Mensagens para Aluno
Tem dias
Que a pior companhia
Que se pode ter na vida
É a companhia da solidão
Quem diz por aí
Que a própria companhia
É boa
Mente pro mundo
E quem se convence que é
Mentiu tanto pra si mesmo
Que o tempo lhe fez
Acreditar na própria mentira
Pois o vento batendo na rocha
Transforma a pedra em pó
E a tempestade em ilusão
Depois as carrega
A todas pra um mesmo lugar
E um dia cada pedra esquecida
Nunca mais estará só nesta vida
Muitas vezes o vento bate à porta
Absorto, em minha própria companhia
Tem dias que dá vontade de atender
Outros dias não dá não
O tempo passa, a noite esfria
Os ventos tristes já se vão, distantes
Pra bater noutra porta adiante
Fazer companhia
A qualquer outra solidão
Que certamente existe.
Edson Ricardo Paiva.
A história da nossa vida
Poderia ter sido contada
A partir de simples olhares
Coisa que sabemos decifrar
Desde cedo
Colares de mau olhado
Olhos que causam medo.
Passagens bonitas
Belas, muito belas
Todas elas tiveram seu tempo
Num passado que ficou
À deriva de olhares
Passagens fraternas
Olhadelas furtivas
Olhos aos pares
Esquivas
O brilho que se apagou
Num olhar do passado
E que nos olha de outro jeito
Entre todos
Somente um olhar
Jamais se apagaria
O brilho do amor eterno
Pois amores eternos
São olhos tristes
Olhando pro par de olhos
De quem insiste em não os ver
E vão brilhar mais além
Das estrelas no firmamento
Eterno pranto
Sem retorno e sem apelo
Porquanto seria preciso
Olhar em nossos olhos
Para vê-lo.
Edson Ricardo Paiva.
"Pesadelos não mudam sua vida
Mas te fazem aceitar com alegria
A realidade que te entristecia
Antes da noite mal dormida."
Edson Ricardo Paiva.
Se fosse só viver o dia-a-dia
Sobrevindo essa tristeza
Mas a vida sempre leva uma alegria
E o tempo faz outras coisas
Junto às coisas que o tempo traz
E o tempo trouxe a compreensão
Que eu tanto queria
Sem saber que quando chega
Carrega a inocência
Que um dia fez crer que magia existe
E essa vida sem magia é muito triste
Se fosse só viver o dia-a-dia
E essa acalentada compreensão
Descortinasse o véu do tempo
Lá na ponta da luz do Sol
Pois a tudo se limita
E os dias passam de três em três
Pois isso também permite
Deixar de viver
Um dia de cada vez
Sem a dúvida
Tudo que sobra
É a total ausência de valores
No preço que nos cobra a vida.
Edson Ricardo Paiva.
Viva a vida
Enquanto a vida acontecer
Agradecendo aos invernos
E também a cada deserto
Que teu coração suportar
Pois sua vida está sendo escrita
Não busque amparo em promessas
Palavras bonitas são só palavras
O dia de hoje, ontem, amanhã será
É assim que se vive a vida
Então, simplesmente viva
A tudo aquilo que germina
Oculto pela transparência
Da beleza fina do cristal
Pois tanto mal quanto bem
Vem bater à tua porta
A cara verdadeira de tudo
Está sempre escondida
Viva a vida
E a magia da ilusão desmedida
Cada coração se fecha
Na medida que os olhos se abrirem
Deixa a vida correr
Pois toda a vida é uma ilusão
Exceto os olhares vivos
Olhares da vida
Tão perdida quanto todos nós
Cada passo dado
Escondido pela pedraria
A revestir o pó dessa estrada
Na alternância entre luz e treva
Viva cada dia dessa vida
Um dia, dessa vida, não se leva nada
Todo dia, nada resta.
Edson Ricardo Paiva
Fumaça
A vida é simples nuvem
Na lembrança um sorriso
O cabelo esvoaçando
E chove, mas a gente
Não percebe
Qualquer semelhança
Nuvem, ventos, fumaça
Quando tudo se vai
Melhora, se a gente esquece
O coração não consegue
Agora que a vida prossegue
O branco da nuvem
Céu azul
Eu não sei se desejo
Que o tempo pare
Ou passe um pouco mais depressa
Hoje
Só o tempo esvoaça
A vida não faz
Nem tampouco ela cumpre promessas
Mais um dia se vai
Pra nunca mais
A vida perdeu o brilho
O viço e a chama
Os trilhos e o rumo
O prumo e a graça.
Edson Ricardo Paiva
Ao longo da vida inteira
Olhando as coisas grandes e pequenas
Eu vi a borboleta que não podia voar
Ouvi falar de milhões de planetas
Que estão lá, mas não abrigam vida
Não tem água e nem tem ar
Escondi no peito, descontente
À tanta mágoa contida
Era muita coisa pra suportar
Ao longo de uma existência somente
Era um Universo Perfeito
Repleto de erros e imperfeição
As coisas são assim
Do jeito que as coisas são
A borboleta que não voava
Caminhou seu curto caminho
E assim viveu a sua vida
O Planeta ainda está lá
Num jogo de equilibrismo
Que quis Deus, essa esquisitice
Servisse de escudo pra gente
Pois as coisa são assim, somente
Simplesmente isso
Mas o mundo não pode aceitar
Os erros que existem na gente
As coisas são como elas são
Só nos resta aceitar essa decisão
E seguir em frente
Pois a vida é assim.
Edson Ricardo Paiva
Confiança.
Não é somente estar junto na vida
Mas um passo à frente e além
É conquistar o direito
A ter sua ausência sentida
É ser alguém dentro da outra vida
Sentar-se lado a lado
Num banco de praça
Dar risada da piada
Mais sem graça que houver
E brincar de advinhar
A cor do carro que vem
É ser lembrado na hora de um sorvete
Colher frutinhas num canto da calçada
Dividir quando se tem tudo
Querer estar por perto
Na hora em que não tiver
Nada pra fazer
E nenhum lugar pra ir
É fazer rir na hora da tristeza
Conversar conversa à toa
Andar de mãos dadas na rua
Dividir a mesa
Ter sempre um olhar de bondade
Amor
Simplicidade
Fazer sentir
E também sentir a falta
Ler história boba em voz alta
É ter um perdão pronto a perdoar
É sentir confiança
Ser feliz igual criança
E amar de todo coração
Amor de mulher
Amor de amor
Amor de irmão
Amor de amar
Estar junto até o fim
Amor de jamais abrir mão
do direito de querer
Assim era o amor
Que eu sentia por você
Edson Ricardo Paiva
Vai
Vai-te igual a tudo nesta vida
Vai
Vai-te pra sempre
Vai
E desaparece na escuridão da noite
Vai
Vai-te criatura das trevas
de anjo travestida
Mas vai
Vai-te pra sempre e me esquece
Vai
Desaparece de vez da minha vida.
Edson Ricardo Paiva.
Pra cada dia uma noite
Uma morte a cada vida
E pra cada norte um rumo
Vários ventos sem direção
Em cada mar, muitos naufrágios
A saudade que se vê tão só
A pá de terra sobre o tempo
O erro que me acerta
A resposta certa eu nunca soube
A tarde que não me cabe
Antes que o Céu
Desabe por sobre essas nuvens
Há pra cada chuva, um Céu
Mas não sei dizer
de quantos Céus há sobre nós
Sob meus pés
Estrada e pó
Simplesmente mais nada
Pra cada vida
Uma morte apenas
Viver de espera
Termina
Na serena morte
De sorte que ela vence no final
Pra cada um
Há outro igual
Só não se sabe onde.
Edson Ricardo Paiva
Poema de compreensão.
Na vida nada se tem
Como o ar que te escapa entre os dedos
Vai rodando a longa estrada
Um dia há medo
Em momentos, coragem
A paisagem que sumiu pela janela
Coisas boas e ruins
As pessoas
Nada que se vive
A vida vem para mal ou para bem
Mas passa
Esvaindo igual fumaça
E nada se tem ou se leva
Até mesmo as lembranças evaporam
A tudo que tive
O momento mais suave da existência
Não se leva nada
Nesta estrada estreita
Só se deixa
Nossos passos vão ficando no caminho
A gente só precisa
Aprender o que não sabe
Atentar onde pisa
Para que os passos sejam leves
E as lembranças suaves
Pois
Nessa nossa breve existência
Nada se leva
Nada se deixa
Nada e ninguém nos pertence
A vida é uma curta experiência
De cujos resultados, nada saberemos
Diferente
De tudo que se pensa
Enquanto vive
Tudo passou por mim
Mas eu nunca nada tive.
Hoje
Eu gosto de saber
O quanto é curta a vida
Longe
Encosto meus ouvidos
Na parte estreita
Escondida nas dobras do tempo
Pois o tempo sim, se curva
Estronda uma trova
Um dobrado
Apito de trem
Um grito que me vem
do outro lado
Prova
Que apesar de ser
Curta a vida
A vasta estrada continua
Basta saber
O túnel
Que deve ser atravessado
depois da próxima curva
Onde existe um rio de águas turvas
Ou uma linda alameda
Que culmina
Em límpida queda d'água
e envereda
Noutra estrada
Esta, bem colorida
Onde se vive
Pro resto d'outra vida.
Edson Ricardo Paiva.
Eu me perdi
Faz tempo que eu ando
Perdido na vida
Não me sinto culpado
Este mundo é um grande labirinto
Portanto, estamos perdidos
Sem saber que o melhor que fizemos
Foi o fato de não termos lido
O aviso que havia na entrada
Dizendo que poucos de nós
Vão querer encontrar a saída
Mas um dia, a saída nos encontra, isso é fato
Contra o qual, ninguém pode fazer nada
Mas há sempre a opção
De deixar uma boa risada
Apagando o ruido da dúvida
Que essa vida tem fim
Mas que nada foi perdido à toa.
Edson Ricardo Paiva.
"A vida passou tão depressa
Que só nesta fase da vida
É que me ocorre o pensamento
Do quanto teria sido inútil
Ter tido o medo que quase senti
Pois a vida não parou pra ser perfeita
Por isso foi sendo refeita todo dia"
Edson Ricardo Paiva.
Quando pensamos em vida
A nossa melhor comparação
Deveria ser a de saltar
Saltar, como em crianças
Apesar de toda insistência
De tentar vencer a vida
Ela não é luta
E nem concorrência
É momento, é riso, é vivência
Tem dias que é vento
Outras vezes é uma brisa
Pode ser também
Um jardim muito bonito
Mas as flores envelhecem
Exceto na lembrança
Onde permanecerão guardadas
A vida é uma estada espiritual
Não se leva nada
Não se guarda o viço
Ganha quem der mais risadas
Mas a gente tem que aprender a rir
Sem desejo de vitória
Antes, simples compartilhamento
Pra levar o amor nos olhos
Pra poder permanecer
Nos olhos de quem nos amou
E quando lembrar-se de saltar
Faça isso com a alegria da canção
E salte bem alto
E guarde esse momento
Pois a vida tem a duração de um salto
O tempo presente é abstrato
E o passado voou como o vento.
Edson Ricardo Paiva.
A vida da gente
É um labirinto
Que pode ser que seja breve
E pode ser que o veja imenso
Mas é tudo ilusão
Penso que há
Quem tenha passado por ele
Na desenvoltura de um sonho leve
Há quem o apenas transforme
Numa enorme moldura de espelho
Sem noção do próprio orgulho
Pra ver a si mesmo perdido
A vida pode ser um Céu
Repleto de ventos mornos
Carregado de estrelas brilhantes
Pode ser um jornal que se lê
Simplesmente um tribunal
Repleto de juízes, cadafalsos
Um estábulo, um patíbulo
e acusações sem perdão
Ou então pode ser que seja
Um lindo jardim florido, onde há Sol.
Um pasto de capim a ser comido
Uma cama sem lençol
Um bornal de mau-caratismo
Um abrigo, um abísmo
Um vasto caminho
Onde estamos todos perdidos
Eu, buscando alguma saída
Enquanto a minha própria vida
Simplesmente espera por mim
Porém, num ver mais profundo
Ninguém vive mais que uma vida
A vida é vivida no mundo
O mundo uma estrada
A estrada uma esfera
A vida é uma espera
Onde nada, absolutamente nada
Um dia não chegue ao fim.
Edson Ricardo Paiva
Não se pode segurar o tempo
É difícil saber
A maneira certa
de prender a vida
Assim como a tudo
Que nela houver
Mas, numa tarde qualquer
Acontece de olhar
O vento e a chuva na janela
E guardar no coração
Que nem magia
A chuva que caiu naquele dia
Mesmo sem perceber
A gente vai vivendo
E não enxerga o quanto é triste
O olhar insistente
A buscar somente
O brilhar da prata
Um tosco brilhar que ofusca
A arte da luz do Sol
Que parte e que se reparte
Numa humilde bolha de sabão
E flutua leve, ao sabor da brisa
Mas a pressa de viver
Não deixa ver
Que é dessa simplicidade
Que a vida precisa
E vai ficar eternamente
Se a mão da gente
Pesar feito pluma
Só então se aprende
A repartir a vida
Igual o brilho da espuma
Parte a luz
Com força suficiente
Pra dividi-la e deixá-la ir
Muito tempo se perde
Até que se perceba
Em quanto poder existe
Quando a força da mão é leve
Então
O dom de prender a vida
E vivê-la feliz
Grato a tudo que nela houver
Veja que não importa
O quão breve ela seja.
Edson Ricardo Paiva.
Não sei dizer quase nada
Sobre a beleza da vida
Também não sei falar de tristeza
Cada dor habita um dia
E mesmo que a dor seja dor
Ele sempre evita
Doer além do permitido
Pra que assim ninguém perceba
O corte, a ferida, a quase morte
Que permite transformar a vida
Em quase vida
Não sei dizer nada também
Sobre a beleza de uma quase vida
Também não sei falar de alegria
Cada riso habita um dia
Mas o riso jamais evita
Alegrar além do permitido
Pra que assim a gente perceba
O corte que sara
A dor que cicatriza
A alma que não se vendeu,
Jamais se entrega
E se nega
A prosseguir vivendo a quase vida
Pois sabe o valor que existe
Na simplicidade do dia que corre
O dia é um lugar no tempo
Onde a alma que se diz insatisfeita
Rejeita a alegria pequena
Porque quer sentir-se plena
Quando "plena" é plenamente
Uma palavra sem sentido, que a escraviza
E morre, sem fazer nenhum ruído.
Edson Ricardo Paiva.
A vida, aqui neste mundo
É tão minha, quanto a tia Sarah
Em um antigo álbum de figurinhas
Por mais eu a quisesse
Jamais pude achá-la
Assim a vida caminha
Aquilo que hoje não tem
Amanhã não há diferença
Se tinha ou não tinha
O ponteiro do relógio na parede
Mente
E mente mesmo quando
Não diz nada
Cada hora vivida é uma ilusão
Que a gente a pensa vivida
Mera imagem de espelho
Que a mente projeta
Essa gente, meramente abjeta
Moldura iludida, que longe se vê
A pintura, a caravana e o deserto
Se olhar a areia mais de perto
No reflexo, um Oceano de Estrelas
Convexo e cediço, cujo olhar carrega
Em sua esteira
A vida verdadeira
Inteiramente não passa
Mera entrega pra um mundo de sonhos,
Mesmo a quem
Se nega a vê-la assim e perceber
O feitiço do tempo
Eternamente irritadiço,
E que também não vê
A menor graça em tudo isso.
Edson Ricardo Paiva.
Cada dia na vida
É um dia que se vai
Na noite, perdida
Esquecida
de viver a vida
Essa gente meramente
Pensa em pensar que pensa
E tão intensamente não pensa
Que a vive propensa em longe vê-la
Trazendo nas mãos
Uma enorme porção
de nada, algo disforme
Não sacia a sede
Insaciada fome
A mente vazia
Pensa linda a cena
Sentindo-se plena
Em contato
Com gente pequena
Cuja mente
Mais vazia ainda.
Edson Ricardo Paiva.
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