Me Sinto Esquecido

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Quem vai atrás do passado esquecido não pode exigir nada de quem luta por uma vida digna.

Por que medir o meu regresso com um passado já esquecido? Dias melhores sempre virão para quem busca um futuro feliz, abençoado pela graça do Criador.

O passado esquecido nem sempre foi resolvido diante do assombro acuado; a revelação oculta não expõe os dias difíceis de alguém que não perdoou o próprio desejo.

O passado é passado: não há volta para recomeçar. Deixe-o esquecido, pois dele não virá recompensa nem milagre. O passado é como um museu antigo demolido, sem livros que possam reviver os dias de glória.

Você deseja o que um dia foi seu, mas o que se perdeu continuará esquecido, pois não há forma de restaurar. Depois que se perde o carinho, o colo e a estabilidade, só resta lamentar.

Enquanto estiveres vivo, serás visto e lembrado; após a morte, serás esquecido em pouco tempo. Fica a dica: tudo o que fizeres ficará enterrado contigo no túmulo

Esquecido, abandonado, lançado ao vazio do esquecimento.
Não é visto, nem lembrado por aqueles que juraram amor nos dias de glória.
Hoje, passa despercebido entre as pessoas — ignorado, como se não existisse.
A vida não perdoa quem a viveu sem jamais ter lhe mostrado respeito..

No silêncio do passado esquecido, espero por ti.
Na estrada deserta, na curva estreita, encaro o destino que insiste em me assombrar.
Se vivo de ilusões e a esperança já se dissipou,
peço-te: não busques saber onde estou.
Habito um limbo — esquecido até por mim —
sem rastros, sem lembranças, apenas sendo.
Aguardo, sem saber quando,
o dia incerto,
a hora de partir.

O amor, quando retalhado, esquecido, desprezado,
não ergue a voz, não exige,
nem interroga quem não soube acolhê-lo.
Ele se recolhe em silêncio,
como quem compreende que não se pode forçar
um coração que se recusa a sentir.


No entanto mesmo ferido, o amor permanece inteiro:
reconhece sua própria grandeza,
sabe que nasceu para florescer —
não para mendigar migalhas de afeto.
Pois o amor verdadeiro, ainda que rejeitado,
guarda em si a dignidade
de quem entende que merece ser vivido plenamente por quem o acolhe viver o amor.

Alma leve
Pensamento suave
Coração em paz
de repente a lembrança:
brinquedo esquecido
da criança que eu fui um dia
Sem querer algo me pesa
Uma certa tristeza
Vem sempre junto à saudade
e o tempo prosseguiu fluindo
Nesta vida da gente
Pouca coisa existe realmente
Pensamento é quase tudo
Portanto não vale a pena
Carregar lembranças que entristeçam
Quando a fruta apodrece
A semente germina
Uma coisa termina
Algo mais acontece
Pois nem sempre uma queda
Fatalmente
Quer dizer ruína
A gente pode sempre
Não lançar a pedra
Nem dizer palavra
Mas as coisas prosseguem
Estando aqui e ali
A vida rumando
A caminho de um fim
Talvez tudo simplesmente
Seja nada a caminho de nada
Porém
Ninguém afirmou, sem dúvida nenhuma
Que o nada
Realmente seja isso
Creio
Que talvez seja difícil agora
Olhar a tudo e compreender
Mas prossiga tentando
Intuitivamente a gente sabe
Que não nos cabem certas perguntas
Pois, nem todas elas
Juntas e mescladas
Poderão um dia
Responder a qualquer coisa
Pois a paz tão procurada
Quanto o brinquedo esquecido
Que a lembrança carregou na leve brisa
Continuam sempre lá
Tudo isso um dia a gente vai achar
Escondido nas dobras do tempo
Portanto
Mesmo que não sejam
Aquilo que imaginamos vazio
Precisa ser e estar
em equivalência com o Todo
O tudo e o nada
de forma a permanecerem
Perene e eternamente
Perfeitamente equilibrados
E é nisto que tudo consiste
Universo Perfeito
Alegria demais inexiste
e em contrapartida
nada pode ser assim... tão triste

Edson Ricardo Paiva

⁠Havia um miúdinho,
sem nome nem passado,
nu, esquecido,
andava sozinho pela rua,
escaldante de tão gelada,
como sombra sem dono.
Tinha um corpo
feito de cortes e pedras,
parecia ter sido mastigado
por calçadas com dentes.
Era um pobre coitado,
seguido sempre
por um cão magro,
tão sofrido,
igual a ele.
Sentavam-se no pedregulho duro
à espera de um fim.
O miúdo, paciente,
esperava que o cão partisse,
descansasse no reino dos cães,
para então poder matá-la —
a fome.
O cão, por sua vez,
até aprendera a contar horas,
de tanto esperar que o miúdo,
vermelho de dor,
fechasse os olhos
e dormisse de vez.
Assim, ele saciaria a fome
com lógica cruel,
mas destino cego.
O cão não ladrava,
e não sabia truques,
era inútil.
O miúdo, por sua vez,
também não sabia nada,
nada lhe ensinaram.
Era inocente,
imprestável,
invisível ao mundo.
Ambos só serviam um ao outro,
à ninguém mais.
Certo momento...
o miúdo, já derrotado,
deitou a cabeça no granito
para poder descansar o seu corpo cansado,
o cão, desesperado,
cravou como os seus dentes podres
no peito nu do miúdo,
com dó e piedade,
pois isso ainda lhe restava.
Mas morreu também,
porque o miúdo,
coitado,
não tinha carne sequer
para alimentar um cão.

Nunca devemos esquecer de amar ao próximo porque depois nós seremos esquecido, portanto amar o próximo é uma forma de transborda alegria e empatia sabedoria.

Quem olha para trás vê o passado esquecido.
Um tempo que já não vive em nós, mas permanece vivo na memória dos outros.
O que foi deixado de lado, o que não quisemos carregar, encontra abrigo em lembranças alheias.
O passado não desaparece — ele se transforma em silêncio, em cicatriz, em história contada por quem ainda se lembra.
E é nesse contraste que mora a verdade: aquilo que esquecemos não deixa de existir, apenas muda de dono.
O esquecimento é escolha.
A lembrança é resistência.
E entre os dois, o tempo constrói sua própria justiça.

ABISMO


Demétrio Sena - Magé


É amar esquecido, feito inexistente;
aguardando a centelha de alguma saudade;
crendo numa verdade afetiva sem fundo,
na semente que um dia julguei tornar fértil...
Definhar no meu sonho de ler nos teus olhos
a menor sintonia; um carinho disperso;
não achar um só verso daquele poema
que julguei ter composto em nossa construção...
Um amor dado inteiro sem pedir migalha
começou a sentir a solidão inteira
sob a falha da força que devia ter...
Eu te amo sem fim, entretanto me sinto
encolher feito folha e me desidratar
sem saber me tratar desse abismo profundo...
... ... ...


Respeite autorias. É lei

"É nas páginas mais claras da vida que um grande amor se guarda para jamais ser esquecido.”

"Hoje olhei para o céu e lembrei-me das cores que tinha esquecido"

Eu não sei se fui descartado, esquecido ou se ainda importo.

Davi foi rejeitado, esquecido até pela própria casa, ignorado por quem achava saber quem ele era. Mas Deus viu o que ninguém viu. Enquanto o mundo escolhe pela aparência, Deus escolhe pelo coração.
Nem sempre quem pensa saber o seu lugar, realmente entende o propósito. Às vezes, nem você sabe quem é, até Deus chegar e revelar.
A rejeição não era o fim de Davi, era o caminho. O que parecia atraso era preparo. Quando Deus decide, ninguém impede: Ele tira do anonimato, honra o esquecido e coloca no lugar que sempre foi seu por direito.

Qual a graça de agradar ao outro
se o coração fica esquecido?
De que vale o aplauso externo
quando o silêncio interno é ferido?
A vida acontece enquanto você existe
ou só quando, de fato, decide viver?
Existir é passar pelos dias,
viver é se permitir ser.
E o que é uma história bonita?
Uma fábula bem inventada?
Ou aquela escrita com cicatrizes,
verdade, quedas e alma escancarada?
História bonita é a que pulsa,
não a que tenta parecer perfeita.
É a que foi vivida com coragem,
mesmo tremendo, mesmo imperfeita.

Eu quero ser real e nunca se esquecido, e como premio as lembranças de um homem romântico que um dia eu fui;