Mensagens de Sol
Amanheceu!
O sol não apareceu.
Tudo escuro e frio.
Não sei se ele voltará a brilhar.
Eu esperava e ainda acreditava em dias ensolarados e de muito calor.
Talvez eu tenha morrido.
Mas como poderia morrer se ainda tinha tanto para viver?
Eu morri!
Que venha o sol envolto em luz.
Os caminhos de espinhos, que sejam vencidos apesar dos atropelos.
Que a ânsia se transforme em brisa para que a alma viaje em paz.
E que o olhar atento às necessidades dos meus companheiros de jornada seja cuidadoso para não cair em julgamento ligeiro.
Que o medo do amanhecer se transforme apenas em uma nova forma de ver a vida acontecer.
Os abraços que se perderam sejam restituídos à vida.
E que, por fim, o ser assuma: é amando que se leva a vida; o resto é sempre consequência.
Rodrigo Gael
Nasceu da terra quente e sofrida,
Onde o sol queima mas também abraça,
Da pobreza fez força, da dor fez vida,
E na luta constante não perde a graça.
Tem os pés firmes no chão que o criou,
A alma moldada por séculos de história,
Cada passo que dá é um grito que ecoou
Nas ruas da dor e na busca da glória.
Vive por outros, carrega o mundo,
Nos ombros marcados pelo suor diário,
É pai, é irmão, um amor profundo,
Que enfrenta o destino, severo e precário.
No campo ou na cidade, ergue as mãos,
Com esperança tecida em cada gesto,
Constrói para os filhos futuros sãos,
Mesmo que o presente seja modesto.
O homem africano é raiz que resiste,
É tronco que cresce onde poucos veem vida,
Na pobreza encontrou a razão que persiste:
Dar tudo por amor, sem medida.
É herói invisível, força maior,
Guardião do riso e das memórias,
Um guerreiro que enfrenta o pior,
Para pintar a sua família de vitórias.
Suspiro um vago grito mudo
mudo para tons de verde seco
seco ao sol est'água ardente
aguardente que bebo dum trago
Trago comigo um estômago farto
farto de sentir este cheiro
cheiro novamente o velho cravo
cravo as unhas no cimento
Cimento ideias dispersas em fumo
fumo um cigarro no silêncio
silencio vozes no caminho
caminho vazias as ruas do reino
Reino tudo num brinco
brinco às palavras neste espeto
espeto tudo bem fundo
fundo amarguras em desejo
Desejo alcançar o brilho
brilho entre períodos de sufoco
sufoco sentidos virados a Este
este é o meu ponto num conto
Conto lentamente as pedras do rio
rio às gargalhadas num suspiro
Suspiro um vago grito mudo
Eu e Você: Sol e Lua
Eu sou o Sol, que brilha ao dia,
E você, a Lua, em poesia.
Somos opostos, mas nos completamos,
Em um ciclo eterno nos encontramos.
Quando amanheço, ilumino o caminho,
Você, ao anoitecer, traz o carinho.
Na dança do tempo, somos certezas,
Unidos, pintamos a beleza.
Eu aqueço, você acalma,
Sou a força, você é a calma.
Mesmo distantes, somos conexão,
Dois astros ligados por emoção.
E quando, no horizonte, nos tocamos,
O céu veste cores que celebramos.
O crepúsculo é nosso doce instante,
Prova que amor é eterno e constante.
Eu e você, luz que nunca apaga,
Somos Sol e Lua, um só na jornada.
POETA: IVAN GUEDES BLACK JUNIOR
SONETO PRIVADO
A tarde no cerrado cai, aquosa
Silente, e o pôr do sol rubente
A chuva, em gota lustrosa...
lacrimeja melancolicamente
Nesta languidez, a sensação
Duma aflição, vou suspirando
Enternecido, cheio de ilusão
E, lá fora o pingar em bando
Sinto o coração palpitando
Na solidão, e no devaneio
Assim, o tempo passando
Em um suplicante floreio
Nostálgico sinto arrepio
Demanda o pensamento
E a saudade no seu feitio
Cata poesia pro momento.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
22 dezembro, 2024, 17’43” – Araguari, MG
Eu adoraria ver o amanhecer ao seu lado, mesmo sabendo que quando o sol transparecer, você ira sumir, é meu dia começara.
A LEVEZA DA NATUREZA
Os girassóis, dourados, fitos no sol,
Um coro de faces, em busca de calor.
As borboletas dançam, leves, em cores vibrantes, um balé sem fim.
A natureza, em sua beleza sem par,
Nos ensina a leveza, a arte de voar.
Em tons mil, um arco-íris sem cessar,
A vida renasce, em cada novo amanhecer.
Que nossas vidas, como flores em botão,
Se abram ao sol, em busca de canção.
Que a leveza das borboletas nos guie,
Em cores vibrantes, a alma a florir.
Que a beleza da natureza nos inspire,
A viver com paixão, a alma a transpirar.
Em cada instante, um novo recomeço,
Um jardim de encantos, em eterno abraço.
@ANDERSON1ANTONIO
E a nossa vida era assim: independentemente de
haver sol, nuvem, chuva, minha mãe sempre fazia
tudo no capricho.
(Maria Antonieta da serra do Ramalho)
Chama-me
flor luminosa, cheia
de azul e verde, o ventre
criador de poemas, de sol, de
luzes, a rosa que respira... amor.
Sol do Verão
Não o amei durante minha juventude, pois não permitia que me aquecesse como o amor fez.
Optei pelo isomento, no alto de frias colinas.
Onde permaneceria então intocável pelo seu calor, e longe de qualquer desconforto aos meus olhos.
Erro meu não deixar aberta as portas e janelas, para que seu feixe de luz iluminase meu lar.
Agora..
Tarde a amei, e cego fiquei ao amá-la..
Meus olhos já não enxergam nada além de luz, porém não sinto o desconforto.
E Além de ti, não vejo nada..,
De forma leve e intocável.
Um dia a flor desabrochou.
O sol novamente raiou.
Então a sua janela se abriu, e pude admirar por mais um dia o sorriso em seu rosto.
E Tocá-lo outra vez, para que de forma delicada sentisse a minha presença.
Sopro os seus cabelos com um vento frio, enquanto repouso meu rosto sobre seu ombro.
E admiro junto a ti, aquele novo dia.
Se ficarmos esperando a chuva passar, os ventos se acalmarem e o sol ficar mais frio, nunca faremos nada na vida!
Ano novo é todo dia
entre o sol e a lua,
nos sorrisos e nos abraços
no dia a dia das ruas.
No canto que vem do mar,
no cheiro que vem das flores,
na alegria das cores.
Ano Novo é todo dia,
no céu escuro ou azul,
nossa gente, nossa pátria
No Brasil de norte a sul.
Na fé de cada irmão,
no compartilhar o amor
nos segredos do viver
que nos trás gosto e sabor.
Rubens Marques, compartilhando sentimentos.
CAMPO DE MIOSÓTIS
Lembro um campo de miosótis
Dormir nele até o sol se deitar
Pensar naqueles dias azuis
Que foi o começo do nosso amar
Recordo esses dias passados
Já postos na bruma dos dias
Que tempos, sermos amados,
Sem fugas, sem relações ínvias
Olhar para o céu até a vista cansar
Ver um bando de pássaros
Em grupo, alinhados, sem chocar
Discutindo os nossos toques raros
Sabendo que aquele campo azul
De miosótis nascidos e plantado
Já não existe, emigrou para sul
E com ele, o lascivo, fugiu apavorado
O amor que nasceu ali, com ele,
Que tanto prazer deu ao físico
Ébrios de tanto querer na pele
Felizes do sentir paradisíaco
Mas nem tudo é eterno
Fundamental não o ignorar
O que se passou naquele Inverno
É sem dúvida para guardar
Amar num campo de miosótis
É um luxo nunca visto, é achar
Um conjunto de gostos subtis
Um acto para mais tarde recordar
Autor:
©Jorge Vasconcelos
