Menina que Existe dentro de Mim
Em minha viagem emocional, escorrego em lágrimas e deságuo em pensamentos que nem a mim pertencem mais.
Passo com afiliação a mão em meu peito, com o corpo trêmulo repenso como vim de parar aqui nessa viagem sem rumo a emoções que passeiam dentro de mim.
Tudo em mim busca por você. Eu acordo, começo meu dia, como todos os dias. Venho pro trabalho, faço o que eu tenho que fazer. Mas quando menos espero, sou tomada por pensamentos avassaladores que me tomam do estado de controle e me levam pros seus braços. Em meio aos devaneios, me vejo ardendo de desejo por você. Até que na obrigação de voltar e me recompor, tenho que mudar o meu foco dos pensamentos que me roubam de mim.
Quando os bons de coração têm como meta de se tornarem pessoas melhores-ainda, com bem pouco esforço eles o conseguem.
Mas quando esses mesmos tentam se tornar o oposto eles acabam fracassando nessas suas metas com bastante facilidade.
E quando os maus de coração querem se tornar pessoas piores eles conseguem isso com louvor e exigência de um profissional no assunto.
Mas quando esses mesmos ruins e falhos de caráter tentam se tornar o oposto eles acabam tendo um bom desempenho em enganar a todos.
Eles passam uma suposta melhora de que eles se tornaram pessoas boas, e também acabam ganhando a confiança de todos, mas na verdade eles são iguais às aranhas que são traiçoeiras e que leva as moscas para a sua teia e as devoram.
E nessa meta os ruis e falhos de caráter tem bastante facilidade de enganar e convencer a todos ao seu redor.
Dos amores e desamores que me visitaram
O primeiro — não foi bem-amado, mas necessário.
No segundo, tropecei às escuras, e ali me perdi.
O terceiro? Fagulha e incêndio. Do prazer ao desprazer, uma dança entre brasas.
O quarto, suor e paredes. Instinto sem enredo.
O quinto, breve ilusão com perfume de engano.
Do sexto, um pacto: conveniência, desejo e sedução mascarada.
O sétimo... ah, o sétimo. Teus olhos, a chave. Teus cabelos ao vento, tuas mãos — santo ofício do infinito.
O oitavo, desértico. Sem sal, sem açúcar. Um barco à deriva, explorado sem destino.
No nono, alquimia e êxtase. Fórmulas soltas no ar, afagos que me dissolviam no teu luminar astral. Ali, fui inteira.
O décimo, a queda. A conquista amarga, tua alma em desalinho — própria ao caos, imprópria à divindade.
Então veio ele — o que nunca se fez número, mas foi tempestade. Breve e explosivo, intempestivo e tempestivo. Nunca me esqueceste, pois era o que procuravas: tua chave do bem e do mal, tua colheita. O indígena dos teus olhos foi a única coisa que me fascinava. E mesmo não sendo eterno, foste ritual.
O décimo primeiro, aventuras secas. Mas vieram as águas. Yemanjá, tua onda me trouxe até aqui.
O décimo segundo? Distante, mas pontual — como um cometa.
E o décimo terceiro... será que virá? Teus olhos azuis e pequeninos me encantam. Mas há loucura nisso. E sei — és proibido para mim.
Um muito em mim...
Algumas pessoas que convivi carregam um pouco de mim, outras que convivo carregam um pouco mais,
Um pouco de mim esta nos lugares aonde já passei, um pouco de mim cresce em forma de saudades nos corações apaixonados das que um dia abandonei,
Aonde passei, deixei algumas gotas cair, aonde passei plantei amor em cima do vazio, eliminei a rotina e virei novidade,
Outras pessoas procuram páginas mal escritas, insistem na melancolia, eu prefiro ser a história bem vinda, prefiro ser a madrugada depois de muito acesa, bem dormida,
Um pouco de cada lugar, de cada pessoa, ou de cada coração apaixonado por mim que ainda escuto bater, vive muito em mim.
Brinquedos
Eu fiz de papel dobrado
Um barquinho e naveguei.
Fiz um chapéu de soldado
e soldadinho – marchei.
Fiz avião, fiz estrela
embarquei dentro – voei.
Agora fiz um brinquedo
– o melhor que já brinquei –
guardei num papel dobrado
o primeiro namorado
(o seu nome, eu inventei...)
"Aos valentes não é só a sorte que ajuda, como diz o velho provérbio, mas ajuda muito mais a razão."
Simplesmente sinto que as ideias dilaceram minha súbita noia, como se as letras formassem minha sentença. Penso e apenas penso. Sou mais do que isso. Sou a cômica agonia que dilata e dilata. O mundo não é o bastante para mim. Tudo é apenas pouco ou nada. Fico apenas em silêncio dizendo com ele tudo e com as palavras nada.
