Mensagens de uma Querida Mae de Luto
Carla,
Minha luta por nós não é fácil. Todos os dias, enfrento batalhas que ninguém vê: luto contra demônios, contra forças invisíveis que tentam nos cercar e contra o mais perigoso de todos os seres o próprio ser humano e sua maldade silenciosa.
O mundo tenta nos derrubar, mas o que eles não sabem é que o meu amor por você é o meu escudo. Posso estar cansado, mas não recuo. Por você, eu enfrento o visível e o invisível, porque proteger o que temos é a única missão que dá sentido à minha coragem.
Eu não desisto de nós. Nunca!!!!!
DeBrunoParaCarla
Quem perde um grande amor não encontra flor nesta caminhada, pois o luto transforma o jardim da vida em um deserto gelado.
A paciência é a alquimia que transforma perda em memória. Sem ela, o luto explode em rancor e fome. Com ela, o passado vira lembrança comestível. Aprendo a cozinhar memórias, a temperar saudade com graça. E então o que restou alimenta, em vez de matar.
Vence quem transforma o luto em ofício diário e converte a saudade em canção que constrói pontes invisíveis.
Há noites em que a esperança veste roupas de luto. Parece estranho, mas existe beleza até nisso. Aceitar o luto como parte do caminho é bem-vindo. Porque nele às vezes surge um novo broto. E o broto é o começo de outro começo.
O luto tem regiões silenciosas e outras que gritam. Aprendi a circular entre elas sem pressa. Às vezes sento e deixo o pranto passar como chuva forte. Depois, limpo o rosto e sigo, com as mãos molhadas. E isso é o que chamam de resistir com ternura.
Luto diariamente para não me tornar um fantasma de mim mesmo, um corpo que ocupa espaço, mas que já não habita o presente.
Nasci sem nada
Morrerei sem nada
Mas no intervalo
Luto por aquilo que gostaria
De eternizar... Amor!
LUTO
O amor dói.
O amor dói na vida e estraçalha o coração na morte.
Mas se não doesse, seria amor?
O bom de amar, talvez seja o fato de que a dor cruel que sentimos é a maior prova de que tudo valeu a pena!
Ao partir um ente querido, um pedaço de nós parte com ele mas é a parte de nossa alma que pertencia a essa pessoa e, se dói quando arrancada, é porque realmente, como dito acima, valeu a pena!!!
O luto talvez não seja pra nos acostumarmos com a falta de quem foi embora, mas pra nos habituarmos a viver sem o pedaço de nós que foi junto. E, sabemos, não nos pertenceu. Por isso valeu a pena!
Amar alguém é entregar parte de nós a esta pessoa e, mesmo na morte e principalmente nela, sabermos que não temos direito a esta parte que entregamos por amor.
Por amar sofremos e somente por amar, é que vivemos.
Toda transformação psíquica real tem estrutura de luto: exige que algo morra para que outro algo emerja. Prosperidade, amadurecimento, criação — nenhum desses processos poupa o sujeito do desconforto que precede a reconfiguração interna. O abandono precoce, a fuga no primeiro sinal de resistência, não é fraqueza banal — é mecanismo de defesa do ego que prefere a estase ao risco da perda. E quando o sujeito para à margem do próprio caminho, o que emerge não é apenas frustração: é o ressentimento, essa forma encoberta de autoagressão que encontra no outro a culpa que não suporta habitar em si.
O amor-próprio genuíno não tem estrutura narcísica — tem estrutura de luto. É o processo árduo de descer ao que foi negado: as partes cindidas, as representações de si rejeitadas, as feridas que o ego preferiu encapsular a integrar. Não se trata de buscar perfeição, que é formação reativa; trata-se de integração — recolher os fragmentos com lucidez suficiente para suportá-los sem os romantizar nem os negar. Quando esse trabalho avança, emerge o que a clínica reconhece como capacidade de estar consigo: a aptidão de olhar para o próprio interior com verdade e, mesmo assim, não fugir — não por resignação, mas por reconhecimento de que aquilo que se é, ainda que incompleto, ainda que ferido, merece permanecer.
Hoje não luto contra o mundo, nem contra quem me julgaria.
Luto contra o reflexo no espelho, contra a pessoa que me tornei e contra a saudade daquela que eu acreditava ser.
Talvez a maior punição não seja perder os outros.
Talvez seja perder a própria paz e passar a procurar dentro de si o caminho de volta.
ff
O luto não é a ausência do outro, é o peso de um amor imenso que perdeu o endereço e agora precisa aprender a morar do lado de dentro da gente.
Tive tudo.
A maior parte.
Quase nada.
Agora, nada.
Há um luto e agora um fantasma.
Quando quis que acabasse e doía tanto, não houve fim.
Meu pesar é saber que logo agora quando não me via sem um trajeto finito, tudo se acabou.. de um momento para, outro.
O quanto dói isso...
Espero o dia que não existirão mais nem mesmo estas lembranças.
Deveríamos saber a mente do outro e partir como eles partem à nós também.
Às vezes eu luto tanto para convencer todo mundo que até esqueço que estou certo, e isso é o mais importante.
Luto pelo amanhecer
No crepúsculo de minhas dores,
encaro os meus adversários.
Eles são um:
eu mesmo,
fragmentado
em inúmeras faces.
Cada uma
me põe à prova
diante de minhas escolhas.
Vejo a taça
verter seu conteúdo,
enquanto murmúrios
vestidos de certeza
ecoam verdades
que jamais foram absolutas.
Na contagem
de novos dias,
cada batalha
renasce com o sol.
Há lutas
que perco.
Há guerras
das quais saio
vitorioso
de mim mesmo.
Um guerreiro
não precisa
empunhar a espada
todos os dias.
Quando o brilho
do sol nascente
não alcança meus olhos,
resta-me enfrentar
o único inimigo
que verdadeiramente persiste:
a falta de clareza
que meu coração
teima em revelar.
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