Menina Boa

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Não posso mentir a você, não quero. Mas por favor não fantasie, menina, não seja demasiado adolescente.

Inserida por alines2

Assim são as coisas: os anos da boa colheita são também os anos da rataria.

A melhor qualificação para um poeta é ter boa memória.

A boa sorte dos homens é muitas vezes o maior inimigo que possam ter, pois frequentemente os transforma em seres maus, levianos, insolentes. Porém, é mais difícil para um homem resistir a ela do que às adversidades.

Quando estamos de boa saúde, admiramo-nos de como seria possível estarmos doentes; quando isso acontece, medicamo-nos alegremente.

A castidade, além de ser em si e virtualmente uma coisa boa, tem ignorâncias anatómicas e inconscientes condescendências com as impurezas alheias.

Para as almas dotadas de boa vontade, não há na vida um minuto que não tenha o seu dever.

De modo que não é fácil estabelecer se (a natureza) foi para o homem mais uma boa mãe do que uma madrasta cruel.

Todo tipo de música é boa, exceto as enfadonhas.

Uma boa ação invisível não é rendível.

Uma boa frase cria a sua verdade. É por isso que os políticos escolhem meticulosamente os seus slogans para criarem a deles.

Vergílio Ferreira
FERREIRA, V., Pensar, Bertrand, 1992

Para os que não conseguem governar a própria casa nem os povos, uma boa desculpa é dizer que estes são ingovernáveis.

É preciso possuir mais virtudes para manter a boa sorte do que para suportar a má sorte.

A ira nunca deixa de ter uma razão, mas raramente tem uma boa.

Ao pé de um bom estômago coincidiu sempre uma boa alma.

Em completa desolação, olhei para o mundo lá em cima. Vi o céu transformar-se de prata em cinza e em cor de chuva. Até as nuvens tentavam fugir. Vez por outra, eu imaginava como seria tudo acima daquelas nuvens, sabendo, sem sombra de dúvida, que o sol era louro e a atmosfera interminável era um gigantesco olho azul.

..Anos antes, quando os dois haviam apostado corrida num campo lamacento, Rudy era um conjunto de ossos montado às pressas, com um riso irregular e hesitante. Sob o arvoredo, nessa tarde, era um doador de pão e ursinhos de pelúcia. Um tríplice campeão da Juventude Hitlerista. Era seu melhor amigo. E ESTAVA A UM MÊS DE SUA MORTE... ESTAVA SE DESPEDINDO DELE, E NEM SABIA..

Arrancou uma página do livro e a rasgou ao meio. Depois, um capítulo.
Em pouco tempo, não restava nada senão tiras de palavras, derramadas feito lixo entre suas pernas e em toda a sua volta. As palavras. Por que tinham que existir? Sem elas, não haveria nada disso.
(…)
De que adiantavam as palavras?
Nada acolheu os chamados senão o silêncio.

Sou obrigada a continuar, porque, embora isso não se aplique a todas as pessoas da Terra, é verdade para a vasta maioria: a morte não espera por ninguém - e quando espera, em geral não é por muito tempo.

Viver.
Viver era ficar vivo.
O preço era a culpa, aliada à vergonha.