Mensagem de Aniversario para um Comediante

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É nas grandes assembleias deliberantes que melhor se conhece a disparidade das opiniões dos homens, e o jogo das paixões e interesses individuais.

O nosso amor-próprio é tão exagerado nas suas pretensões, que não admira se quase sempre se acha frustrado nas suas esperanças.

Bem curta seria a felicidade dos homens se fosse limitada aos prazeres da razão; os da imaginação ocupam os maiores espaços da vida humana.

As revoluções, que regeneram as nações velhas, arruinam e fazem degenerar as novas.

Para quem não tem juízo os maiores bens da vida convertem-se em gravíssimos males.

Nunca perdemos de vista o nosso interesse, ainda mesmo quando nos inculcamos desinteressados.

Onde os homens se persuadem que os governos os devem fazer felizes, e não eles a si próprios, não há governo que os possa contentar nem agradar-lhes.

Eis a natureza que te convida e te ama; mergulha no seu seio que ela constantemente te oferece.

Capitulamos quase sempre com os nossos males, quando os não podemos evitar ou remover.

A beneficência é sempre feliz e oportuna quando a prudência a dirige e recomenda.

O tempo pretérito se torna presente pela memória, e o futuro pela nossa imaginação.

Os velhos erram muitas vezes por demasiadamente prudentes, os moços quase sempre por temerários.

Os grandes homens, ao ensinarem os fracos a raciocinar, colocaram-nos sobre a estrada do erro.

Como o espaço compreende todos os corpos, a ambição abrange todas as paixões.

Os velhos caluniam o tempo presente atribuindo-lhes os males de que padecem, consequências do passado.

O desejo da glória literária é de todas as ambições a mais inocente, sem ser todavia a menos laboriosa.

Os grandes estados devem dispensar as alianças e os pequenos não devem contar com elas.

Quando os prazeres nos esgotaram, julgamos haver esgotado os prazeres; e então dizemos que nada pode saciar o coração do homem.

Em diversas épocas da nossa vida somos tão diversos de nós mesmos como dos outros homens.

Quando o despotismo está nas leis, a liberdade encontra-se nos costumes, e vice-versa.