Mensagem de Aniversario para um Comediante
TALVEZ
eu nem te amo tanto assim
eu nem te amo tanto
eu nem te amo
talvez só um pouquinho ao amanhecer
quando um restia de sonho me induz
e depois só um pouquinho
porque ninguém é de ferro,
também preciso de carinho
preciso precisar o que preciso
talvez nem seja amor
mas se não for o que será ao entardecer
ao te querer por perto
o que será esse deserto
a te esconder de mim
o que será esse fim do mundo
ao não ter fim este querer
talvez eu ame mais a mim que a você
talvez eu queira mais
não ser amor este te amar enfim
eu nem te amo
eu nem te amo tanto
eu nem te amo tanto assim
Ele desenhou um hamburguer como se fosse o sol
Pipocas como se fosse ondas de espumas
E refrigerantes como se fosse o mar,
Antes de tudo que sabia ,
Antes de tudo que pensava que sabia,
A lua seria uma imensa tapioca
E as mentiras de dietas era poeira de farinha...
Estava obeso feito o peso de sua solidão
Comia por carência, por compulsão...
O peso dos problemas pesava sobre o seu peso,
Ele desenhou um cuscuz como objeto de desejo,
Nada relativo a bundinha empinada da vizinha,
Não era mais uma fantasia ,
Era uma desilusão;
Trocara aquele desejo
Pelo prazer de pão de queijo,
Pelo frango assado, sem nenhuma metáfora,
Nada a ver com nenhuma posição...
Há tempos nenhuma ereção
Ele desenhou um beiju como se fosse a lua cheia,
O pão de açúcar, literalmente um pão doce,
Algo que adoçasse a sua vida, a sua desilusão;
Algo que não doesse ou não ameaçasse
Como aquela dor no coração...
Amanha bem cedo com um novo olhar,
Sem esquecer as cerejeiras, que eu imagino
Matizando a relva que acolhe as pétalas
E ondulam com a brisa primaveril ...
Amanhã bem cedo quando a roseira enrubescer
Com a cambaxirra e o beija-flor
Num triângulo amoroso lógico e inexequível
E o rio lavar as margens, de rastros de paixões
De amantes clandestinos, de amores impossíveis
Amanhã bem cedo quando o hálito da matina
Ainda orvalhar o frescor da neblina matinal
E a vida vicejar no verde das folhas e das águas
Acariciando a sensibilidade dos poetas,
Ensejando às paixões e as ilusões frágeis e levianas
Ainda terei essa certeza infactível
Bocejando a tua ausência
E adiando a vida e suas perspectivas
Para amanhã bem cedo...
REVOADAS
Há um segundo atras
O rio era outro, outras águas
Eu teria uma vida mais longa...
Há cinco segundos atras
Eu era mais jovem quinze segundos
Somando-se dez segundos
Que eu levei pra escrever esta frase
Há dez minutos eu tento falar
Que o tempo passa
E implacavelmente deixa suas marcas...
Há quanto tempo tento falar desse enigma
Outros olhares, outras palavras, outros rios
E o rio passa em mim há quantos séculos
Outras palavras não explicaram
Ou não foram compreendidas
E o tempo tingiu nossas cãs
Um dia nos erguemos sobre nossos membros inferiores
E pensávamos que sabíamos de tudo
Mas o tempo muda as paisagens
Verga nossas espinhas e embaça os horizontes
Mas nós poetas escrevemos
E libertamos pássaros em revoadas
E nesse bater de asas divino
De editar sentimentos, alguma coisa muda
E navegamos incólumes às vicissitudes naturais
O individuo perece mas o poeta é imortal
A LUA E AS ESTRELAS
E se eu não tivesse um sonho
O que eu componho
Mentiria
Mas a ilusão
Que me ergue como um pêndulo
Acalanta a fantasia
Já sei ser triste
Nesse vai e vem,
Nesse balanço
É triste ser feliz, eu já fui triste um dia...
Amanso o meu espírito com tua presença,
Com a tua voz eu danço...
Tua voz é melodia
Eu sou tão triste...
Noite passada,
Passada a noite,
Passadas e mais passadas
De mim mesmo
Eu te vejo num luau
Sob tudo que tem sobre tua cabeça
A razão que te devora
De fora pra dentro
De dentro pra fora
Você é tão feliz... e isso é triste
você tem tudo
Mas você não sabe o que é ter a lua e as estrelas...
DIAS AUSTEROS
Um dia falarei coisas bonitas,
Terei a tua idade e serei feliz
Assim com esses dentes brancos
Que revelam a pureza da tua alma...
Um dia me apaixonarei também
E na luz das manhãs as borboletas luzirão
Como o ouro mais puro das alterosas,
Um um dia serei tão romantico
Que nem Manoel de Barros
Ocultará a essencia da poesia,
A sublimidade do inefável
Vou perceber o amor por mais que ele se esconda
Nas complexidades de dias austeros
E depois de nove meses poéticos e sonhadores
Meu filho receberá o nome de um herói
ou de um grande astro assim como Michel Platini
Pelos contos que eu não conto
Dá um desconto ao meu silencio
Não conto dos versos tristes
Não conto da estrela cadente,
Dos girassóis reluzentes
Que reluzem nos meus contos,
Não conto do meu silencio
Pois assim não o seria,
Não conto da minha alegria,
Que não valem nem um conto,
Pelos contos que eu não conto,
Conto pelos e apelos
Só não conto meus segredos
Pelos contos que eu não conto
Nada se complica,
A vida explicará,
A ansiedade se acalma com beijos,
Se aquieta com um olhar
Não esquece: esquece os problemas,
Leia os meus poemas,
Esquece que a vida é pequena
Mas tua alma é do tamanho da tua consciência,
A dívida algema a paixão...
Eu tenho a noite e a noite me tem
O resto é poesia, é um trem na via
Entre satélites, meteoros e planetas
Procurando a emoção
Nada se complicará, a vida explica
Acontece porque tem que acontecer
A noite tece um fascínio,
Abriga os facínoras
E tudo de mal que se premedita,
Mas pela manhã brilha a aurora
Poeta não pode envelhecer
tem que nascer todo dia
e se alimentar de paixão
ressuscitar um leão por dia
viver da utopia de ir e voltar a plutão...
Era tão bela, um rosto meigo, cabelo que brinca no vento,
riso raro como se o mundo não lhe apresentasse muitos caminhos;
voz suave, quase um sussurro como se tudo fosse um segredo,
ou como se mexer no silencio fosse proibido
não é bem assim, cante suave ou assobie uma canção
e o mundo vai parecer mais bonito...
contanto que seja uma canção de amor
e se for só paixão não prenda tanto a respiração
e se for só mistério...mistério está no ar que nos sustenta
então respire fundo e beba o mistério da vida...
X-TUDO
Seja feliz, mas não seja tão feliz,
Tem tanta gente por um triz
Tem tanta gente por um x,
Por um x-tudo, por um cachorro quente
Por um cachorro
Tem tanta gente pra se certificar num raio x
Seja feliz, mas não seja tanto...
Chore de vez em quando,
De vez em quando seja um ser humano...
tenho um sorriso que ilumina o espelho
e o orgulho de já ter sido feliz,
mas então ante tua presença se curvam meus joelhos,
e a vergonha de ter feito o que não fiz...
os poetas não morrem, eu já sei,
mas não sei se os poetas sabem disso...
Cecília, entre os tons quentes do rosiclér
morria nos finais dos crepúsculos com todo capricho
deveríamos ser felizes se inventamos o amor
se fizemos o mundo
mas não somos felizes na busca desse amor profundo
quem terá entendimento pra felicidade...
diante de tantos deslizes
não somos, jamais seremos felizes
somos apenas deuses, temos apenas a eternidade...
ELZA SOARES
Um Mané romântico de dribles insolentes
apareceu pra enfeitar seu canto e seu sorriso
a voz se fez mais forte e ecoou no mundo
como arte e como arma a todo preconceito...
quando a dor batia ela cantava os ossos que roía
ela ruía os obstáculos que se erguia
e tinha esperança de ter esperança um dia
não sabes o que é o mundo
onde termina o horizonte começa a ansiedade
e a cidade é um monstro consumindo tua presença
não sei o que quero , mas tua ausência só me diz:
não sabes o que é o mundo...
e eu sei, pelo menos até saber-te perto
então transito, assim como se fosse tudo tão bonito
mas a brisa só deixa teu perfume a me dizer
não sabes o que é o mundo...
eu não sei
você é tão linda,
espero que um dia você perceba
essa beleza que vai muito além do reflexo do espelho,
e que as dificuldades da vida
não te façam uma escrava de si mesma
O OLHAR DE DEUS
Dentro de um universo há milhões de universos
e nada é tão claro, nada tão complexo,
Caetano nos diria num sorriso: se não fosse tão explicito...
num olhar de uma criança,
a anta bebendo no rio
ante a ameaça de um crocodilo...
tudo é desafio nesse poema de morte,
algo que comporte a vida
e se a vida é uma estrofe
e cada um de nós somos um universo,
o que seria a poesia
o rio mata a sede da anta, a anta alimenta o rio,
e ante todos os desafios o olhar da criança
é o olhar de Deus harmonizando o universo
Meu sonho
É só um sonho
Eu sonho só
E e o sonho é só meu
E por sonhar sozinho
Eu me avizinho ao sonho
Me descomponho
O sonho sonha eu
JUMENTO
Dorothy tinha um jumento...
Não um jumento jumento,
um jumento com sentimento e pressentimento,
mas era um tormento
imaginar o que as pessoas pensam
quando te olham bem dentro,
afinal era um jumento...
e era meio engraçado
o jumento no serrado
contemplando o eco sistema
e tentando poemas...
mas era um jumento,
um jumento que se apaixonava...
e se apaixonou por brida, a cabrita
e imaginou uma família,
e como seria ? sua filha berrando...
seu filho meio bode meio asno zurrando,
não daria certo, pensaou em bria,
filha da vaca estrela,
vinda de lannys no cinturão de orion,
imaginou jumentinhos e vaquinhas
intergaláticos galopando no universo...
imaginou-se astronauta
povoando os planetas
até que soava o rebenque
mostrando sua realidade quadrúpede,
dois cestos de cipó, dois centos de rapaduras
e a clientela da vilazinha a ver seu sofrimento...
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