Mensagem de Dor
A fé não apaga a dor, mas transforma o caminho.
É a mão de Deus segurando a nossa, enquanto a alma aprende, devagar, a respirar de novo.
Talvez nem tudo tenha sido entendido, nem toda dor tenha sido nomeada… mas quando já não sangra como antes, é sinal de que a alma, silenciosamente, começou a cicatrizar.
Existe uma força que nasce no meio da dor quando a fé escolhe permanecer, mesmo sem entender o porquê.
As marcas não desaparecem, mas deixam de contar uma história de dor para testemunhar o cuidado de Deus.
Na dor da perda, alguns se revoltam, outros apenas choram… e Deus acolhe a todos com amor. Ele não é quem tira, é quem permanece, sustentando o coração que ainda aprende a viver sem quem partiu.
Entre a Dor e o Gesto
Entre a lâmina invisível das dores que te atravessam
e o peso mudo dos dias que não cessam,
ainda assim… você me escreveu.
E há nisso mais do que palavras —
há travessia.
Porque sei: não foi impulso,
foi escolha.
Não foi leveza,
foi coragem.
Havia silêncio antes,
havia a mágoa — esse território árido
onde quase nada floresce.
E, ainda assim,
você fez brotar um gesto.
E nós…
não fomos pouco,
não fomos rasos,
não fomos passagem.
Fomos chama —
às vezes indomável, é verdade —
mas nunca inexistente.
E talvez, para o mundo, reste apenas
um fio tênue…
mas em mim, ainda é chama inteira.
Não sei o que o tempo fará de nós,
nem se os caminhos voltarão a se tocar,
mas existe algo que em mim não se apaga —
silencioso, maduro, sem pressa —
uma esperança que já não grita,
mas permanece.
E, no fim,
entre a dor que te habita
e o gesto que me alcançou,
eu escolho reconhecer:
foi coragem.
Entre a Dor e o Gesto
Marlene,
não te escrevo pra te convencer de nada,
nem pra pedir que volte —
o amor, quando é de verdade,
não se impõe… se reconhece.
Eu sei onde falhei.
E mais do que isso,
sei o quanto isso te doeu.
Hoje, o que mais pesa
não é a saudade —
é saber que eu poderia ter sido melhor
quando ainda tinha você por perto.
Mas a vida tem dessas ironias:
a gente aprende depois,
quando já não tem mais o agora nas mãos.
Ainda assim…
tem algo em mim que não se perdeu.
Não é insistência,
nem carência —
é só um sentimento calmo,
que continua existindo
mesmo em silêncio.
Se um dia nossos caminhos
se cruzarem de novo,
não quero te prometer o mundo —
quero te mostrar, nos detalhes,
que eu aprendi.
Aprendi que amor
não é só sentir,
é cuidar, é ouvir, é permanecer
quando é mais difícil.
E se esse dia não vier…
você ainda vai ser, pra mim,
a história que não terminou em vão,
mas em aprendizado.
Porque amar você
foi real —
e é isso que fica.
Não há nada de errado na saudade, na flor, no silêncio e na dor. O erro está na ausência do meu amor.
Onde a dor se transforma
Houve momentos em minha vida em que minhas lágrimas, em oração, desciam pelo monte.
Nessas horas, eu me via como um templo sagrado, dissipando no ar tudo o que era ruim, deixando permanecer apenas o amor.
O Pintor de Sua Própria Dor
Um olhar triste carrega uma alma machucada.
Por mais que os lábios se exponham, os olhos não acompanham.
É triste olhar pela janela e ver uma paisagem igualmente triste.
Como proteger os quadros que vejo? Como servir de ombro ao pintor que encanta, mas em quem a felicidade não habita?
Os sinais de pânico explodem, e meu coração dói.
Não consigo conter o rio que escorre.
A ferida é grande e talvez não venha a sarar.
Por isso, é fácil a tristeza se instalar; difícil é consolar.
Compartilhar a dor também faz parte e, mais importante, é saber que não se está só.
O Peso do Silêncio
Amo escrever.
Escrevo conforme a minha alegria ou a minha dor, e quanto mais vozes eu ouço, mais forte eu fico.
E não me subestime. Tema o meu silêncio, pois é nesse momento que estratégias e planejamentos estão sendo traçados — para abraçar ou ignorar, refletir ou questionar.
Eu sou o meu time.
Eu sou a minha prioridade.
Sim, não são apenas histórias.
Se temes, não me teste, pois a verdade mascarada que te envolveu agora recorre a mim — e eu nem mesmo a planejei.
Porque, no silêncio, até as verdades aprendem a falar.
Negociação Silenciosa
Vejo aqueles que tiram a própria vida como quem, consumido pela dor, entrega a própria existência em uma negociação silenciosa com o fim.
Que a luta pela vida continue, e que essa troca de destinos deixe de existir.
Esse é o desejo de todos nós.
