Memória
Às vezes penso em dar-te meu eterno desprezo.
Apagar-te da minha memória..
Mas quanto mais tento,
mais me afundo nesse poço de saudade!
..
Presa
na minha
memória...
Está a
nossa história...
Como ousei tanto
me apaixonar
por você...
Mas...
Meu coração
não tem juízo...
Segue por ai
sem destino.
Faz morada
onde não deve fazer.
Eu nunca esqueci do meu tempo de criança foi o melhor momento Tenho uma memoria aguçada ainda lembro do meu tempo de bebe sentada no colo de minha mãe ainda não andadva quem de vocês são capazes
Chamo meus amigos de latifúndios
De anjos, sempre que eu clamo na
Memória quem comigo nesta vida
Está unido no fracasso e na vitória!
Guria da Poesia Gaúcha
Senta, calma, eu vou contar uma história.
São flashes falhos que se estancam na memória
Uma menina que transbordava amor
E um amor que respirava solidão.
Um dia ambos se esbarraram no caminho
Devagarinho, os flagras de uma paixão.
Moraram juntos numa velha quitinete
Encontrada num jornal como manchete
Fruto de liquidação.
Viveram dias no torpor do paraíso
Nas madrugadas se livraram do juízo.
De transbordar o amor foi se evaporando
E os dois pararam de tentar se confortar
Um dia ela sussurrou considerando:
“Se a gente separa, com quem a arara, vai ficar?”
Então soltaram a arara aos quatro ventos
Se separaram e tornaram a caminhar.
E caminhando novamente sob a lua
Um esbarrão na chuva que molhara a rua
Foi transbordando novamente o coração
Daquela gente que vivia de paixão
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Cala a boca, memória! Basta, basta!
O que o Tempo te disse não me digas.
Que pareces até minha madrasta
Quando me vens cantar tuas cantigas.
Tua voz me faz mal e me vergasta,
E a chorar, muitas vezes, tu me obrigas.
Piedade, Memória leonoclasta,
Não despertes, assim, dores antigas.
Vai, recolhe-te à tua soledade,
E que o teu braço nunca mais me leve
À sepultura da Felicidade!
Segue um conselho meu, de ora em diante:
Junto a quem está de luto, não se deve
Falar de quem morreu, a todo instante…
Se a memória não funciona bem, pelo menos alguns sentidos estão aguçados, te ouço,te sinto,te cheiro,te vejo,te quero!
Memória
Com o tempo eu viajo, vagando
no mundo com a solidão dos meus problemas.
Em cada esquina eu me vejo, reflito
e deixo minhas pegadas para trás.
Das pegadas eu traço meus caminhos e
os guardo para sempre em minha memória.
Mas, minha memória é igual um novo caminho,
estará disponível a qualquer momento a receber
uma nova trajetória.
Foi garimpando na memória dos meus tempos de criança que encontrei o maior tesouro que precisava para conquistar tudo o que quero hoje, sim, minha esperança estava la nos meus cinco anos de idade.
Meus olhos reagem contra a inquietação da minha memória. Percebo uma lágrima gritante inudando o vazio daquilo que já não se espera mais respostas. Denomino este momento com a palavra: saudade.
Ainda penso nele. Talvez isso apenas signifique que minha memória é boa, mas talvez signifique que... que eu o amo. Muito.
[Invisível ao toque - Nat Bespaloff]
