Me Deixa Viver

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Quando a solidão se torna previsível para uma máquina, ela deixa de ser apenas um sentimento e passa a ser também um dado.

A solidão digital é o momento em que a comunicação deixa de ser encontro e passa a ser desempenho.

Quando a lei se ajoelha diante do poder, o Direito continua escrito, mas deixa de existir.

Quando a exceção deixa de pedir desculpas à regra, a exceção tornou-se regime.

Quando o Direito deixa de perguntar “é justo?” e passa a perguntar apenas “é conveniente?”, a barbárie encontra sua burocracia.

“Quando a lei abandona a dignidade, a vida continua existindo, mas deixa de encontrar proteção onde deveria encontrar justiça.”

“A liberdade não começa quando o Estado deixa o homem partir, mas quando já não precisa lhe dizer para onde ir.”

“O Direito começa onde a desigualdade deixa de ser acaso e passa a ser poder.”

“Quando o Direito protege o mais forte porque ele já é forte, deixa de administrar a justiça e passa a administrar o privilégio.”

“Quando a lei pretende possuir Deus, o Estado deixa de governar homens e começa a governar consciências.”

“O Direito começa onde a existência deixa de ser apenas fato e passa a exigir reconhecimento.”

Quando Deus deixa de ser uma certeza, a pergunta sobre Deus pode permanecer como uma das mais profundas experiências humanas.

“Quando a esperança entra no Direito, o futuro deixa de ser promessa e começa a ser responsabilidade.”

“A razão jurídica começa quando a autoridade deixa de ser argumento suficiente.”

Onde a censura dita o verbo, o Direito deixa de ser a arte do justo para se tornar a coreografia da tirania.

Quando a lei se arma contra a palavra, ela deixa de proteger a praça pública para fortificar o calabouço.

O Direito amadurece quando deixa de perguntar apenas “quem tem razão?” e começa também a perguntar “a quem devemos reconhecimento?”.

Quando o Direito agradece à sociedade, deixa de parecer uma técnica de poder e revela-se como uma forma de responsabilidade.

A Justiça começa onde a dignidade humana deixa de depender da conveniência do poder.

A investigação jurídica começa quando a aparência deixa de ser suficiente.