Mensagem para Pessoa que Ja Morreu

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Sou estrela antiga, ecoando luzes que já se foram, meu coração queimando em silêncio. Cada fagulha é memória de mundos que jamais verei, cada brilho, um suspiro perdido. No vazio do cosmos, aguardo o instante em que tudo se desfaz, me transformando em poeira estelar, um murmúrio esquecido no infinito.

Tive uma segunda chance, já atravessei portais invisíveis e experimentei, em minha própria vida, o esplêndido sabor da glória de Deus. Vi rostos iluminados de todas as idades, ouvi louvores que transbordavam amor sincero ao Senhor. Desde então, carrego em minha alma uma saudade profunda do céu, pois sei, com convicção, que para a linda cidade um dia voltarei.

Já fui engolido pela sombra da depressão, rendido a desistências repetidas, contudo, aprendi seus segredos. Hoje acendo faróis na noite de outros, ofereço a mão que me foi estendida, sei guiar por atalhos do labirinto onde tantas vezes me perdi.

No breve tempo que me ausentei, ao regressar, percebi que já não era o mesmo. Os sentimentos haviam se esvaído como água entre as mãos, e em meu peito apenas o silêncio se aninhava. Aquele eu que um dia partira, morreu no exílio do tempo e jamais retornaria. Em seu lugar, restou apenas uma sombra errante, um eco de mim mesmo, condenado a habitar a casa, mas nunca mais a pertencer a ela.

Um dia eu já chorei por perder tudo, hoje choro por gratidão, as lágrimas mudaram de endereço, meu rosto aprendeu outro brilho.

Na dúvida, aceitei o engano como professor, reajustei velas e segui adiante, o vento já conhece meu nome.

Já fui menor que meus erros, sou maior que minhas correções, a autoexigência agora vem com compreensão, o balanço me mantém em pé.

Já calei rancor por necessidade de seguir, o perdão foi tática e libertação, caminho mais leve por ter largado peso.

As pessoas vivem em modo de sobrevivência, zumbis funcionais, presas a rotinas que já não questionam. São espectros de si mesmas, movem-se, mas não despertam, respiram, mas não vivem.

A dor já não me define, me informa, ela sinaliza o que cuidar e o que transformar, não mais sou refém do que passou.

Já fui uma ovelha que se perdeu dos cuidados do Senhor, vaguei pelos montes ferido e cansado, mas Cristo, com amor, veio me buscar. Hoje, transformado, reconheço, meu Pastor jamais me abandonou.

Já caminhei pelos abismos cobertos de pedregais, já senti a dor dos espinhos de arbustos insensíveis, com seus galhos já sem vida a muito tempo. Afundei na lama até o pescoço, lutando para respirar e, por um instante, só pude ouvir as batidas lentas e vacilantes do coração... se é que ainda o tinha.

Já desisti tantas vezes que aprendi o gosto amargo do fim, até perceber que, no fundo, eu já havia desistido até de desistir.

O tempo me tirou pressa e me deu propósito, já fui verbo, hoje sou silêncio que fala.

Já fui pressa, tropecei na ânsia de chegar. Hoje sou permanência, aprendi o valor de ficar.

Já vivi o fim tantas vezes que aprendi a recomeçar sem medo, a transformar minhas quedas em lições, minhas cicatrizes em histórias, e cada despedida em impulso para seguir. Hoje, sei que todo fim carrega em si a semente de um novo começo e meu coração, embora marcado, continua a se lançar na vida com coragem.

Já chorei tentando entender os porquês da vida, até descobrir que a paz mora em confiar nos pra quês de Deus.

Já quis voltar atrás, mas percebi que Deus só anda pra frente. Entregar o passado não é rendição, é reconhecer que há um caminho maior que nossas voltas. Olhar adiante é aceitar que alguns capítulos existem só para ensinar, não para reescrever.

Já carreguei culpas que não eram minhas só pra manter a paz. Há um preço pela paz que não nos pertence pagar, libertar-se dessas culpas é reencontrar leveza.

Já venci guerras que ninguém soube que existiram. As batalhas invisíveis nos ensinaram a ter compaixão por aqueles que lutam calados.