Mensagens Noturnas
Sabe, alguns brancos só querem uma chance de se parabenizar por não serem cruéis conosco. Como se devêssemos dar graças por eles terem tido a gentileza de nos tratarem quase como seres humanos. Você espera que um cachorro lhe dê uma medalha por não chutá-lo um dia?
Se eu pudesse escolher um lugar e uma época para viver, eu moraria aqui, em Londres. Na década de sessenta. Devia parecer o centro do universo.
Estar aqui, sob o brilho destas luzes, é o mais perto que muita gente chega de estar em um palco. De realizar seus sonhos.
Acho que ele já descobriu que sob as circunstâncias certas, o medo da vergonha, da humilhação, o medo se ser descoberto é muito maior que o medo de morrer.
Você já prometeu isso uma vez. Me olhou nos olhos e prometeu. Parece que estava ocupado com coisas mais importantes. Espero que alguém te conte o que fizeram com o meu filho. Espero que nunca mais consiga dormir.
Você não faz ideia do que é ser como nós. Viver sem poder expressar quem somos de verdade por medo de pessoas como você nos vigiando.
Quero saber tudo dele. Cada segredinho furtivo, cada desgraça íntima. Quero saber de corrupção. Quero evidência de qualquer deslize. Qualquer erro. Qualquer limite que tenha cruzado. Eu quero saber a maior vergonha dele.
E eu me apaixonei por uma bela jovem... E só consigo vê-la por algumas horas. Parte-me o coração ser um estranho para ela a cada manhã. Quero-a todos os dias. Quero que ela envelheça comigo. Por isso a vida é valiosa. Porque o tempo passa.
(Barry)
É isso que significa ter fé, que na escuridão, no pior dela, na ausência de luz e esperança, nós cantamos.
Nada muda pra nós. Talvez, se a gente se esforçar, a gente possa mudar. Ou pelo menos sentir que mudamos.
As noites viram dias e os dias passam rápido . O sono não vem, nada mais parece real. Então sinto que ela se aproxima novamente...
NOITES COM SOL
Há noites em que o escuro se rende,
e o sol acende febre entre os corpos.
Não é manhã, tampouco é alvorecer —
é fusão de peles em silêncio e luz.
Nada dorme. Tudo arde.
O tempo hesita, a razão se afasta.
Há calor demais para ser sombra,
há desejo demais para ser calma.
São horas em que gestos se prolongam,
palavras se derretem antes de soar.
Olhares se encontram sem direção,
sabores se acham no idioma da pele.
A pele vira mapa, e o toque, viagem.
Suspiram janelas, suam espelhos.
Respira-se como quem mergulha fundo,
e volta à tona entre lençóis em combustão.
Nessas noites, o amor ganha nome,
o prazer não pergunta, apenas se revela.
Não há princípio, nem fim exato —
há uma dança que começa... e se enlaça em carne e tempo.
E quando, por fim, o silêncio sorri,
o sol ainda pulsa, morno e inteiro.
É noite, mas o lume segue oculto na carne,
como um sol que repousa — à espera de novas
noites com sol.
Sou como uma criança solitária em uma cidade grandiosa; livre! Porém, cativo pelas nuances das emoções.
Tímido ao ser abordado, mas radiante ao testemunhar a serenidade nas pessoas.
Sou como uma criança prodigiosa; porém, obscurecida na multidão. Que valor tem o conhecimento se não posso sequer vislumbrar dez passos à frente?
Inseguro e temeroso de não poder depositar confiança nas almas que cruzam meu caminho. Sinto que eu poderia ser grandioso se não me sentisse solitário.
Sou como uma luz! Uma luz, porém, translúcida; modesta em sua beleza, eu diria.
Mas afirmo com convicção, o coração de toda criança floresce em êxtase na presença de uma paixão.
Ela é minha companhia nas noites mais frias, é quem na escuridão da noite me traz luz… A sua beleza além de inspirar ela me conduz, e eu tento trazer isso expresso em cada linha que compus!
de: mim
para: lua
Há um certo momento em que as noites e as manhãs se fundem. Mesclam-se as cores da aurora com o breu da madrugada. Juntam-se a paz inquietante e a inquietude mais pacífica. Surge a quimera verdadeira, que nos encanta e aterroriza. Noites e manhãs concomitantes formam o enigma da esfinge.
Sim, essas noites de cinzas, as mesmas noites com rosas
as que havia passado, as que se passaram, e as que passou
as mesmas noites de medo, as noites de desejos
e as noites com fim
Quando me perpetuo, minha grandeza passa
passa meu orgulho, orgulho?
já dissera que eu mesmo não aceito
que eu mesmo não te peço e eu mesmo não assumo
disseram para mim, que eu mesmo me queixo
morto meu desejo, morto?
Quando a noite passa
mais noite que ela possa ser
mais noite que eu fui
O amanhecer, o amanhecer das flores
que elas mesmas não me desfruta
ser inanimado, algum que não sinto, sinto?
sinto a clareza, o belo, e sua beleza
mas não sinto seu coração, coração?
a um ser inanimado, que não é apaixonado
ameaçado a destruição
para que, disseram que elas não morriam
disse que não tinha coração
algum ruim?, que não vejo?,
oh pena destruição
Aquelas mesmas flores
as que não tinha ódio, nem rancor
para que isto? não fizera nada
o ódio, o rancor, que tem? quem tem?
as flores? ou você?
