Medo de Mim
O que eu queria? Eu queria que lutasse por mim. Queria que dissesse que não há mais ninguém com quem ficaria. E que prefere ficar só, do que ficar sem mim.
Percebi que todo saber que eu procurava podia ser encontrado em mim mesmo ou no grande livro do mundo.
Quem me dera ser liberto de mim Senhor,
Quem me dera perder-me em Ti;
Quem me dera não ser mais eu
Mas Cristo que vive em mim!
Conta pra mim de onde a gente se conhece.
De onde vem essa repentina admiração tão perene.
De onde vem o sentimento de que nossas almas dialogavam muito antes dos nossos olhos se tocarem.
Conta por que tudo o que é precioso no seu mundo me parece que já era também no meu.
De onde vem esse bem-querer assim tão fácil, assim tão fluido, assim tão puro.
Conta de onde vem essa certeza de que, de alguma maneira, a minha vida e a sua seguirão próximas, como eu sinto que nunca deixaram de estar.
Me entende, eu não quis, eu não quero, eu sofro, eu tenho medo, me dá a tua mão, entende, por favor. Eu tenho medo, merda! Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas. Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda-roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. Vou ali ser feliz e já volto.
Porque te dá um medo filho da puta: ser feliz, medo de amar, medo de ser bom. Tudo que faz bem pra gente, a gente tem medo.
"Parecia muito fácil matar-me em um acesso de desespero. Era bastante fácil fazer-me de mártir. Mais difícil era não fazer nada. Suportar a vida. Esperar".
A dor é espiritual: embora a saudade esteja no apego e de ficar só, que temos medo, a dor dói, a justificativa é sua!
“E na hora que eu te beijei, foi melhor do que eu imaginei. Se eu soubesse tinha feito antes, no fundo sempre fomos bons amantes”
HOJE EU ACORDEI SEM MEDO!
Semmedodevivero hoje.
Sem medo de não ser bom o suficiente.
Sem medo de não ser o que todos esperam de mim.
Sem medo de me olhar no espelho e ver a idade chegando.
Sem medo de está solteiro perto dos 30.
Sem medo de ser eu mesmo e isso inclui gostar de sorvete de menta.
Sem medo de ser um bom pai, mesmo que nunca tenha tido um pai como exemplo.
Sem medo de lutar pelos meus sonhos, mesmo que eles possam não dar certo.
Sem medo de chorar quando doer.
Sem medo de sorrir quando for engraçado, mesmo que só eu ache graça.
Sem medo de parecer um idiota quando gostar de alguém.
Sem medo de não ter o controle da minha vida sempre.
Sem medo de lutar por cada coisa que eu acredito nessa vida.
Hojeeuacordei sem medo de ter medo, e que eu possa acordar assim todos os dias até que um dia eu finalmente...
Glória
Vive dentro de mim um mundo raro
Tão vário, tão vibrante, tão profundo
Que o meu amor indómito e avaro
O oculto raivoso ao outro mundo
E nele vivo audaz, ardentemente,
Sentindo consumir-se a sua chama
Que oscila e desce e sobe inquietamente;
Ouvindo a minha voz que por mim chama
Em situações grotescas que me ferem,
Ou conquistando o que meus olhos querem:
Príncipe ou Rei sonhando com domínios.
Sinto bem que são vãs pra me prenderem
As mãos da Vida, muito embora imperem
Sobre a noção real dos meus declínios.
(in "Dispersos e Inéditos")
Ai de mim, Póstumo, Póstumo, fugazes / correm os anos; e as preces / não podem retardar as rugas a velhice / premente e a morte inevitável.
Amor é deus de paz; nós amantes, veneramos a paz; / para mim, particularmente, bastam as guerras com a minha mulher.
