Me Deixa Viver
Quando a solidão se torna previsível para uma máquina, ela deixa de ser apenas um sentimento e passa a ser também um dado.
Quando o Direito deixa de perguntar “é justo?” e passa a perguntar apenas “é conveniente?”, a barbárie encontra sua burocracia.
“Quando a lei abandona a dignidade, a vida continua existindo, mas deixa de encontrar proteção onde deveria encontrar justiça.”
“A liberdade não começa quando o Estado deixa o homem partir, mas quando já não precisa lhe dizer para onde ir.”
“Quando o Direito protege o mais forte porque ele já é forte, deixa de administrar a justiça e passa a administrar o privilégio.”
“Quando a lei pretende possuir Deus, o Estado deixa de governar homens e começa a governar consciências.”
Quando Deus deixa de ser uma certeza, a pergunta sobre Deus pode permanecer como uma das mais profundas experiências humanas.
“Quando a esperança entra no Direito, o futuro deixa de ser promessa e começa a ser responsabilidade.”
Onde a censura dita o verbo, o Direito deixa de ser a arte do justo para se tornar a coreografia da tirania.
Quando a lei se arma contra a palavra, ela deixa de proteger a praça pública para fortificar o calabouço.
O Direito amadurece quando deixa de perguntar apenas “quem tem razão?” e começa também a perguntar “a quem devemos reconhecimento?”.
Quando o Direito agradece à sociedade, deixa de parecer uma técnica de poder e revela-se como uma forma de responsabilidade.
