Mensagens de Sol
Belas Manoelas descem as ruelas do São Francisco
rumo ao sol tirano do outono
belas folhas renascem nas nascentes secas do velho senhor
meninas sorrateiras, verdadeiras relíquias à margem do arredio
belas Manoelas desfilam ao lado das sombras dos canaviais
certas que chegarão ao planalto
lá no alto da serra
onde o poder encerra a ira dos mandantes
que por instantes se rendem
ao charme das belas
e as levam para serem amantes
dos mordomos jovens, que o poder faz de conta que não vê..
" Podíamos construir uma casa na árvore
e ficarmos toda tarde olhando o por do sol,
até enjoarmos, até dar vontade de descer,
até o nosso mundo de sonhos acabar...
Entre reminiscências e versos
Numa tarde de sol
Ouço uma melodia
Aqueço as palavras
Que saltitam na boca
Para formar meu poema
Rasgo-me inteira
Uma ruptura de mim
Pedacinhos únicos
Figuram em versos
Que perpassam em meu ser
Uma alma inquieta que acalma
Diante da magnitude das locuções
Inserida na fantasia dos verbos
Que expressam sentimentos
Florescem na alma
Fincada neste solo úmido
Uma sementinha do amor
Que habita meu corpo
E sustentar meu viver
@zeni.poeta
Inverno
Na primeira luz da manhã
Ouço a voz do silêncio
Os raios de sol sorriam
E as geleiras se derretem
No azul do céu divago
Entre um voo e outro
Minha alma aquece
Na solidez das estruturas
Meus ossos resistem ao tempo
Ao inverno úmido e chuvoso
Repousa uma timidez sombria
Uma quietude trava os dias
Prolonga as noites
Neste estágio letárgico
A vida se transforma
Para brotar na terra
As sementes da primavera
@zeni.poeta
O sol mal desponta e, antes mesmo da claridade invadir o quarto, meu pensamento já te encontra. Nenhuma luz, por mais pura que seja, se compara ao brilho que vem do teu rosto. O café aquece, o ar renova, e o mundo entra em pausa enquanto peço ao tempo o privilégio de seguir os meus passos junto aos teus. Basta saber que os teus olhos se abriram para que o meu dia encontre sentido. Você é a minha calmaria, o cais onde descanso e o jardim que floresce, mesmo nos dias de deserto.
Plantei raízes no silêncio ansiando pelo sol da esperança, mas mãos alheias cobriram a terra, impedindo-me de florescer.Meu caule se ergueu trêmulo, buscando o céu em vão, pois a sombra de terceiros pesava mais que minha vontade. E assim sigo, metade semente, metade lembrança do que poderia ser; um destino podado antes do tempo, um sonho que ainda respira sob a terra.
A segunda-feira é a aurora do esforço: quando o sol nasce, não apenas o dia começa, mas também a esperança de transformar trabalho em legado
O paradoxo do vazio que me habita é como um quarto com janelas abertas para o nada, ali encontro solidão e liberdade, medo e um estranho alívio que me sussurra para ficar.
Nenhuma tempestade apaga o sol interior, a chama é selvagem, eterna, mesmo sob o peso sufocante das nuvens mais densas.
A cada novo sol, Ele não apenas me acorda, Ele reacende a chama central, a razão poderosa pela qual eu insisto em viver e lutar.
O dia chuvoso tem o poder alquímico de lavar a poeira da alma que a luz do sol insiste em manter visível.
Junto do vento que vem do sul, para bem além de onde o sol se põe, depois do oeste, onde o tempo se curva, flui a fonte da inspiração pura e indomável, a melodia que o mundo ainda não ouviu, gravada nas estrelas ancestrais.
O sábio observa que toda labuta e ambição debaixo do sol é vaidade e correr atrás do vento, pois a riqueza acumulada não compra um único dia de paz nem garante a salvação da alma, é inútil levantar cedo e deitar tarde, devorando o pão da dor, pois a única satisfação duradoura reside em temer o Divino e guardar Seus mandamentos, sabendo que Ele é o juiz de todas as obras.
Às vezes o coração é como uma casa com portas emperradas. Não entra sol, mas entra renúncia. Eu empurro cada porta com o punho das minhas pequenas certezas. Algumas cedem, outras permanecem guardiãs do escuro. E morar nesse lugar é aprender a plantar janelas.
