Menino Lindo
Quero ser como o menino Davi: cuidar das ovelhas com paciência, cantar louvores com sua pequena harpa, e sonhar com o dia em que serei digno da coroa dos céus, podendo enfim estar na presença do Rei dos Exércitos, em um louvor eterno que transcende todo sofrimento.
Um menino de costas carrega nas mãos vazias
tudo o que não pôde salvar. O piano calado chora por dentro, o violão perdeu as cordas como quem perdeu a fé. Anjos sujos ajoelham na lama, pedindo perdão por não terem chegado a tempo. As máquinas, cansadas de pensar, aprenderam o silêncio. E mesmo assim, ao longe, a água insiste em cair, porque o mundo acaba muitas vezes, mas a vida sempre encontra um jeito de continuar descendo.
Minha infância ainda soluça em algum sótão da memória. Peço perdão ao menino que fui por não ter sido o herói que ele esperava.
Sou o adulto que tenta ser o abrigo para o menino que ainda chora em mim, esperando por uma justiça que o tempo não traz.
Dentro de mim ainda vive aquele menino ferido, o mesmo que um dia caiu de uma cachoeira, lançado contra a água gélida como se o mundo tivesse decidido testá-lo cedo demais. Eu ainda posso senti-lo atravessando o ar por um instante eterno, o silêncio antes do impacto, e depois… o choque brutal contra o frio, contra a pedra, contra a realidade dura do pedregal que não teve piedade. Durante muito tempo, tentei esquecer essa queda. Tentei agir como se levantar fosse suficiente, como se seguir em frente apagasse o que ficou cravado na pele e na alma. Mas a verdade é que ele nunca saiu de lá completamente… uma parte dele ficou presa naquele instante, molhada, tremendo, assustada, esperando que alguém voltasse. Hoje, eu volto. Hoje, eu desço até aquele lugar dentro de mim onde a água ainda é fria e o eco da queda ainda ressoa. E eu o abraço. Abraço com o calor que faltou naquele momento congelado, com a firmeza que o mundo não ofereceu quando ele se chocou contra a dureza da vida. Seguro aquele menino como quem resgata algo sagrado das profundezas, não para apagar a dor, mas para finalmente dizer: eu estou aqui agora… você não está mais sozinho. E então eu entendo. Ele nunca foi fraqueza. Ele foi o impacto que não destruiu, foi o corpo pequeno que resistiu à correnteza, foi o coração que, mesmo assustado, continuou batendo contra o frio, contra a pedra, contra tudo. Ele foi sobrevivência. E agora, ao invés de fugir daquela queda, eu a transformo em reencontro.
Permaneço com ele, no meio da água gelada, sobre as pedras irregulares da memória, até que o frio já não machuque como antes, até que o tremor se torne apenas lembrança, não mais prisão. Porque aprendi, da forma mais crua e mais verdadeira, que ninguém merece mais o meu amor do que aquele menino que caiu… e mesmo assim, não se perdeu de mim.
- Tiago Scheimann
Dentro de mim ainda vive aquele menino ferido, mas hoje eu o abraço, porque finalmente aprendi que ele também merece amor.
O MENINO QUE CRESCEU ENTRE AS MULHERES
Durante muito tempo, pensei que conhecia a resposta. Mas a vida tem o estranho costume de esconder as perguntas mais importantes.
Foi um senhor muito importante na minha vida que, certo dia, me disse com firmeza:
— Você não gosta dos homens. É um puxa-saco das mulheres.
Sorri por fora. Por dentro, aquelas palavras fizeram ondas que demoraram muito para se acalmar.
Seria verdade?
Comecei a revisitar a minha própria história.
Foi então que percebi algo curioso: eu nunca deixei de ter grandes amigos homens. Eles sempre estiveram ao meu lado. Amigos leais, presentes, companheiros de caminhada. Portanto, o problema não era esse.
A questão era outra.
Desde menino, o universo feminino ocupava quase todo o meu horizonte.
Nasci cercado por mulheres.
Brinquei com meninas.
Ao longo da vida, trabalhei com muitas mulheres. Ouvi suas histórias, aprendi com elas, admirei suas forças e fragilidades. Sem perceber, elas se tornaram maioria nas minhas lembranças, nas minhas fotografias e em boa parte da minha trajetória.
Talvez tudo tenha começado muito antes de eu compreender o mundo.
A primeira mulher que amei foi minha mãe.
Ela era meu porto seguro, meu abrigo, meu primeiro amor. Quando uma mãe ocupa um lugar tão grande no coração de um filho, sua presença continua iluminando muitos caminhos, mesmo depois da ausência.
Talvez, em algum canto silencioso da infância, tenha faltado um pouco mais da referência masculina para equilibrar essa balança invisível.
Nunca havia pensado nisso.
Até aquele dia.
Aquela frase continuava voltando, como um eco.
E, quase sem perceber, comecei a me aproximar ainda mais dos homens.
Não porque me faltasse amizade.
Mas porque havia um universo que eu ainda podia descobrir.
E descobri.
Descobri conversas sem máscaras, gargalhadas espontâneas, abraços discretos, lealdades silenciosas e uma cumplicidade que não precisa ser explicada.
Descobri que, por trás de cada homem, mora um menino que o tempo nunca conseguiu apagar.
Nada disso diminuiu o carinho, o respeito e a admiração que sinto pelas mulheres.
Continuo acreditando que elas não nasceram para serem decifradas. Talvez tenham nascido apenas para serem amadas, respeitadas e admiradas.
Também nunca escondi quem sou. Desde muito cedo conheço meus sentimentos e o caminho do meu coração. Algumas mulheres imaginaram que poderiam mudar isso. Nunca conseguiram, porque ninguém transforma aquilo que já nasceu verdadeiro.
Hoje continuo admirando as mulheres.
Mas também aprendi a celebrar, com a mesma alegria, a amizade dos homens.
Talvez aquele senhor, tão importante na minha vida, nunca tenha imaginado o alcance daquelas palavras.
Uma única frase não mudou quem eu era.
Apenas abriu uma janela que permanecia fechada.
E, quando olhei através dela, percebi que meus amigos sempre estiveram ali, esperando apenas que eu enxergasse, com mais calma, a beleza da amizade entre homens.
No fim, descobri que o coração não precisa escolher entre um universo e outro.
Ele é grande o bastante para acolher ambos.
Nereu Alves
O menino que cresceu sem colo não precisa aprender a construir muros. Ele precisa aprender que o colo não é um lugar que se perde. É um lugar que se encontra. E quando ele encontrar o colo de d'Ela, talvez ele descubra que a vida nunca o deixou completamente. Ela apenas o ensinou a procurar o amor com as mãos. Agora, ele precisa aprender a procurá-lo com o coração.
... coisas sobre Ele
O menino que cresceu sem árvore aprendeu a ser o próprio tronco. Mas agora há uma mulher que quer ser o chão onde ele pode finalmente deitar. Ele não precisa mais segurar o mundo. Ele pode, pela primeira vez, ser segurado.
Tempo Moleque
Um menino atrevido, impiedoso, jamais nos espera.
Seu tic-tac corta a vida como lâmina afiada,
um compasso que não retorna,
arrasta dia e noite sem pedir licença,
e ri de nossa impotência.
Brinca de nos surpreender,
adora novidades;
por instantes parece parar —
mas é uma armadilha,
uma ilusão que nos faz acreditar que dominamos.
Segundos e minutos escorrem como areia entre os dedos;
tentamos congelá-lo em uma fotografia,
mas ele escapa, zombando,
e nada jamais será o mesmo.
Passa, passa, e nos deixa vazios,
restando apenas lembranças que ardem.
Esse moleque cruel pinta e borda nossas vidas,
sem medir consequências, sem pedir perdão.
Nada detém o seu riso impiedoso:
o tempo moleque, tirano invisível,
faz de nós simples humanos
seu brinquedo favorito.
Helaine Machado
Menino Levado
Helaine Machado
Quieto demais pra chamar atenção…
perigoso demais pra ignorar.
Não promete —
faz sentir.
Não corre atrás —
faz você ficar.
E quando se revela…
já é tarde demais
pra não querer mais.
Helaine Machado
Não tenho um discurso tão maduro nem experiência que mude minha direção, sou um poeta menino apaixonado acreditando na força do meu coração;
Meu assédio é literalmente impávido aos sentimentos que amo, baseando-se no seu coração com grandes observações;
Atordôo-me em ter as certezas de que te agradei com minhas palavras tão singelas e carinhosas, porém presenteado com o seu mais belo sorriso;
Dor de Dente
Eu sou daqueles menino que pouco fala e não mente
Minha vó sempre dizia a mentira dá dor de dente
Eu sou daqueles menino que pouco fala e não mente
Minha vó sempre dizia mentira dá dor de dente
A minha vó me ensinou e hoje eu sou clarividente
Aprendi ver com clareza a bondade e seus acidentes
Minha vó me ensinou e hoje sou clarividente
Aprendi ver com clareza a bondade e seus acidentes
Enquanto menino sou um náufrago do destino que roçando os caminhos do coração encontrou seu amor divino
Do Meu Tempo
Demétrio Sena - Magé
Fui menino de fato menino, embora fosse um pensador e isso levasse a pensar que eu fosse maduro para minha fase.Tive medos infantis de mentiras, lendas, e levava parlendas a sério. Quando a menor das dores atacava meu corpo, minha mente se achava na hora da morte.
Era um jovem de arroubos, paixões e raivas típicas da juventude. Sentia-me no meu espaço e me aceitava exatamente assim, muito embora maldissesse o planeta. Como sei que fazem os jovens. Como faziam e continuarão a fazer.
Sempre fui um ser humano do próprio tempo. Jamais estive ou tentei estar além do que me era cabível, como indivíduo. Ao alcançar a meia idade, não tive crises de plenitude frustrada. Fui sem enxertos e drenos, por dentro e por fora.
Neste momento, arrasto meus passos para uma marcha lenta. Cada vez mais lenta. Sequer passa pela minha cabeça, forjar uma alma jovem nesta carcaça idosa. Muito menos apelidar a velhice de melhor idade. Não quero ter o meu corpo em conflito com a minha essência.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
Menino do coração despedaçado
É, lá vou eu de novo, mais uma vez me entreguei pensando ser a pessoa certa e tô aqui insistindo por atenção, tentando te convencer. Cara, na real, por que isso só acontece comigo? Isso dói muito, tô aqui me despedaçando por dentro.
Niño Muerto — Criança Morta
Matei um menino esses dias.
Ele ainda morava em mim.
Dormia no fundo dos planos,
nas promessas, nos enganos,
nos romances inventados
e nos sonhos exagerados
que eu chamava de futuro
pra não encarar o escuro
de aceitar que certas coisas
já nasceram sem durar.
O menino acreditava.
Esse foi seu maior pecado.
Achava que olhar bonito
era destino traçado.
Que silêncio era mistério,
não desinteresse calado.
Transformava migalha em festa,
fantasia em manifesto,
e qualquer toque pequeno
virava algo colossal.
Criava palácio em fumaça,
fazia altar de ameaça,
e chamava de “conexão”
o que era solidão
com maquiagem emocional.
Foi longe sustentando.
Nossa… como foi longe.
Carregou ausência no peito
como quem carrega medalha.
Defendeu gente vazia
em discussão, em batalha.
Mentiu pra si tantas vezes
que a mentira virou casa.
E toda ilusão alimentada
crescia igual incêndio em brasa.
Porque a idealização
é bonita no começo:
ela te veste de rei
mesmo afundado no avesso.
Te dá gosto de epopeia,
transforma carência em ceia,
faz o abismo parecer
só mais um caminho estreito.
Até que a realidade chega.
E ela chega sem poesia.
Sem música.
Sem fotografia bonita.
Chega igual água fria
invadindo quarto vazio.
Mostrando que o “pra sempre”
às vezes dura um desvio.
Que o amor que você jurava
era só necessidade.
Que metade da esperança
era medo da verdade.
Então o menino morreu.
Não com sangue.
Nem com grito.
Morreu quieto.
Sentado na beira da cama
olhando tudo aquilo
que ele chamou de destino
virar só mais uma lembrança
mal enterrada no caminho.
E o homem que ficou
aprendeu uma coisa amarga:
Quanto mais distante o sonho,
mais pesada fica a carga.
Porque toda fantasia
que a razão não desafia
uma hora cobra juros
com violência e ironia.
Hoje eu caminho mais seco.
Menos céu.
Menos excesso.
Porque crescer, às vezes,
não é ganhar maturidade.
É só descobrir
que a realidade
sempre encontra
a idealização escondida…
e termina o serviço
que a vida começou na ida.
OS EUA ameaçam a soberania do BRASIL, mas tudo bem, todo mundo quer a Copa do Mundo! Viva o menino Ney, viva a seleção.
É curiosa a enorme quantidade de esquerdistas que estão ansiosos pela estreia do Menino Ney! Estão sabendo que ele é bolsonarista?
