Mensagem para Mim

Cerca de 40775 mensagem para Mim

O viver não vivido

Amei-te sem conhecer-te
Querendo eu conhecer-te
O universo de mim escondia-te
Achegava-me e tu afastavas-te
Morria eu e tu vinhas, e ressuscitavas-me,

Amor não amado
Paixão consumada e não vivida
A dor era a dor da amada
Apaixonada, de volta não foi amada
O coração teve que congelar de amar.

Há uma poesia em mim que não compus, são versos de mim
Que inversa sem rima
Em monotonia melancólica
Quem sabe uma poesia deprimida que nunca foi escrita...

Quem é Esse?
Quem é esse
que conhece a tempestade do meu ser
e ainda assim vê beleza
em mim, toda quebrada,
cheia de falhas e imperfeições?
Quem é esse
que acalma o meu interior
e me envolve numa paz
que excede todo entendimento?
É Ele quem me conduz
pelos percalços da vida,
mesmo quando o medo grita
e as ondas se levantam.
Ele está no meu barquinho…
e mesmo quando parece silêncio,
basta eu confiar.
Dono de tudo —
da ciência, do céu, da terra e das águas,
Ele vê o profundo,
conhece cada pensamento meu,
cada parte que escondo
e cada parte que sou.
E ainda assim…
me chama de filha.
Esse é Jesus —
presença que não abandona,


amor que não desiste,
paz que me sustenta.
Helaine Machado

Meu rastro na solidão foi a bússola que te trouxe até mim. Nenhuma sombra, nenhum abismo deteve os passos do teu amor. Tu vieste sem cansaço, somente com propósito.

Teu caminho até mim foi traçado com sangue na terra. Cada pedra feriu Teus pés, não porque eu merecesse, mas porque Tu escolheste me amar.

O melhor de mim não é a soma de minhas glórias, mas sim o resíduo digno que restou após o pior dos naufrágios.

Carrego dentro de mim batalhas que ninguém viu, mas cada uma delas moldou meu peito como ferro aquecido, não pedi para ser forte, fui obrigado pela vida, e mesmo assim aprendi a amar no intervalo das dores, sou testemunha da minha própria ressurreição diária.

A esperança renasce em mim como uma chama teimosa, mesmo quando o vento da vida sopra para apagá-la, eu a protejo com as mãos feridas e calejadas, porque sei o quanto ela já me salvou, e continuarei acendendo-a até o fim dos meus dias.

Apesar dos meus olhos estarem marejados e o futuro incerto, eu já tinha em mim a certeza da verdade mais poderosa do universo, o fundamento da minha fé: o Cordeiro de Deus, Jesus, morreu por mim um dia para me dar vida e esperança, meditar nesse sacrifício, no quanto sofrimento Ele abraçou, como foi ferido e humilhado em favor de um pecador como eu, me fazia compreender que aquele amor silente e paciente me alcançava em todos os momentos da minha fraqueza.

Perdi versões de mim que eu nunca recuperarei, e agradeço por isso, eram versões fracas, hoje caminho com mais precisão, sei onde piso e por que piso, minha vida finalmente tem direção.

O perdão que me salvo não passa pelo outro, passa por mim. Perdoar não limpa a história do outro, limpa a minha cama. Durmo mais leve e tenho sonhos menos invadidos. E quem perdoa por si mesmo descobre que a liberdade é doméstica. É um hábito que se cultiva, silencioso e cotidiano.

A compaixão por mim começa por aceitar a minha lentidão. Nem tudo que quero se resolve em pressa. Há processos que têm horário próprio, distante do relógio. Deixo-os correr com sua cadência e não os atropelo. A lentidão vira cuidado, e o cuidado vira respeito.

A fé me devolveu a mim mesmo,
quando eu já tinha esquecido quem era, ela me levantou antes mesmo que eu pedisse, e hoje eu sigo firme, porque sei de onde vem minha força.

A fé não resolve tudo, mas resolve o que mais importa, a guerra dentro de mim, sem ela eu já teria desabado, com ela eu renasço.

Não tenho medo da escuridão, pois aprendi a acender luzes dentro de mim, sou lanterna própria, sou fogo interno, sou chama que não se apaga.

A fé me salva de mim mesmo, dos meus excessos, dos meus impulsos, das minhas sombras, ela é minha luz interna.

Há noites em que o céu parece fechado, mas é dentro de mim que a escuridão é mais espessa. Mesmo assim, procuro estrelas na memória. E sempre encontro uma: a da fé que não apagou. Porque Deus brilha mesmo quando não o vejo.

Guardo o segredo do meu amor selado em mim, como um tesouro que só a morte pode libertar.

Há um piano em meus ossos que toca notas quebradas, cada acorde é um pedaço de mim que insiste em existir. Quando a cidade dorme, a música remexe entulhos antigos, e eu me descubro inteiro nas frestas de um acorde menor.

A chuva hoje tocou a janela como quem pede licença para entrar. Dentro de mim há móveis que rangem com lembranças. As palavras saem mansamente, como se pedissem perdão. Às vezes penso que sou feito de corredores vazios. E nesses corredores ecoam os passos que um dia me ensinaram a voltar.