Medo de Mim
Se achares-me elevado não rebaixe-se ao tentar rebaixar-me para parecer-se elevar-se, una-se a mim e eleve-se.
Eu mesmo não sei nada de mim, mas a historia poderia bem contar, cade os nossos registros, cade nosso museu onde se conta a nossa historia, precisamos de uma sala cultural, onde as fotografias, objeto e utensilio de nossos ancestrais que ao longo do tempo foram esquecidos por nos. Vamos resgatar a nossa historia e contar ao jovem com palestras e visitas a essa sala cultural, quem sabe algum jovem se interessa em não deixar morrer nossa historia...(Patife)
A festa ainda nem tinha começado, e para mim já se agonizava, ver casais dançando e ela nos braços de um outro a rodar pelo salão, e eu tentando esconder a tristeza com aquele sorriso debochado, e no meu canto já preparando a partida, mesmo sem saber que rumo tomar...(Mario Valen - Patife)
Não me queira bem ou mal por ouvir falarem de mim, venha me conhecer e terás toda razão do meu bem ou do meu mal...
(Patife)
Faça um brinde hoje a noite e pense em mim! E deixe um recadinho. Pode ser? Esse gesto me basta pra essa noite de natal...(Saul Belezza - Mario Valen - Patife)
Não fala comigo
Não me dá um bom dia
Não olha sequer para mim
Não pergunta se eu estou bem
Não interessa como foi o meu dia
Mas a minha paixão por ela só cresce mais.
VERSOS E AMARGURA
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Se de mim retirassem os enganos
Em mim apenas acertos restariam
Seria um poeta de versos levianos
Que como bolas de sabão se esvaziam
Prefiro ser alguém cujas conjecturas
Correm o risco de trazer amarguras
Do que ser um ser vivo sem opinião
Prefiro que me calem com mordaças
Do que ao me ouvirem achem graça
Por repetir os gracejos da multidão.
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Prefiro ser chamado de subversivo
Do que receber afagos dos opressores
Porque tais afagos só são oferecidos
Aos fracos em troca de favores
Com os quais traem a sua dignidade
E ganham uma falsa felicidade
Como troféu para a covardia
Prefiro ter a honra da clausura
Nos frios porões da ditadura
Do que a desonra na democracia.
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Se de mim retirarem os versos
Ainda me restarão os pensamentos
Que voarão na amplitude do Universo
Montados nas costas do vento
E baterão à porta de Deus
Que atendendo ao apelo meu
Mandará uma forte tempestade
Formada por poesias agudas
Que caindo regarão as mudas
Que aflorarão como liberdade.
E após a vida tirar-me aquilo que era mais importante, eis o que restou de mim:
um mísero vagalume, forçado a viver numa imensurável casca repleta de vazio
Expliquei-me aos que amava, mas não fui entendido. Então, expliquei-me a mim mesmo — e não me entendi. Olhei para o reflexo no espelho para ver quem eu era e, nos cacos quebrados, só enxergava fragmentos de uma alma ilegível. Olhei para a água do lago, e minha melancolia o perturbou: as ondas fugidias distorceram-me, reafirmando minha ausência no mundo. Então, expliquei-me à existência: ela me ignorou.
Como podem os ventos e a chuva tocar-me a pele? Como pode o sol, ao reluzir-me, criar sombra — se não sou nada e nem ninguém para nada e nem ninguém?
Ecoou canções em mim a tua voz;
aqueceu-me a alma com o teu abraço;
confortou-me o espirito o teu sorriso.
De todas as incertezas que tive na vida, a maior certeza é que deixei de cuidar de mim para cuidar de você, me anulei para o mundo, me escondi das pessoas para ser somente teu. Mas hoje chega de pensar em você, chega de ouvir tuas canções, chega de ler tuas poesias, chega de eu ser você... A vida passa enquanto eu deixo de viver e a vivo por você.
Nas ruas vejo que este mundo esta cheio de adulto feliz, passam por mim alegres e sorridentes tão despreocupados que nos arrastam sem perceber que estamos ali se não dermos passagem. Vez ou outra vejo uma criança chorando e tristonha. Na minha humilde visão, ou os adultos estão mais felizes ou as nossas crianças estão mais tristes.
Eu acho bonito mesmo
é essa reação que seu sorriso causa em mim e mais bonito ainda é o efeito que sua chegada causa em minha vida.
