Me Perdoa mas eu Tentei

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A chama de toda vela se apaga
E todo vento que sopra
Passa por mim sem ser visto
Mas eu posso ver, sentir e ouvir
As coisas que o vento move
A brisa no rosto
O ruído do sopro
Na alegria da chama da vela
Que faz festa e que dança
Sempre que o vento passar por ela
Sem saber se cera e pavio
Vão poder queimar até o fim
de vez em quando ela chora
E lá fora, feliz a folha balança
Sabendo que o verde amarela
Em seu tempo, toda folha cai
Pode ser que um sopro mais forte
Precipite a folha, apague a vela
A existência da dúvida
Incerteza constante
Vem por graça nesta vida
Bruxuleante, a vela desconhece
Em qual instante
Há de extinguir-se a chama
Senão, nenhum vento
Seria bom o suficiente
Por mais tempo a folha tivesse
Se houvesse certeza
Nada nunca seria o bastante.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Existe alguma coisa em minha vida
Que eu na verdade
Nunca soube entender muito bem
Parece que em algum momento
Eu devia ter caído em algum abismo
Um lugar que era frio
e não cai
mas deixei por lá uma parte de mim
O difícil em conviver com isso
É que as coisas que ficaram
Eram de lá
Me acompanha o vazio
Não das coisas que perdi
Pois nada nunca me pertenceu
Me acompanha o vazio
Do espaço oco reservado a mim
De um lugar que jamais foi meu
Mas em contrapartida
Aprendi com a vida
Não mais pertencer a um lugar
Nem a nada e nem ninguém.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Eu não sei que outro nome se dá
Pra'quela coisa que tem um nome
Mas que cuja pronúncia
Me causa uma coisa ruim
E que eu não sei dizer que nome tem
Eu queria saber explicar
Que espécie de dor é esta
Um desconforto que cresce
E ao mesmo tempo
Me transporta, me deixa absorto
Dói em tudo quanto é lugar
Mas não sei te dizer onde dói
É algum tipo de chama
Fria e gelada
De olhar o Céu muito azul
E só ver nuvens de tempestade
É ver a idade avançar antes do tempo
Com tudo de ruim que o tempo faz
E depois do tempo, o nada
Uma pressa que termine o dia
Mesmo sabendo que amanhã
Essa dor que me acompanha vai voltar
Uma dor de tristeza que não passa
E que não pensa em me deixar
Creio
Que se realmente existe uma alma
Essa dor tá doendo é lá.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Brumas.

Desde que eu estou aqui
Tenho aceitado
A tudo que o destino impõe
Desde menino, assim tem sido
As coisas que tentei mudar e consegui
Só deram certo porque
Meu destino era tentar
Eis aqui todo sentido
Desde o primeiro colo
À derradeira queda ao solo
Desde a primeira hora
Mesmo não concordando
Pois de vez em quando
Todo mundo se revolta
Porém, cada volta que o mundo dá
Cada prece escrita
Cada coisa que achei bonita
Estava lá para eu vê-la
Alguma coisa as põe no caminho
Assim como estrelas no céu
Que todos veem
Porém, tê-las não se podem
Aparecem sempre as brumas
Que vem do nada e as escondem
O destino nos quer assim
Assim como quer que não queiramos
Isso nos molda
Como as peças de um quebra cabeças
Onde tudo se encaixa
Quando a gente acha
Uma ou outra parte
Destarte nunca acharmos outras
Pois pra isso existe o tempo
Que parece curto, que parece longo
Porém, jamais outra peça
Apesar de ser
Ele faz parte do engano
E da arte de viver
Desde a primeira vez
Que nossos pés tropeçam
E aprendemos nos reeguer
Sem que o mundo estenda a mão
Minh'alma, que um dia foi tola
Se molda, se encontra, se encaixa
Em meio à uma imensa engrenagem
Entre o pássaro e a semente
Entre a folha e o vento
Entre o homem e Deus
E a revolta e a escolha
Entre a estrela e a paisagem
Entre a vida e o momento
Cada volta do mundo sem conta
Faz parte do engano do tempo
Que parece curto, que aparenta andar mais lento
e faz parte do jogo...e está contando
desde que eu estou aqui.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Prece sem Razão


Não sou o dono de qualquer verdade

Nem senhor jamais eu fui

De nenhuma vontade, além das minhas

Eu não tenho aquele olhar que exclui

Não é minha a voz que manda

Tenho os sentidos que ouvem

E olhares que veem

Não faço parte do grupo que tinha ou que tem

Enfim

Sei que fica tudo sempre tudo bem

Porque as coisas são assim

Se olhar direito e prestar atenção

A voz da ilusão não combina com ela

Fica sempre aos mais atentos

A velha impressão que essa voz não vem dela

Uma das duas é bela, outra não

Não sou dono de qualquer verdade ou senhor da razão

Sigo a voz dos ventos sussurrando em meus ouvidos

Fecho os olhos pra enxergar sentido

Porque sei que as coisas são assim

E que, apesar de tudo

Tudo fica sempre tudo bem

Porque é assim que as coisas são

Razão, verdade, ilusão ou sentido

Antes, nunca tinha me sentido assim

Até que um dia percebi

Que a voz da ilusão

Junta gente em multidão e grita em frente à praça

Enquanto a voz dos ventos me procura

Quando estou na mais completa solidão

Na hora escura da vida

Numa prece humlide, na beleza mais bonita da verdade

Na simplicidade da oração

E cura a dor sentida, num sorriso de alegria

Carrega a tristeza que eu tinha

E tudo fica sempre tudo bem

Porque não sou dono da vontade de ninguém

Além das minhas

Sinto-me em paz

Me encontro em mim

E fica tudo sempre tudo bem

Sem qualquer necessidade de que exista uma razão.



Edson Ricardo Paiva.⁠

Inserida por edsonricardopaiva

Eu não compreendo o que se passa
Quando percebo
que pequenas coisas que me emocionam
Para a imensa maioria
Não tem e nunca terão
A mínima importância
A chuva durante uma tarde de verão
A nova versão de uma canção antiga
Uma pequena vitória
de qualquer pessoa amiga
O mendigo que sorri para você
Agradecendo a graça dividida
A tristeza inexplicável que eu sinto
Quando termino de ler um bom livro
A insustentável sensação
de ser e não ser livre
A vontade de saber voar
Contrastando com o medo de altura
A doçura do sorriso
daquela pessoa desconhecida
Que posou despercebida
Numa foto antiga da família
A saudade de amigos ausentes
O gosto de pitanga
Que a memória gustativa
Traz à boca
Eu posso sentí-las nos dentes
As plantinhas que nasciam
Nos cantos dos jardins
Nas escolas da minha infância
Incríveis coisas invisíveis
Que enxergava e ainda enxergo
Não é possível que os demais
estejam cegos

Inserida por edsonricardopaiva

Acabou-se o mês de janeiro
As contas que eu paguei dão a impressâo
Que já passou-se um ano inteiro
Em fevereiro acabam-se as férias
Fizeram o mês com menos dias
Que alegria!
Para aumentar a miséria
O brasileiro, sem rodeios
Tratou de colocar um carnaval alí no meio
Em pouco tempo chega março
Em menos tempo o correio traz as contas
Eu me embaraço e vou pagando
passo a passo
Passa-se o mês e a gente nem viu
Já é abril
Que já começa com mentira
de um jeito ou de outro
todo mundo se vira
Só eu que me atrapalho
Ainda bem que já é maio
Comemoramos o trabalho e as noivas
Que no final
São a mesma coisa
Chega junho e a gente nem viu
Simbora fazer fogueira
Comemorar a colheita do milho
Meu filho
Estamos em julho
Que desgosto!
Tem hidrofobia em agosto
Passam-se setembro, outubro e novembro
de janeiro?
Nem me lembro
Mês que vem já é dezembro
E assim a vida vai passando:
Praia, carnaval, quentão
fome, miséria, corrupção
violência, ignorância
Um dia a vida acaba mesmo;
pra quê dar tanta importância ?

Inserida por edsonricardopaiva

À ver
O ódio, o desprezo e a indiferença
Que dividem entre si as pessoas
Eu prefiro a companhia dos pássaros
Prefiro parar por aqui
E viver apenas de lembrança
À ver
O que está se tornando este mundo
E como são falsas e fingidas
As relações mais sinceras
Eu prefiro a companhia das feras
Prefiro relembrar o que esqueci
E viver mais uma vez de esperança
À ver
No que se tornaram as relações humanas
dizendo, pensando e fazendo
As coisas mais absurdas e insanas
Eu prefiro a companhia das iguanas
Esquecer que também sou gente
Viver de me esconder somente
À lembrar
de como as coisas um dia foram boas
Eu queria a companhia das pessoas
Que não sei aonde foram parar
Talvez tenham previsto antes que eu
descoberto o que foi que aconteceu
e fugiram, nem me avisaram
Talvez estejam todos brincando de enganar
fingindo ter perdido a humanidade
Mas, meu Deus
Se não for de brincadeira
Se este Mundo de agora é mesmo de verdade
Me leva embora, Deus meu
Na primeira oportunidade!

Inserida por edsonricardopaiva

Eu quero viver
Num mundo sem muro
Eu quero que o espírito das árvores
Nos eduque
Andar em tapetes de flores
Eu quero caminhar num mundo
Em que hajam pedras
Porém, que meus pés não se machuquem
Eu quero apenas
Companhias inocentes
Cientes da noção
De que raizes, estrelas e corações
Originam-se das mesmas matrizes
tem todas a mesma matiz
Luzes que decantam
Sob o prisma da sabedoria
Que abrange e há de abranger
A imensa maioria
Que caminha sob o mesmo Céu
e sob O Mesmo Olhar Complacente
de Constelações
de Astros e de Gente

Inserida por edsonricardopaiva

Às vezes, muitas vezes
Eu sinto uma imensa, muito imensa
Muito imensa mesmo
Uma saudade imensa, bem maior
Do que muita gente pensa
E penso nele, penso e me pergunto
Por que é que a gente repete e repete
e repete tantas vezes o mesmo assunto?
Quanta coisa a gente tinha pra dizer
e não disse...
Queria que ele me visse agora
Queria que ele me dissesse
Que sentiu a minha falta
Queria que ligasse pra mim
Qualquer hora dessas
Queria conversar um dia
Sem pressa
Ou gente por perto pra apressar a gente
Um dia o tempo acaba
Um dia um de nós dois se vai
Nunca se sabe
Queria dizer
Pai, meu coração é bem pequeno
Mas você ainda cabe.

Inserida por edsonricardopaiva

Eu tenho uma caneca de café
Que traz um sorriso pintado
Se eu me sinto aborrecido
Olho pra ela; não há como ignorar
É um sorriso daqueles sem paga
Parece até que perdi o juízo
Mas é que sou tradicional
sou fiel, metódico e sistemático
Gosto de ler os mesmos jornais
As mesmas revistas e todas as bulas
Preservo há anos o mesmo emprego
Os mesmos amigos e o amor da mesma mulher
Faço as coisas do mesmo jeito
Toda semana
E tomo sempre outro café
Na mesma caneca que traz
Um diferente sorriso
Estampado na mesma porcelana
Um sorriso meio de lado
Meio ingênuo e meio malandro
Meio bucólico e meio assim...
rindo de mim
Mas ainda é um sorriso
Quando ninguém sorri pra mim
Ela está lá
Me esquecem os amigos
Briga comigo a mulher
Tenho problemas no trabalho
Ficam com raiva de mim
aqui em casa
Eu abro o armário
E ela está lá; sorrindo
Minha única amiga de fé
Me estende sua única asa
E me convida pra um café.

Inserida por edsonricardopaiva

um petista morrer de vergonha seria o mesmo que eu morrer de câncer de útero: Aquilo que não temos não dói.

Inserida por edsonricardopaiva

Sandra

Outro dia eu sonhei
Com uma casa que a gente morava
Onde você, desde pequena
Acordava, fazia sorrir e sorria
Mas sempre havia um dia
Em que você estava brava
Eu ria, chamava a Patrícia
E a gente brincava
Outro dia eu passei lá em frente
A alegria se foi
Nem vale mais à pena passar lá
Os jardins estavam mal cuidados
A pintura desbotada
A casa não lembra em nada
Aquilo que foi um dia
Quem vê nem imagina
Os dias de alegria
Qua a gente viveu por lá
A vida sempre prossegue
A gente fica assim
de coração vazio
Como ficou vazia a casa
Hoje em dia
Acho que a gente nem mais consegue
Voar com aquelas asas
Mas, meu Deus...como eu queria
Brincar com a menina em fraldas
E ver brilhar
Aqueles olhos cor de esmeralda
Que quando me lembro, eu rio
Diferente daquela casa
Só de lembrar
Meu coração não é mais vazio.

Inserida por edsonricardopaiva

Hoje em dia não posso mais
Correr como eu corria
Se eu tentasse
Tenho certeza
Que com o tempo
Recuperaria o meu fôlego
Perderia esse jeito
Trôpego de agora
Não vejo razão pra isso
Não há mais com quem correr
Aqueles amigos partiram
Os meninos que corriam
Se foram todos embora
Não saem mais para brincar
Parece que me esqueceram
Inventaram uma brincadeira
de esconder
Em que a gente procura
E não encontra
Entraram num túnel
de onde ninguém sai
depois que entra
E eu fiquei aqui
Sentado à sombra da saudade
Privado da liberdade
de rir como a gente ria
E a cada amigo que partia
Uma parte da minha vida
Consigo eles levaram
Ou será que ainda estão lá
Esses pedaços?
Em cima de árvores que cortaram
Ruas de terra que asfaltaram
Bicicletas que enferrujaram
Nos planos que a gente fez
e eles não viveram
Pra cumprir
Foram viver em outros mundos
Outros planos, outros níveis
Às vezes eu os sinto aqui
Ninguém vê, só eu os vi
Pois hoje eles são apenas
Meus amigos invisíveis.

Inserida por edsonricardopaiva

Certas palavras
Algumas visões
Muitas coisas
Das quais eu pouco entendo
Em determinadas situações
Tem me feito muito mal
Sendo a Humanidade uma só
Mesmo assim
Nem todo mundo é igual
E as coisas que a gente vê
Fazem saber
Que conhecimento é armadilha
E quem julga possuir
O conhecimento como um todo
Está fadado a grande engodo
Em muitos casos
O ardil mais preciso
Se esconde num simples sorriso
A mentira mais sem noção
Muita gente usa quando diz
Que traz você no coração
São coisas que a gente escuta
de gente pra lá de astuta
Que traz grandes inverdades
Em algo chamado amizade
Faltam muitos sentimentos
Que sejam
Realmente nobres
Como em qualquer regra de três
As grandezas não variam da mesma forma
Mas de minha parte não são
E nunca serão
Inversamente proporcionais
Muita gente acha normal
Mas a mim faz muito mal.

Inserida por edsonricardopaiva

Eu vi a luz que se apagou
Eu vi a morte flutuar no espaço
Algo ali surpreendeu
E fez com que de repente
Eu pensasse não ser eu
Eu vi o homem que galgava
Cada degrau daquela escada
A caminhar pro cadafalso
E cada passo dado em falso
Era uma aproximação verdadeira
Do seu derradeiro laço
Eu ouvia todos os hinos
Louvando e glorificando
A condenação simples e pura
de todos os juízes
Traídos, em suas sentenças
Atrelados e atados
Às duras barras, onde amarraram
Lado a lado
No lodo dos tribunais
Com sua justiça de barro
Eu vi a cara da fome
e suas irmãs, felizes
Eu vi sete celeiros cheios
Para alimentar sete juízes
Eu vi caírem
Todos os governos deste Mundo
Num lapso de tempo
Que não durou
Mais que um segundo

Inserida por edsonricardopaiva

Algum dia vocês vão olhar pra isso
e querer falar comigo
sem poder mais
E eu vou rir de vocês.

Inserida por edsonricardopaiva

O dia nasceu e eu olho pra ele
O Sol à brilhar, pássaros voando
Crianças sorrindo
Mas o Mundo não é mais aquele
Algo nele se perdeu
Eu juro que tento
Confesso que estou atento
Ouvindo as palavras que diz-me o vento
Não vejo a mesma alegria
Que eu via em outros tempos
Nem consigo esboçar o sorriso
Que sorri em momentos passados
Parece que tudo ficou no caminho
em dado momento
E hoje aqui
Eu choro sozinho
Escondendo meu rosto
Ninguém percebe
E Assim prossegue o dia
Sem mostrar o brilho que havia
Vejo alegria em outras caras
E sigo vivendo
Este Mundo não pára
Escrevo uma triste poesia
Em menos de um minuto
Enxergo e sou surdo
Porque
Se ainda me fala a alegria
Não escuto.

Inserida por edsonricardopaiva

Eu fico irritado em ver meus poemas e demais frases copiados e colados por pessoas que desrespeitam direitos autorais.

Inserida por edsonricardopaiva

Tento entender
O que se passa comigo
Com o Mundo
Com a vida
E enquanto isso
O tempo passa
E eu envelheço sem saber
O Mundo gira sem sentir
A vida escoando
Por entre os dedos
Eu procuro dar sentido
Na medida em que coincidem
As várias modalidades
de incerteza
das vidas que aqui vivemos
Meu Mundo e único abrigo
Onde a melhor amiga
é esta vida
Na qual eu mesmo
Faço de mim
O pior inimigo

Inserida por edsonricardopaiva