Me Desculpe Nao Quiz te Magoar
Meu corpo não será velado, se alguém tiver a má intenção de lhe oferecer coroa de flores, pode se render à hombridade de convertê-la em quentinhas para tentar enganar a fome de moradores de rua.
O que torna o mundo tão medonho não são feridos gemendo, mas a invalidação pelos que ainda não precisam gemer.
Não há jeito mais medonho de perder Tempo do que passar Tempo longe do Dono do Tempo.
Há os que erroneamente acreditam que o Tempo só se perde nas distrações, nos atrasos, nos desvios da vida…
Mas, na verdade, não há forma mais sombria de desperdiçá-lo do que tentar vivê-lo longe Daquele que o sustenta.
Distante Daquele que até dele é Senhor.
Tempo sem sentido é aquele que tentamos carregar sozinhos — como quem tenta segurar água nas mãos.
Esse é o Tempo que inevitavelmente escorre, some e evapora.
Estar longe do Dono do Tempo é caminhar com pressa, mas sem destino; é preencher os dias, mas não a alma; é envelhecer por fora sem amadurecer por dentro.
Quando nos afastamos da Fonte, até os minutos pesam.
Mas quando nos reaproximamos, até o silêncio floresce.
O Tempo ganha outra textura quando lembramos que não somos seu dono, apenas passageiros.
E que sentido maior existe do que entregar essa travessia a quem conhece todos os portos?
No fim, o maior desperdício não é o Tempo perdido — é a vida não vivida na presença de quem a criou.
É ali, e apenas ali, que os dias se encaixam, que as horas respiram e que o Tempo, enfim, encontra propósito.
Tempo bom é aquele vivido nos braços de seu Dono!
O que ameaça o status quo dos opressores não é a força bruta, mas sim a emancipação intelectual e a agência política dos oprimidos.
Os opressores muito raramente temem punhos cerrados; o que verdadeiramente os inquieta são mentes despertas.
A força bruta é previsível e quase sempre pode ser reprimida, rotulada e até esmagada.
Já a emancipação intelectual não se deixa algemar com facilidade: ela questiona, desmonta narrativas, expõe privilégios travestidos de ordem natural.
Quando os oprimidos passam a compreender as engrenagens que os nivelam por baixo, o status quo começa a ruir por dentro.
A consciência crítica retira do opressor o monopólio da verdade e devolve ao oprimido algo que sempre lhe foi negado: a capacidade de nomear a própria dor, de decidir e pavimentar o próprio caminho.
A agência política nasce desse despertar.
Não é grito vazio, é escolha; não é caos, é organização.
Por isso assusta tanto.
Um povo que pensa com a própria cabeça não aceita migalhas como destino nem silêncio como virtude.
Ele passa a participar da história, em vez de apenas sofrê-la.
No fim, não é a violência que ameaça os opressores, mas a lucidez — especialmente a coletiva.
Porque ideias libertas não pedem permissão para existir — e, uma vez semeadas, impossibilitam fingir que opressão é ordem e injustiça é destino.
Muitos que reclamam das horas que voam no relógio da cozinha, não caminham com as pantufas da empatia num corredor hospitalar.
É ali, nos silêncios ensurdecedores de verdade nua e crua, que o tempo quase sempre aprende a se arrastar.
Reclamam das horas que voam, impacientes com a demora do café, do almoço, da vida que parece não obedecer ao próprio ritmo.
Mas poucos são os que caminham, ainda que por instantes, pelos corredores hospitalares.
Ali, o tempo não corre — ele pesa.
Cada passo é um acordo silencioso com a incerteza, cada segundo se estica como se quisesse ensinar algo que não cabe em palavras.
O silêncio nunca é vazio: é denso, cru, carregado de verdades que dispensam explicações.
É nesses corredores que o relógio se dissolve e a experiência se materializa.
Onde minutos não se contam, se suportam.
E talvez seja ali que aprendamos que o problema nunca foi o tempo que voa, mas a leveza com que julgamos o peso do tempo do outro.
Talvez o mais trágico não seja os humanos terem que provar para as máquinas, o tempo todo, que não são uma delas.
O drama maior parece estar na naturalidade com que passamos a imitá-las — e, pior, na pressa com que nos deixamos confundir com elas.
A máquina não sente cansaço moral, não hesita diante do outro, não se constrange com a própria indiferença.
Quando o humano começa a responder sem escuta, decidir sem empatia e repetir padrões sem reflexão, não é a tecnologia que o desumaniza: é a abdicação silenciosa daquilo que o tornava distinto.
Há um perigo sutil em trocar o tempo do cuidado pelo tempo da eficiência, a dúvida honesta pela resposta pronta, o encontro pelo desempenho.
Nesse processo, já não é a máquina que nos exige provas de humanidade; somos nós que, pouco a pouco, deixamos de exigi-las de nós mesmos.
No fim, talvez a pergunta mais urgente e necessária não seja “como convencer as máquinas de que somos humanos?”, mas “em que momento nos tornamos tão confortáveis em agir como se não fôssemos?”.
Quem promete amparo sem compromisso não estende a mão; estende o tapete para a ilusão desfilar.
A Crueldade do Fingido “Conte Comigo”
Pouquíssimas atitudes conseguem ser tão medonhas e adversas quanto as dos que oferecem ajuda sem a real intenção de fazê-lo.
Há gestos que ferem mais do que a recusa explícita.
A ajuda oferecida sem a real intenção de ser cumprida carrega um peso extremamente silencioso, quase cruel.
Ela acende uma esperança frágil em quem já está cansado de lutar sozinho, apenas para deixá-la apagar no abandono seguinte.
Esse mau exemplo de atitude a não ser seguido não nasce da generosidade, mas da necessidade de parecer bom, útil ou moralmente elevado.
É um afago no próprio ego travestido de solidariedade.
Quem promete amparo sem compromisso não estende a mão — estende o tapete para a ilusão desfilar.
E ilusão também machuca tanto quanto a desilusão.
Para quem recebe, o dano é duplo: além da dificuldade original, soma-se a frustração de ter acreditado.
A decepção não está só na ajuda que não veio, mas no tempo, na confiança e na dignidade que foram colocados à espera.
Talvez por isso a honestidade curta e grossa — àquela sem rodeios e desculpas esfarrapadas — de um “não posso” seja infinitamente mais humana do que a encenação de um “conte comigo” vazio.
Porque a verdadeira ajuda não se anuncia; ela se concretiza.
E quando não pode ser feita, ao menos não fere fingindo existência.
Viver em sociedade exige concessões silenciosas, não guerras sonoras, a sua liberdade termina onde a minha paz começa.
A Limitação Cognitiva e a Ditadura do Volume
Talvez esperar bom gosto de quem não tem bom senso seja mais um distúrbio: pura limitação cognitiva.
Porque não se trata apenas de preferência musical, mas da incapacidade de compreender que o mundo não é uma extensão do próprio quarto ou da sala, nem um palco particular onde todos são obrigados a assistir ao mesmo espetáculo.
Não dá para esperar um bom repertório escolhido por puro capricho, antes de tudo, para invadir.
O som que atravessa muros, janelas e a paciência alheia deixa de ser expressão cultural para se tornar imposição.
E toda imposição é, em essência, uma forma preguiçosa de poder: a de quem não argumenta, não dialoga, apenas aumenta o volume.
É verdade que o bom gosto é muito subjetivo.
O que agrada a uns pode ser insuportável a outros.
Mas o desrespeito ao bem-estar alheio não é questão de opinião; é um problema concreto de convivência, de civilidade mínima, de noção básica de que o outro existe e importa.
Confundir liberdade com licença para incomodar é um erro muito comum — e perigosamente aceito.
Mas qualquer imbecil funcional deveria ao menos perceber que, num mundo com mais de oito bilhões de pessoas, é impossível escolher vizinhos por afinidade musical ou paixão por ruídos.
Viver em sociedade exige concessões silenciosas, não guerras sonoras.
Exige entender que o direito de fazer barulho termina exatamente onde começa o direito do outro de ter paz.
No fim, o problema não é o volume do som, o estilo musical ou a caixa potente…
É a ausência de empatia caprichosamente amplificada.
E quando o bom senso é desligado, não há playlist que salve a convivência.
Que Deus nos livre dos que confundem alegria com euforia e liberdade com licença para nos incomodar.
Às vezes, o que mais dói ao estar numa guerra é não poder gastar energia noutras guerras.
Porque o que mais dói ao estar numa guerra não é apenas o confronto em si, mas a renúncia silenciosa que ela nos impõe.
Toda guerra consome foco, tempo, fôlego e até alma.
E, enquanto lutamos para sobreviver a uma, somos forçados a abandonar outras batalhas que também nos chamam…
Afrontas ignoradas ou engolidas, goela abaixo, sonhos adiados, causas esquecidas ou abandonadas, afetos que entram para a fila de espera…
Há dores que não nascem do ataque do inimigo, mas da consciência de que nossa energia é finita.
Escolher lutar uma guerra é, inevitavelmente, desistir de muitas outras.
Não por covardia, mas por limite.
O corpo cansa, a mente sangra, e o coração aprende, a duras penas, que não dá para estar inteiro em todos os fronts.
Talvez a maturidade não esteja em vencer todas as guerras, mas em reconhecer qual delas precisa, agora, da nossa presença de corpo e de alma.
As demais não deixam de importar; apenas aguardam um tempo mais habitável, quando lutar não seja apenas resistir, mas também voltar a viver.
Que possamos e saibamos escolher nossas guerras.
Pai, se não puderes passar de mim esse cálice, permita-me ao menos cuidar dos meus antes de sucumbir-me ao cansaço da alma.
Há momentos em que a fé não implora o milagre da retirada do cálice, mas a misericórdia de adiá-lo por amor.
Não é a negação do sofrimento, mas o reconhecimento de que há responsabilidades que ainda pesam mais do que a própria dor.
Quando a alma se vê exausta, não é rebeldia suplicar por tempo; é humanidade.
É dizer: Pai, eu aceito o peso, mas deixa que minhas mãos ainda sirvam, que meu olhar ainda proteja, que minha presença ainda seja abrigo.
Pois, há dores que não escolhem hora, mas há amores que não aceitam partir sem antes cumprir o cuidado.
Cuidar dos seus, mesmo à beira do esgotamento, também é uma forma silenciosa de oração.
É fé traduzida em gesto, em permanência e renúncia…
Não se trata de heroísmo, mas de fidelidade: a fidelidade de quem sabe que o fim pode esperar alguns instantes quando o amor ainda precisa ficar.
E talvez seja nesse intervalo — entre o cálice e a rendição — que Deus mais se revele.
Não como quem afasta a dor, mas como quem sustenta o coração para que ele não se torne empedernido.
Porque às vezes, a maior graça não é ser poupado do sofrimento, mas não deixar de amar enquanto se sofre.
Quando eu me calar, eu sei que o mundo não sentirá saudade da minha voz, mas se alguém sentir, que se contente com ela.
Sei que o mundo seguirá em frente — como sempre seguiu — indiferente à ausência da minha voz.
Não porque ela não tenha existido, mas porque os ruídos do mundo, muito raramente, o deixam perceber silêncios que não gritam por atenção.
Ocupado demais com os próprios ecos, ele não notará a falta de uma voz tão insignificante que nunca quis ser multidão.
E está tudo bem.
Porque quando eu me calar, talvez não seja por ausência de palavras, mas por excesso de lucidez.
Há momentos em que falar já não acrescenta, explicar cansa e gritar não cura…
Então o silêncio deixa de ser fuga e passa a ser escolha.
Nem toda ausência precisa virar ruído.
E nem todo silêncio é pedido de aplauso.
Se alguém sentir saudade, que a sinta por inteiro, sem pressa de transformá-la em cobrança.
Saudade não exige devolução, não pede palco e nem reclama resposta.
Ela apenas existe — como prova de que algo foi dito, vivido ou sentido no tempo certo.
Ainda assim, se alguém sentí-la, que não lamente.
Que se contente com ela.
E que guarde essa voz como quem guarda um copo d’água no deserto: não para exibir, mas para lembrá-la.
Porque há vozes que não foram feitas para ecoar em multidões, e sim para alcançar um coração de cada vez.
O silêncio, quando escolhido, não é derrota nem esquecimento.
É o berço do descanso da alma…
O lugar onde a palavra aprende a ter peso justamente por não ser dita.
É a forma mais honesta de permanecer inteiro quando as palavras já não alcançam.
E se restar alguém que sinta, que se contente com o sentir.
Porque há afetos que não precisam de voz para continuar verdadeiros — sobrevivem, intactos, exatamente no espaço onde o silêncio começa.
Quem não se curva aos caprichos dos apaixonados — não precisa mendigar respeito, sobretudo de gente tão confusa.
Especialmente das que confundem coisas tão simples como: arrogância com bravura, autoritarismo com autoridade, discurso de ódio com liberdade de expressão e bajulação com admiração.
Salve as Forças Armadas brasileiras!
São tão confusos a ponto de trocarem princípios por gritos, razão por devoção cega, e coragem por brutalidade.
Chamam arrogância de bravura, como se elevar a voz fosse prova de grandeza.
Confundem autoritarismo com autoridade, sem perceber que a verdadeira autoridade não se impõe — se sustenta.
E ainda se vestem de discurso de ódio com o rótulo de liberdade de expressão, ignorando que liberdade não é licença para ferir.
E, pasmem, confundem descaradamente bajulação com admiração, porque nunca aprenderam a respeitar sem se ajoelharem.
O problema não está em ter convicções, mas em permitir que elas substituam o discernimento.
Paixões desenfreadas não constroem — atropelam.
E quem vive de idolatria costuma se ofender com qualquer espelho que revele a própria incoerência.
Respeito não se implora.
Se pratica, se demonstra, se preserva.
E quem sabe disso não se curva a histerias coletivas nem se deixa intimidar por certezas barulhentas e vazias.
Salve as Forças Armadas brasileiras —
não como instrumento de paixões momentâneas,
mas como instituições de Estado,
que existem para servir à nação, à Constituição e à ordem,
nunca a delírios, vaidades ou projetos pessoais.
Porque maturidade democrática também é saber distinguir força de violência,
autoridade de abuso,
e amor ao país de fanatismo disfarçado de patriotismo.
O amor não se sustenta nem se eterniza só na calmaria, mas também na fidelidade nas tempestades.
Na saúde, na doença e na eterna gratidão por estarmos juntos.
Sem revolta, passamos o Natal no hospital.
Sabíamos — e seguimos sabendo — que o Grande Aniversariante veio pelos doentes.
Sem revolta, passamos o réveillon no hospital.
E hoje, sem revolta, passaremos também o nosso aniversário de casamento no hospital.
Porque sabemos que estar juntos não é circunstância — é aliança: na saúde e na doença.
Naquele que tem autoridade até sobre a tempestade, confiamos:
Ele jamais permitiria que a atravessássemos se não pudesse dominá-la.
Mas ainda assim, Pai Amado, humildemente Te suplico:
restaura a saúde da mulher da minha vida —
aquela que me deste por esposa.
Toca seu corpo com a Tua cura,
acalma sua alma com a Tua paz
e renova suas forças dia após dia.
Dá-nos vigor quando o cansaço insistir,
silêncio quando o medo tentar falar mais alto
e esperança quando os dias parecerem longos demais.
Sustenta-nos na travessia
e permite que, ao final dela, saiamos mais inteiros,
mais gratos
e ainda mais unidos em Ti.
Que o Pai Amado continue abençoando a nossa jornada!
A Ti, Pai, gratidão por mais um ano de casados!
Amém!
Não me preocupo com os que acreditam em Papai Noel, mas com os que alugam as cabeças e ainda acreditam que pensam com elas.
No fundo, a inocência dos que acreditam em Papai Noel ainda lhes conserva alguma forma de beleza.
O que realmente inquieta é perceber quantos, já adultos, seguem alugando as próprias cabeças — entregando seus pensamentos a quem grita mais alto, a quem promete atalhos, a quem dispensa qualquer reflexão.
Assusta menos a fantasia do bom velhinho do que a fantasia medonha de autonomia que muitos carregam.
E carregam-na com tanta convicção que quase sempre ela é bordada nos berros.
Pensam que pensam, mas apenas repetem ecos, devolvem opiniões prontas, vestem certezas emprestadas.
E, assim, vão cedendo o território mais sagrado que existe: o da consciência.
Talvez o verdadeiro e mais urgente milagre não seja acreditar em Papai Noel, mas resgatar o direito — e o trabalho diário — de pensar com a própria cabeça.
De duvidar, questionar, investigar…
De não permitir que ideias venham com contrato de aluguel, mas que sejam construídas com autenticidade, esforço e liberdade.
Porque, no fim, a maior ilusão não é a de um presente — embalado na inocência — na noite de Natal, mas a de viver sem perceber que a mente foi entregue ao comodismo, à manipulação ou ao medo.
E nada é mais urgente e necessário do que retomá-la.
A valorização de um trabalho não reside no reconhecimento alheio, mas na liberdade que ele te dá para o próximo passo.
O lugar em mim
Preciso viajar,
não para conhecer um lugar novo,
mas para reencontrar
o lugar que, em mim, outrora se perdeu.
Um lugar onde eu possa
reencontrar sonhos de infância,
momentos simples
cheios de significado.
Um lugar onde, no mesmo dia,
eu poderia ser Superman ou Batman,
ou apenas uma criança da Terra do Nunca,
onde tudo era pura diversão.
Preciso reencontrar esse lugar
e voltar a acreditar que a vida
é como uma festa de aniversário,
o Dia das Crianças
ou o encanto de se apaixonar
pela professora Helena, da novela Carrossel.
Uma vida feita
de sentimentos simples
e de uma infância feliz.
Nunca desista de crescer.
Não limite sua sapiência. Lembre-se do quanto que você evoluiu, e saiba que a sabedoria é infinita. Se você tivesse desistido na primeira queda; ainda estaria engatinhando.
...Por um mundo melhor; "cresça.
(Nepom Ridna)
