Mensagem para Irmã
O amor em excesso não escorre, não transborda, ele pesa como um lençol molhado sobre o peito. Afeto demais vira névoa densa, cobrindo meus passos, roubando o ar onde eu queria aprender a respirar sozinho. O que era abraço vira amarra. O que era cuidado vira cárcere disfarçado de zelo.
Como posso amar alguém verdadeiramente, sendo que nem amor próprio eu tenho?
Talvez o amor ao outro comece quando eu aprender a olhar para dentro, com a mesma paciência e cuidado.
O amor-próprio não é um ponto de partida, mas uma construção que cresce, a cada gesto de cuidado e compaixão comigo mesmo.
O amor é um cavalo xucro, selvagem, ferido, em fuga. Não teme o outro, teme ser preso. Mas o amor verdadeiro chega sem rédeas, espera em silêncio, acolhe sem moldar. E o cavalo, enfim, permanece. Não porque foi domado, mas porque, livre, escolheu confiar, escolheu ficar.
O amor, em sua natureza mais crua, é um paradoxo temporal e emocional, sua verdadeira dimensão só se revela na experiência da perda. Enquanto presente, é banalizado pela rotina, negligenciado pela falsa segurança da permanência. Somente na ausência é que suas camadas mais profundas se tornam perceptíveis, como uma arquitetura invisível que só se desenha no vazio.
Você merece todo amor que tenta dar aos outros, mesmo quando minha voz falha ao declarar gratidão, percebo que meu desejo de cuidar excede minha capacidade de me receber amor. Reconhecer meu valor não como alguém que “uma hora vai desistir,” mas como
sujeito digno de afeto, tem sido batalha diária que contradiz a voz interna que insiste em me desmerecer.
Àquele que busca o amor deve esquecer a beleza externa, mas sim buscar os segredos ocultos do coração, pois a beleza um dia se esvai mas o que está no íntimo de cada um fica gravado na alma
Nos dias da minha lucidez descobri que o amor representa a mortalidade do homem dito isso concluí que sou imortal
O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Unidos para sempre.
vejam no que me transformou,
o teu, ganancioso amor,
num moleque de recado,
do fraque, hoje aos trapos,
sem direito, a reembolso ou devolução,
um bêbado à caminho do bar,
uma Butina suja e fedida,
uma boca sem escovar,
depois da noite mal dormida,
uma bituca de cigarro cuspida,
na vala de qualquer rua,
digo sim, que a culpa é tua,
não quero me vitimar,
já fui seu amado,amante,
homem de muito valor,
era chamado, meu bem,
querido, e meu paizinho,
mas vi a desgraça chegar,
e o meu dinheiro levar,
me trazendo revolta e dor,
o teu amor acabou,
teu bem, não sou mais,
pagar algo, nem pensar,
agora pra terminar,
já posso me apresentar,
eu sou aquele rapaz,
que você,sem uma lagrima no olhar,
deixou com as alianças na mão,
chorando lá no altar.
O amor se encontra no meio do deserto, sedento por água, sedento por dom de vida, o amor é o oásis no vasto e devastador árido existencial.
- Às vezes o amor pode se tornar a sua pior mentira, talvez seja por isso, que eu ando gritando em meu travesseiro? - Não, o amor é um sentimento que se utilizado de forma correta, pode mover mundos e restaurar fundos, sentimentados e fálidos. - Porém, não estou precisando de cama e muito menos de travesseiro. Descobre-se então que dormir no chão, não é uma péssima opção. Nunca me senti tão bem acolhida como agora. - Males que faz bem, há poucos.
Cavalos selvagens, venham me buscar, venham rápido antes que o tempo deixe de ser tempo e passe a ser apenas uma bússula, essa mesma que todos podem até tentar possuir, mas poucos saberão como utilizar.
São no piores momentos que o amor aparece.
E na nossa dor que um novo floresce
E foi na minha dor, no meu sofrer.
Que eu encontrei você
Meu amor.
Minha jornada começa pelo amor,
Mas caminha pelo vão da desilusão.
Perambula pelo perdão, percorrendo os vales do amor próprio.
E a marcha, finalmente é concluída na esperança.
A esperança do amor renovado.
O amor e uma flor que se abrocha com o calor, de si ver sem se querer sem se ter e sem poder ser flor de amor.
Estranho Medo
Escrevo agora sobre angústia e solidão,
Antes descrevia amor, sonhos e devaneios,
Estranho certas coisas, pois estranha é a decepção,
Tristes são as páginas do diário, nem sei o que anseio.
Estranho medo, esse que de repente chegou pra ficar,
A estranheza mais profunda que um ser pode ter,
Estranho até a alegria que vem e vai sem avisar,
Me diga alegria, o motivo de ir, me explique o porquê.
Coração sangra, grita em meio as decepções,
Murmurar num adianta, nem devolve a certeza de outrora,
Certeza que iria acalmar esse turbilhão de emoções,
Estranho medo, que trouxe pesadelos para esse homem que chora.
As palavras me fogem quando mais delas preciso,
Me fugiu a alegria, causando-me imenso pavor,
Onde está ó esperança? Devolva-me o precioso sorriso,
Estranho medo que me faz estranhar até mesmo o amor.
Não importa o tempo, a distância, nem o espaço de uma dimensão a outra. O que Importa é que o amor existe e nada o impede de ser expressado quando se ama de verdade.
Almas que se encontram jamais se esquecem ou se separam.
Estas se buscam entre a saudade e a esperança.
Cada uma cumprindo seu papel nesta vida ilusória.
Aprender e re-aprender.
Para enfim viver aquilo que é eterno e imortal.
Não existe morte onde á vida.
Não existe morte onde há Deus.
(Kasolares Karvallo)
