Mensagem de Saudade de quem Morreu

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Esconderijo


Por onde andas, céu das minhas meninas?
Meus olhos já se cerram de saudade.


Onde estás?
Por onde vais?
Por onde te escondes?
Em que lugar te refugias?


Em qual rua ou parte da lua
se encontra esse cruel esconderijo?


Vens...
Abres a porta e iluminas,
esse triste riso,
de quem já perdeu o brilho.


Perdes o receio.
Chegas devagar e, delicadamente,
aquece o coração dormente.


Pois não há vida, onde se mente.

Não te enganes: nada vem de graça.
Algum dia a saudade te cobrará
por cadamomento de felicidade.

A dor da saudade em mim, ordena-me silêncio, reflexão e as luzes apagadas.
Tudo no escuro...




Carlos De Castro

O PAI E A SAUDADE


Meu pai, foi-se cedo.
Fugiu.
Meu Deus, credo
Que meu pai partiu
Cansado,
Martirizado,
De tanto me ouvir,
Insistir,
Perguntar:
Porque me construíste, pai!?...
A mim, um vivo-morto
Cada vez mais vivo na morte
Que se fosse de outra sorte
Eu sentiria conforto
Se te tivesse comigo
Como aquele amigo
Que além disso é pai
E a gente pensa
Mesmo na descrença
Que ele, nunca, mas nunca se vai.


(Carlos De Castro, in Há um Livro Muito Triste Por Escrever, em 23-10-2025)

"Não importa se chamam de amor, ódio, saudade, felicidade, etc. São todos o mesmo sentimento, apenas foram definidos nomes diferentes para cada estado dele."

Minha saudade tem nome, endereço — e um sorriso que insiste em não se apagar da memória.


É lembrança viva…
da queda que não foi o fim,
mas o início de um reerguer silencioso.


— Aquele que me adestra nas batalhas não dorme —
e foi Ele quem me tomou pela mão
quando minhas forças já não eram suficientes.


Hoje sigo… confiante.
Trazendo à memória tudo aquilo que me devolve paz e serenidade.


Ando devagar —
porque já tive pressa.


E levo esse sorriso comigo —
porque já chorei demais.


— 𝓟𝓪𝓾𝓵𝓸 𝓣𝓸𝓷𝓭𝓮𝓵𝓵𝓪

Assassinato da Saudade

Saudade
A gente
Não mata

Saudade
A gente
Engarrafa
E guarda

Saudade
É coisa boa
Que fica lá

Quietinha
Bem guardada
Onde deve
Ficá

⁠Sarcasmo e Arvore

Com dificuldade
Ergo-me

Na saudade do amigo
Que
Se perdeu na eterna saudade

Daquele espelho
Me olhando
Tomo o café da manhã

À minha e à sua vontade
O gigantesco abismo
Goza a delícia de ser

Lábios roxos
Assim passeio por ele
Sem sua infantilidade

Onde a cobra fuma
Seu moderado cigarro
Admirando seu ventre

Trazendo o sol batido de vento
Enquanto o mar tece a trama
Imóveis na solidão

Juntos a novos anjos cativos
Na luta de classes

Honorárias prisioneiras
Mulheres
Que o simples toque pode romper

Por um momento
Todos e infinitos talentos em seu seio
Maior que a força contida no ato
Na móvel linha do horizonte

O teu sumiço me dissolve devagar


A ausência faz a saudade consumir
Sensações diárias do meu querer
Mar das maresias tristes
Intensidade das ações do teu ser cativante
Desfaz meu ser aos poucos
A cada navegar, uma falta do destino que deixei para trás.

Reunir momentos já vividos doía, mas agora me reuni em saudade feliz, de um abraço que comigo é amigo, e de vez em quando vem me lembrar, o bem viver, e ser leve mesmo não entendendo o agora me guarda em oração e entoa melodias que só o de ressoar a alma entende.
Estrada de Hélio.

Silêncios Pesados


Sentir intenso
Letalidade da tua falta
Ecos da saudade
Caos de instantes distantes
Parte de nós se faz em atos de silêncios
Destruição das sensações inquietantes.

Como falei nostalgia saudade dogma o vazio que só pode ser preenchido pela presença do Espírito Santo.

Você pode perceber a importância de um momento sem que ele se torne saudade. Adeus não é a única forma de se despedir. Tem outras maneiras de dizer adeus, substituindo por um "até logo". Porque eu sei, eu sei que você voltará a mim. E não a nada que acabe com o amor entre duas pessoas, ainda que prevaleça.

Diérese
A saudade é um ditongo
na gramática eu constato.
Mas faltando-me a sílaba
a transformo em hiato.






De José Alberto Lopes

Saudade...
Que saudade bonita
Dos anos de juventude
Das baladas nas casas dos amigos
Dos sorrisos genuínos
Da liberdade e do sonho
Do primeiro beijo...
Nas névoas do passado
Minhas memórias me aconchegam
Ah que felicidade... era destemida,
De sofrimento não sabia
De peito aberto encarava a vida,
Sou resultado das minhas escolhas
Umas boas outras não sábias,
Mas sou o que sou
E agradeço ao Criador...
Cada dia uma nova oportunidade
Pois a vida é uma raridade
E deve ser valorizada...
Cada respirar é uma dádiva
Pois cada momento pode ser o último
E um dia seremos lembranças...
Que essa lembrança seja boa
E desperte sorrisos nas pessoas!

Você é a pessoa certa!


Sabe quando a saudade aperta
e o peito vira prova, não dúvida?
É prova social do coração: todo mundo procura,
mas só nós dois encontramos.


Você é a pessoa certa.
Não dessas que passam.
Dessas que ficam.
E eu torço, escolho e protejo para que permaneça fiel,
porque escassez mora no fato de que alguém como você
não se acha duas vezes na vida.


Eu antecipo um futuro grandioso.
Consigo ver a cena: nós dois rindo de bobeira,
vencendo juntos, colhendo o que hoje é semente.
Isso é visualização. É compromisso com o amanhã.
Não é sorte. É decisão.


Então reciprocidade: eu te entrego meu cuidado,
minha lealdade, meu tempo inteiro.
E autoridade eu dou ao que sinto,
porque esse amor sabe onde quer chegar.


Saiba que é isso que desejo à nossa história, meu amor:
pertencimento sem medo, consistência sem jogo,
urgência de viver tudo agora,
porque o grandioso já começou
no instante em que eu te escolhi.

Se fosse tão fácil, não seria amor.


Se fosse distante, faria saudade
e se não houvesse, seria indiferença.
Meu peito não doeria e nem sequer iria lembrar;
da sua voz, do seu cheiro
do teu rancor e egoísmo de corpo inteiro.


Então eu grito,
por não te conhecer, por tudo aquilo que está a doer
pelas vozes que estão a dizer
"me deixe, não suporto mais você".


Não sei amar sem me esgotar,
não sei te olhar sem me comparar,
não sei te dizer sem querer morrer,
E isso só mostra o quanto nós não devemos ser.


Mas eu amo,
amo o jeito que me olha
o jeito que me abraça
o jeito que sempre disfarça,
por favor, não esqueça de mim quando amanhecer. Eu grito.

⁠Às vezes fico com saudade
De momentos que eu ainda não vivi
Às vezes peco na vontade
De sentimentos que eu ainda não senti

Te vejo nas paredes dos hotéis
Eu vivo interpretando papéis
Às vezes não sei mais quem sou
Me deu vontade de voltar

Pois eu sei, que você quer viver comigo outra vez
Que você quer viver ao lado meu, até a luz do sol se apagar

“A saudade é uma das manifestações do desejo. E assim como este, ela não é falta, é produção.”
(Aparecido Galindo)

Saudade é a falta, a fome, a sede;
A vontade do que não se tem
É o que ficou do que um dia se teve