Me Perdoa mas eu Tentei
Guabiruba Poética
Eu te amo do pé
até o topo do Mirante,
e no Morro São José
onde o Sol te beija
como um diamante.
Tu és amada por mim
com vasos nas mãos,
com teus sabores postos
na mesa e com teu povo
que é a tua maior riqueza.
Eu te amo com toda
a tua História raiz
e imigrante europeia,
És a Guabiruba poética.
Tu ergueste cidade e memória
com teus bravos filhos
originários, alemães,
italianos, poloneses e austríacos,
e fez-se assim muito brasileira.
Eu te amo com as linhas
da vida entrelaçadas
com a querida Brusque,
por todas as jóias têxteis
que tu na vida fizestes.
És a Guabiruba poética,
e assim te amo por tudo
o quê fostes, és e ainda será,
no meu coração tu és o quê
demais precioso sempre existirá.
Eu sei bem
quem eu sou,
e que em dias
normais quem
veste calças
escreve poesias
para inquietar
e em outros dias
quem veste saias
escreve poesias
para perturbar.
Quem possui
pensamentos
de libertação,
quem é poeta
não é liderado,
me leve a sério:
o autoritarismo
mora ao lado.
Quem nasceu
herdeiro de um
vero legado,
sabendo que há
prisões politicas,
jamais seguirá
em frente e calado.
A cautela exigida
Que eu deveria ter
Por andar sozinha
E nua nessas letras,
É fazer a mensagem
Caber na métrica.
Não consigo retê-la
Porque a injustiça
Assombra o peito,
Ela criou o preso
E arremessou
Para bem longe
A cons(ciência)
Da tua cabeça.
A liberdade espraiou
Nos corações
Dos eleitos guardiões
Das Américas,
Os sinos não hão
De dobrar nem por ti,
Devolva cada filho
Da onde o senhor
Não deveria ter tirado
Da austral realidade,
Aprenda a conviver
Com a verdade.
Por andar
Sozinha
Eu deveria:
Ter cautela.
Só consigo
No máximo
É equilibrar
O quê escrevo.
Em dias
Normais
Deixei tudo
para trás.
Sei que te
Impuseram
O tirano
Silêncio.
Em todos
Os tempos
E verbos,
Por ti não
vou parar
De gritar
Em todos
Os versos:
-Que não
aceito!
Seguem não
Temendo
Nenhum veto,
Meus poemas
São pacíficos,
Mas estão
Em protesto.
Não nasci
alheia,
me aturem,
Mas não
me lancem!
Porque se
for assim
para longe
eu corro,
para criar
impulso.
Do destino
a dançarina
predileta
do abismo,
eu sou provocadora,
notória
e declarada
ironia.
Nota celestial
da canção
de um mês,
Escândalo
vizinho
da onde
o silêncio
virou freguês.
Amanheceu
mais um dia
sem notícia,
Exatamente
como eu
imaginava,
É por causa disso
que não mais
não me permito
não tocar
neste assunto,
O silêncio
tem sido
indecente
e abusivo
e não está
parando
de transbordar,
é de direito divino
não parar de falar.
Testemunha daquilo
que eu não vi
ao mundo tenho que
fazer esse relato:
ecoou o som do
berimbau quebrado,
no chão o Moa
foi estirado por
causa das doze
facadas de um
sujeito autoritário.
Avança a violência
política programada,
só não vê a verdade
aquele que não quer:
avança o plano da
instalação de um
regime de exceção,
engulo a seco o meu
receio por ser mulher.
Implacável é a dor
pátria que sinto no
meu peito que ecoa
a indignação contra
os repressores dos
dois lados que com
ambas as retóricas
tornaram o diálogo
quase impossível
impedindo que o
povo unido encontre
o melhor caminho.
Dizem que as urnas
não funcionaram
no primeiro turno,
uns até as filmaram,
eu não sei o quê irá
daqui para frente
conosco acontecer.
O povo mesmo que
não cedeu a sedução
passou por um
caminho apertado,
e os que caíram
na tentação do papo
estão arrependidos.
É triste ver que
tem gente que
não se permite
fazer o caminho
de volta porque
reduziu a sua
crença na vida
em viver da
aprovação alheia
só por achar que
pode fazer uma
plateia para
sempre satisfeita.
Você que gosta de
zombar com os
nervos alheios só
para aparentar
fazer parte de um
plano que nunca
te pertenceu,
é bom que saiba
que a vida cobra,
e que tens a total
a responsabilidade
de responder pela
democracia que
ajudou a esconder.
Quando o segundo
turno passar não
adianta querer
fingir que a mim
não provocou
e que a honra
de ninguém atingiu,
porque o quê
deveria ser falado
por causa da
sua baderna
foi impedido de
ser esclarecido,
e levará o país a
um destino maldito.
Enquanto eu
não ouvir
a voz daquele
que defende,
Serei oceano
de versos
em transbordamento,
Porque já pelo signo
do destino,
Tens mais do que
a glória suficiente,
Você mergulhou
para salvar a tua gente,
E eu a distância serei
um poema por dia
Com as cordas
do meu coração
pela tua libertação.
Na urgência de falar
152 vezes o quê sinto,
Eu me autorizo sem
documentário clamar
Por aqueles que presos
não deveriam estar.
Sou aquela que
quando o verso
Se encerra não
paro de reclamar.
Aos poetas cabem
a coragem de falar
Em qualquer tempo
lugar e aonde for
Ordenado calar.
No raiar e declinar
de cada dia é de direito
Nosso ter passaporte
Para qualquer lugar,
só porque somos poetas,
E o Universo é o nosso lar.
Eu estou aos gritos,
E dando mais de mil
Voltas em círculos,
Porque é impossível
Aceitar uma prisão
Que começou do nada,
E não houve comunicação.
Não há como aceitar
Prisão sem provas
E sem julgamento,
Porque não deixa de ser
Uma tortura em silêncio.
Assim em alta tensão
Soube da notícia
Que recebeste a visita
Da sua família
Como o céu azul recebe
O calor do sol,
E isso é de direito,
E não uma concessão.
Dizem que você está
Sendo bem tratado,
Mas ainda não
É justo e jamais
Será o suficiente,
Porque todos sabem
Que és inocente.
Que me custe
asua simpatia,
E mesmo que
eu fale muito,
Ainda não será
o suficiente,
Pois falo não
para agradar,
Mas para colocar
os fatos no
Seu devido lugar.
Abro o paraquedas,
salvo o verbo para
Que salvem as letras,
em missão de dar um
Fim na tirania e dar
asas à liberdade
Do lado dos profetas.
Que me custe
aantipatia alheia,
Não me importo,
sou ouro e crisol,
Sei lidar com
aalucinação insana
Que não reconhece
que a política
Também faz os seus
militares presos,
E supõe quea
libertação deles
Não nos adianta,
e que não resolverá
O problema do país,
a arrogância jamais
Irá me impressionar,
pode virar a cara
E levantar o nariz!
Abro o suficiente
a verdade,
E sei que adianta,
porque nada se faz
Quando não se tem
Mais a liberdade.
Caviúna-preta florescida
em São Paulo, meu poema,
Logo que eu chegar
te quero florescida plena
para com Versos Intimistas
vir a te celebrar inteira
com o coração e a alma serena.
Amavelmente neste Sul
o Pinheiro brasileiro
nos brinda com as pinhas,
E eu agradeço sempre
com os meus Versos Intimistas.
Eu sei o quê fizemos
no Verão passado,
Vivemos um romance
tórrido e sensual
que resultaram
em Versos Intimistas,
poesias de amor
e uma eterna paixão.
Como o Pau-d'arco
floresce sob o céu
do Mato Grosso
eu escrevo sobre
os teus olhos
que inundam com
tudo os meus sonhos,
De Versos Intimistas
em Versos Intimistas
vou escrevendo
a rota que irá mostrar
o caminho da mútua
conquista porque no final
sempre é o amor que dá
todo o sentido para a vida.
Um Carimbó bem
dançado debaixo
do Ipê entre eu você,
Não é preciso nem
dizer mesmo com
os meus Versos Intimistas
que estamos no Pará
e nós dois juntos somos
só alegrias nascidas
para amar e conviver
nesta sedução que não vai findar.
Eu vi o meu doce amor doce
debaixo do Ipê-de-flor-amarela
linda imagem do paraíso
nesta bela e amorosa terra
Por ele tenho mil razões
para ser a Poetisa dos Ipês
e pela devoção que temos
sobre a nossa abençoada terra
Prossigo carinhosamente
com os meus Versos Intimistas
espalhando sempre poesias
Até o final que não haverá
porque estaremos unidos neste
amor que não é pouco e resistirá.
Versos Intimistas que levam
tudo da Taipoca amorosa,
Você sabe que eu sou
a sonhada dama delicada
e cheia de paz afetuosa
que anseia pela sua
mão amável e carinhosa.
Você não me diz nenhuma
palavra e eu também não,
é porque um anda embalando
o outro no ninho do coração.
Como o Pau-d'arco deseja
florescer um para o outro
assim sonhamos ser,
e nem o tempo há de deter.
Tudo entre nós tem parecido
uma orquestra afinada
que até anda fazendo música.
Não duvido do encaixe da gente,
e não preciso nem de cronologia:
somos poesia indelevelmente.
