Mensagem para Pessoa que Ja Morreu

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Já caminhei sem direção, mas nunca sem esperança, ela me guiou quando meus olhos estavam cegos, e quando abri os olhos percebi, eu estava no caminho certo o tempo todo.

A fé me devolveu a mim mesmo,
quando eu já tinha esquecido quem era, ela me levantou antes mesmo que eu pedisse, e hoje eu sigo firme, porque sei de onde vem minha força.

A fé não resolve tudo, mas resolve o que mais importa, a guerra dentro de mim, sem ela eu já teria desabado, com ela eu renasço.

Eu me reconstruí tantas vezes que já sei montar meus próprios escombros, sou especialista em renascimentos, e isso me dá orgulho, viver é arte contínua.

Já amei errado, já investi onde não havia nada, já me entreguei onde não havia retorno, mas aprendi, o amor certo nunca exige sacrifício da alma.

Minha alma já quebrou tantas vezes que virou vitral, fragmentos coloridos, montados com fé, iluminam quem chega perto.

Não temo mais minhas falhas, elas moldaram minha identidade, sei onde piso porque já caí lá, sei quem sou porque me quebrei, e sei o que quero porque sobrevivi.

A solidão me afinou como instrumento, hoje toco minha vida com mais harmonia, já não desafino tanto, já não me perco nas notas, sou melodia própria.

Já caminhei em vales escuros, mas minha fé sempre foi farol, mesmo fraca, mesmo trêmula, ela nunca apagou, e é por isso que estou aqui.

Já perdi o chão várias vezes, mas nunca perdi o céu, e é olhando para cima que encontro direção, a fé me orienta.

Já amei quem nunca me viu, já dei demais a quem não merecia, mas aprendi, o amor certo reconhece, e permanece.

A maior de todas as prisões é a convicção de que já se detém a verdade completa, uma ilusão alimentada pela preguiça da mente. O ser humano, envolto na teia de suas próprias certezas limitadas, recusa-se a tatear a escuridão do desconhecido, falhando em reconhecer que a verdadeira sabedoria reside apenas no humilde e
corajoso ato de admitir a própria ignorância, como Sócrates ousou declarar.

Vivemos acorrentados ao que já sabemos. O dia em que você disser "Eu sei de tudo" é o dia em que você parou de viver, começou a estagnar.

Meu corpo já desistiu muitas vezes, mas minha alma nunca. Ela conhece caminhos que a dor não alcança. E quando tudo parece perdido, é ela que me puxa de volta ao fôlego. Esse fôlego é Deus, o resto é sobrevivência.

Eu me sento na penumbra fria de um quarto que já foi lar, observando as sombras se alongarem e consumirem cada canto da esperança, porque as pontes que tentei construir para fora, feitas de sussurros sinceros, foram engolidas pelo oceano de indiferença que cerca o mundo. Neste declínio da sociedade moderna, onde a frieza se tornou a moeda mais forte, tudo o que resta são as minhas próprias preces, silenciosas e sem destinatário, enquanto o eco da minha voz não encontra outra parede senão a minha própria pele.

Às vezes me parece que nasci com um relógio adiantado. Eu corro para alcançar momentos
que já se foram. O que me resta é aprender a
dançar com o tempo errado. Há ritmo mesmo
na descompassada respiração. E a dança, por
mais torta, me mantém em pé.

Os dias ruins ensinam a valorizar os passos pequenos. Levantar da cama já se transforma em vitória. Talvez a grandeza da vida resida nesses mínimos. Somá-los é construir um caminho inteiro. E no final, ele será o suficiente.

O silêncio cheio é aquele que não pede resposta. É morada de quem já entendeu demais para falar. Quando me sento nele, o mundo afrouxa o ritmo. Permite-me respirar sem justificativa. E isso, por si só, é privilégio raro.

Sigo em travessia, sem garantias de chegada, mas com a certeza de que a coragem de partir já foi uma vitória.

Fiz da ausência um hábito, depois um vício e, por fim, meu próprio nome. Já não sei quem eu seria se o vazio me deixasse.