Me Desculpe Nao Quiz te Magoar
No palco da vida, apaixonamos não o que o outro é, mas sim, o que projetamos (CLARIANO DA SILVA, 2016)
Pai, mãe e irmãos você não escolhe. Mas amigos sim! A vida é feita de escolhas, então se permita trazer ao seu convívio pessoas melhores que você, que agregam, que ensinam e que acima de tudo possam trocar maturidade de vida (CLARIANO DA SILVA, 2019).
Não define a pessoa pela função ou cargo temporário, mas sim pelo olhar de sua formação cultural, intelectual e humildade de reconhecer o outro com auteridade (CLARIANO DA SILVA, 2020).
Meu e seu.
Sem plateia, sem testemunha, sem tradução.
O que escrevemos aqui não pertence ao tempo,
nem ao olhar de ninguém —
é só a marca do que foi sentido na carne,
na calma dele e na minha intensidade.
Eternizei porque doeu bonito,
porque curou devagar,
porque amou sem pedir licença.
Este registro não é público:
é relicário.
Se um dia o mundo for barulho,
que estas páginas sejam refúgio.
Meu e seu.
Para sempre no que não precisa ser dito,
mas só reconhecido.
Tatianne Ernesto S. Passaes
Na distância, teu nome arde em mim,
como chama que não se apaga.
Tentei vestir a razão, mas ela se rasgou
diante do toque invisível da tua ausência.
A saudade não pede licença,
ela invade, domina, me consome.
E cada lembrança tua é um beijo suspenso,
um abraço que nunca se desfaz.
Se o tempo insiste em separar,
meu coração insiste em te buscar.
Pois amar é este eterno retorno,
mesmo quando o corpo não pode estar.
Tatianne Ernesto S. Passaes
Ser à prova de balas não é vestir ferro, é carregar no peito um coração que sangra e ainda pulsa. É chorar em silêncio e, mesmo assim, amanhecer. É ser ferido pelo mundo, mas não se deixar despedaçar.
A solidão pode ser um deserto, mas até no deserto há estrelas que brilham. E cada lágrima que cai é um rio secreto, que escava dentro de nós a coragem de continuar.
À prova de balas é ser humano em sua forma mais pura: errar, perder, sentir, e ainda assim resistir. Não para salvar o mundo inteiro, mas para salvar o próprio fogo que insiste em arder.
Porque vencer o mundo não é derrotá-lo, é aprender a dançar com suas tempestades, e transformar cada cicatriz em poesia.
Tatianne Ernesto S. Passaes
A dor é um idioma secreto, falado apenas dentro de nós. Não há tradução perfeita, não há ponte que permita ao outro atravessar e sentir exatamente o que sentimos. Ela é chama e sombra, é ferida e revelação. Surge como um sussurro no corpo, mas logo se torna grito na alma.
A ciência nos diz que a dor é um sinal, um circuito elétrico que percorre nervos e chega ao cérebro. Mas o que ela não explica é o silêncio que se instala depois, o vazio que se abre quando o sofrimento nos obriga a olhar para dentro. A dor não é apenas descarga neural: é memória, é emoção, é história.
E a filosofia nos lembra que a dor é inevitável, que ela nos acompanha como sombra fiel. Schopenhauer a via como essência da vida, Nietzsche como força que nos molda, Frankl como oportunidade de sentido. A dor é o peso que nos curva, mas também a pedra que afia nossa resistência.
No íntimo, a dor é paradoxal: ela nos isola, porque ninguém pode senti-la por nós, mas também nos aproxima, porque todos, em algum momento, conhecem sua presença. É universal e singular ao mesmo tempo.
E talvez seja justamente aí que reside sua intensidade: na impossibilidade de ser medida, comparada ou negada. A dor é verdade absoluta, uma chama que arde em cada ser humano de forma única. E, ao atravessá-la, descobrimos que não somos apenas frágeis — somos também capazes de transformar sofrimento em força, ausência em busca, ferida em poesia.
Tatianne Ernesto S. Passaes
A dor é o fio invisível que costura a condição humana. Não escolhemos senti-la, mas ela nos escolhe, como se fosse uma visita inevitável que atravessa o corpo e se instala na alma. É mais do que um sinal de nervos e tecidos — é a lembrança de que somos frágeis, mortais, expostos ao mundo.
Só quem abandona o trono de areia descobre que a verdadeira grandeza não está em ser servido, mas em servir, não está em negar o outro, mas em se tornar ponte, rio, abraço.
Tatianne Ernesto S. Passaes
O tempo é sábio, e ensina que crescer não é somar anos, é aprender a suportar o silêncio, a ouvir o que fere, a aceitar que o sol nasce para todos.
O adulto que não aprendeu a ser inteiro carrega dentro de si uma criança órfã, que grita por atenção, que se recusa a dividir o brinquedo da vida, que congela o gesto de dar como se o mundo fosse apenas seu reflexo.
O maior desafio é admitir que não é o mundo que nos inferioriza, mas nós mesmos que nos recusamos a enxergar nossas limitações.
O amor que se torna amizade é uma travessia silenciosa, mas carregada de eternidade. Ele não se apaga, não se dissolve no esquecimento, mas se reinventa em outra forma de presença. No início, o amor é vertigem: é o encontro que acelera o coração, a urgência de estar junto, o desejo que não conhece limites. É chama que consome, é tempestade que arrasta, é promessa de infinitude. Mas o tempo, com sua sabedoria paciente, mostra que nem sempre a intensidade pode ser sustentada. O que permanece, então, é a essência — e essa essência, quando verdadeira, se transmuta em amizade.
Essa metamorfose não é perda, mas conquista. O que era paixão se torna confiança; o que era desejo se torna cuidado; o que era promessa se torna memória viva. A amizade que nasce do amor carrega uma densidade única, porque conhece os segredos, os silêncios, os abismos e as alturas. É uma amizade que não se constrói apenas no cotidiano, mas que guarda em si a lembrança de um encontro que já foi maior do que a vida.
Há uma filosofia profunda nesse processo: compreender que os vínculos humanos não precisam se romper para mudar. O amor não desaparece, apenas muda de forma, como a água que deixa de ser rio para repousar como lago. Continua a ser água, continua a ser essência, mas agora habita outra paisagem. Já não corre com velocidade, mas reflete o céu com serenidade. É permanência, é horizonte, é eternidade.
E há também uma poesia nessa transição. Amar e depois ser amigo é reconhecer que a intensidade não é a única medida da verdade. É perceber que o amor não precisa sempre arder para existir — às vezes, basta iluminar. E nessa luz tranquila, descobrimos que o amor, mesmo quando deixa de ser paixão, continua a ser presença. Ele se torna companheirismo, cuidado, memória viva. Ele se torna amizade.
No fundo, o amor que se torna amizade é uma vitória contra o esquecimento. Ele prova que os encontros autênticos não se desfazem: apenas se reinventam. E nessa reinvenção, descobrimos que o amor, mesmo quando deixa de ser chama, continua a ser calor. Não como incêndio que consome, mas como brasa que sustenta. Não como tempestade que assusta, mas como horizonte que acolhe.
Assim, o amor que se torna amizade é mais do que uma transformação: é um testemunho de que nada do que é verdadeiro se perde. Apenas se transforma. E nessa transformação, encontramos talvez a forma mais pura de eternidade: quando o amor escolhe sobreviver em outra forma, não como paixão que devora, mas como amizade que permanece.
“Quando algo que diz respeito a alguém é atravessado, o que se perde não é apenas a forma, mas o direito de conduzir o próprio tempo e a própria história.
Respeitar limites é uma forma de cuidado. Quando eles não são observados, mesmo sem intenção, isso pode ferir.”
“Há momentos que pedem silêncio, tempo e delicadeza.
Quando são atravessados, não é só a ordem que se perde, mas o direito de viver cada etapa no seu próprio ritmo.
Respeitar o tempo do outro também é uma forma de cuidado.”
Há tempos que não podem ser apressados, porque carregam em si uma delicadeza própria. O silêncio, o intervalo e a espera são partes essenciais do viver. Quando atravessamos etapas sem respeitar o ritmo, não apenas desorganizamos o caminho, mas também roubamos do outro o direito de sentir plenamente cada instante. O cuidado, nesse sentido, não é apenas presença ou palavra: é também saber se retirar, dar espaço, permitir que o tempo cumpra sua função. Respeitar o tempo do outro é reconhecer sua humanidade, é oferecer um gesto de amor que não se impõe, mas que acolhe.
