em nossos olhos; nada mais nos sustenta, a não ser a fascinação do crime.

Emil Cioran
Silogismos da amargura. Rio de Janeiro: Rocco, 2011.

⁠Todas as calamidades – revoluções, guerras, perseguições – provêm de um equívoco inscrito sobre uma bandeira.

Emil Cioran
Silogismos da amargura. Rio de Janeiro: Rocco, 2011.

⁠Minha avidez de agonias me fez morrer tantas vezes que me parece indecente abusar ainda de um cadáver do qual já não posso extrair nada.

Emil Cioran
Silogismos da amargura. Rio de Janeiro: Rocco, 2011.

⁠Um doente me dizia: “Para que sofro minhas dores se não sou poeta para vangloriar-me ou servir-me delas?”

Emil Cioran
Silogismos da amargura. Rio de Janeiro: Rocco, 2011.

⁠Cada um com sua loucura: a minha foi julgar-me normal, perigosamente normal. E como me parecia que os outros estavam loucos, acabei ficando com medo, medo deles e, o que é pior, medo de mim mesmo.

Emil Cioran
Silogismos da amargura. Rio de Janeiro: Rocco, 2011.

⁠O homem, no íntimo, é um animal selvagem, uma fera. Só o conhecemos domesticado, domado, nesse estado que se chama civilização, por isso recuamos assustados ante as explosões acidentais do seu temperamento.

Arthur Schopenhauer
As dores do mundo. São Paulo: Edipro, 2019.

⁠Se encontrarmos em alguém um grande valor real, devemos esconder-lhe a nossa descoberta como se fosse um crime.

Arthur Schopenhauer
As dores do mundo. São Paulo: Edipro, 2019.

⁠O Brasil é um país sequestrado por uma cultura barata que vai do BBB à fúria democrática do Carnaval, passando pela corrupção da política e pela indiferença dos ricos que andam de helicóptero.

Luiz Felipe Pondé
Carnaval destrói ruas e suja a cidade em nome da alegria popular. Folha de S.Paulo, 12 mar. 2023.
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⁠Nossa atividade de decisão não descansa um instante sequer. Mesmo quando, desesperados, nos abandonamos ao que vier, estamos decidindo não decidir.

José Ortega y Gasset
A rebelião das massas (1929).

⁠A escolha do consumidor é hoje um valor em si mesma; a ação de escolher é mais importante que a coisa escolhida, e as situações são elogiadas ou censuradas, aproveitadas ou ressentidas, dependendo da gama de escolhas que exibem.

Zygmunt Bauman
Modernidade líquida. Rio Janeiro: Zahar, 2001.

⁠Um funcionamento inadequado da psique pode causar tremendos prejuízos ao corpo, da mesma forma que, inversamente, um sofrimento corporal consegue afetar a alma, pois alma e corpo não são separados, mas animados por uma mesma vida.

Carl Jung
Psicologia do inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2013.

⁠Um pouco menos de hipocrisia e um pouco mais de tolerância em relação a si mesmo só podem dar bons resultados em relação ao próximo; pois o homem tem uma inclinação nítida para transferir aos seus semelhantes a injustiça e a violência que exerce sobre a sua própria natureza.

Carl Jung
Psicologia do inconsciente. Petrópolis: Vozes, 2013.

⁠O homem é definido como um ser pensante, mas suas grandes obras se realizam quando não pensa e não calcula.

Se a negação da experiência fosse simplesmente um preconceito imposto, nós de meia-idade seríamos simplesmente vítimas do culto institucional da juventude. Mas a apreensão com o tempo está gravada mais fundo em nós. A passagem dos anos parece esvaziar-nos.

Richard Sennett
A corrosão do caráter. Rio de Janeiro: Record, 2015.

Lugar é geografia, um local para a política; comunidade evoca as dimensões sociais e pessoais de lugar. Um lugar se torna uma comunidade quando as pessoas usam o pronome “nós”.

Richard Sennett
A corrosão do caráter. Rio de Janeiro: Record, 2015.

“Quem precisa de mim?” é uma questão de caráter que sofre um desafio radical no capitalismo moderno. O sistema irradia indiferença.

Richard Sennett
A corrosão do caráter. Rio de Janeiro: Record, 2015.

É lamentável para qualquer um ter que ser si mesmo (e ainda mais, ser forçado a se vender). A cultura e a análise da cultura sãovaliosas na medida em que permitem uma fuga de nós mesmos.

Mark Fisher
Fantasmas da minha vida. São Paulo: Autonomia Literária, 2022.

Um dos problemas de se envelhecer é ter de fazer o normal como extraordinário. Por exemplo, levantar os braços, amarrar os sapatos, coçar as costas, abaixar-se e caminhar.

O depressivo experiencia um isolamento do mundo da vida, de modo que o congelamento de sua própria vida interior – ou morte interior – oprime tudo; ao mesmo tempo, ele se sente evacuado, totalmente desnudado, uma concha: não há nada exceto o interior, mas o interior está vazio.

Mark Fisher
Fantasmas da minha vida. São Paulo: Autonomia Literária, 2022.

Há algo irresistivelmente sexy em um homem que abraça sua calvície com convicção. Um charme exclusivo que transmite uma aura de inteligência e virilidade.