Me Deixa que hoje eu To de Bobeira

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AS PÁGINAS DO AMANHÃ

Se o amanhã continuar escrevendo com a tinta de hoje, as páginas do futuro carregarão as mesmas manchas que recusamos apagar.

Os céus estarão mais próximos, mas os corações mais distantes.

As máquinas aprenderão a conversar com os homens, enquanto os homens desaprenderão a conversar entre si.

Haverá cidades de vidro, pontes de luz, estradas cruzando oceanos e naves tocando outros mundos.

Mas ainda existirão muros invisíveis separando irmãos pela cor, pela fé, pela riqueza e pela origem.

As bibliotecas caberão na palma da mão, e o conhecimento correrá mais veloz que os rios.

Entretanto, a sabedoria continuará rara, como água em terra seca.

O homem enxergará o nascimento das estrelas distantes, mas permanecerá cego ao sofrimento da casa ao lado.

As florestas pedirão socorro num idioma que todos entenderão, e ainda assim muitos fingirão não ouvir.

Os mares devolverão aquilo que receberam. O vento cobrará suas dívidas. A terra lembrará aos homens que nenhum império é maior que a natureza.

As multidões estarão conectadas por fios invisíveis, mas a solidão caminhará entre elas como uma rainha.

Os números crescerão. Os lucros crescerão. As torres crescerão.

E, por vezes, o próprio homem diminuirá.

Mas as páginas do amanhã não estão completamente escritas.

Entre as linhas da ganância, ainda existe espaço para a compaixão.

Entre as palavras do medo, ainda cabe a coragem.

Entre os capítulos da destruição, ainda pode nascer uma nova história.

Porque o futuro não é uma sentença.

É um manuscrito aberto, segurado pelas mãos da geração presente.

E quando os filhos do amanhã abrirem suas páginas, lerão não apenas o que herdaram de nós,

mas aquilo que tivemos a coragem de mudar.

As páginas do amanhã ainda estão em branco nos cantos mais importantes.

E é justamente ali que a humanidade escreve o seu destino.

ONTEM E HOJE

Ontem,
a carta cruzava estradas,
levando notícias e emoção;
Hoje,
a mensagem corta os céus
na velocidade da conexão.

Ontem,
o avô contava histórias
à sombra do velho juazeiro;
Hoje,
o mundo inteiro cabe
na tela de um aparelho.

Ontem,
a enxada riscava a terra
sob o calor do verão;
Hoje,
máquinas guiadas por satélites
fazem a mesma plantação.

Ontem,
o valor estava na palavra,
no aperto firme da mão;
Hoje,
contratos digitais registram
o peso da obrigação.

Mas nem tudo mudou,
nem tudo ficou para trás;
a tradição guarda as raízes,
a inovação abre portais.

A primeira ensina quem somos,
a segunda onde chegar;
uma sustenta o presente,
a outra faz avançar.

Pois o futuro mais seguro
não nasce da divisão:
é quando o ontem oferece sabedoria
e o hoje traz renovação.

A Peleja hoje finda sem muita complicação. Vamos colocar os pontos no Ypsilon, porquê no Í só tem um com razão.

Viva o hoje como um presente porque é realmente isso que ele é.

Sorriso Vivo

Gosto do meu rosto e do meu jeito,
das convicções e até das incertezas.
Hoje encontro beleza onde via defeito
e mostro o sorriso que escondia de vergonha.


Quis por tanto tempo ser diferente,
como se existir em mim fosse uma perda.
como se o fim da angustia era literalmente o fim
pois não sabia como era gostar de mim


o sorriso nas pequenas coisas:
terminar um livro, escrever um verso, sorrir sem medo.
E aquilo que parecia tão distante — estar vivo —
voltou a ser um desejo meu.


Ainda me estranho nesse novo eu,
mais feliz, confiante, bondoso e romântico.
E peço ao futuro apenas tempo para ser ainda melhor,
pois há algo bonito em simplesmente querer estar aqui

Que Animal Você Está Sendo Hoje?
Era mais uma corrida de aplicativo. Assim que a passageira entrou no carro, cumprimentou-me com um sorriso, colocou o cinto de segurança e, depois de alguns minutos de silêncio, perguntou:
— Senhor, posso fazer uma pergunta um pouco estranha?
— Claro! As perguntas estranhas costumam ser as mais interessantes.
A senhora sorriu.
— O senhor acredita que podemos comparar as pessoas com animais?
Olhei pelo retrovisor e respondi:
— Acredito. Fazemos isso o tempo todo, mesmo sem perceber. Quando alguém tem dificuldade para aprender, chamamos de burro. Quando é traiçoeiro, dizemos que é uma cobra. Quando é esperto, uma raposa. E, quando demonstra coragem, lembramos de um leão.
A senhora ficou pensativa.
— Então cada animal representa uma característica humana?
— De certa forma, sim. Mas um mesmo animal pode representar qualidades e defeitos. A cobra pode simbolizar traição, mas também transformação. A raposa representa inteligência, embora possa usar a esperteza para enganar. A tartaruga é lenta, mas também paciente e persistente. E o leão representa coragem e força, embora possa nos lembrar da arrogância.
A senhora riu e perguntou:
— E o senhor? Que animal escolheria para representá-lo?
Pensei por alguns segundos.
— Talvez o peregrino.
A senhora franziu a testa e caiu na risada.
— Mas peregrino não é animal!
— Eu sei. Mas talvez um peregrino carregue um pouco de vários animais dentro de si: a paciência da tartaruga, a persistência da formiga, a visão da águia, a coragem do leão e, às vezes, a esperteza da raposa. Mas também precisa aprender a não agir como uma cobra quando alguém lhe faz mal.
A senhora ficou em silêncio por alguns instantes e perguntou:
— E qual animal o senhor acha que eu sou?
Olhei novamente pelo retrovisor.
— Ainda não conheço a senhora o suficiente. Mas, se tivesse que escolher agora, diria que a senhora é uma coruja.
— Por quê?
— Porque observa antes de falar. E fez uma pergunta que acabou me fazendo pensar.
Depois de alguns quilômetros, ela voltou ao assunto:
— Sabe de uma coisa? Talvez passemos boa parte da vida tentando descobrir que animal são os outros, quando deveríamos primeiro descobrir que animal estamos sendo.
Aquilo me chamou a atenção.
— Essa foi boa.
— Pense comigo — continuou a senhora. — Às vezes somos leões quando precisamos enfrentar os nossos medos; tartarugas quando precisamos de paciência; formigas quando precisamos trabalhar e persistir; cães quando demonstramos lealdade. Mas também podemos ser cobras quando traímos alguém, pavões quando deixamos a vaidade falar mais alto e burros quando insistimos em não aprender com os nossos erros.
Sorri.
— Então talvez a vida seja uma espécie de zoológico.
— Talvez — respondeu a senhora. — Mas com uma diferença: os animais simplesmente seguem a sua natureza. Nós podemos escolher qual comportamento vamos alimentar e qual animal vamos deixar aparecer.
A corrida estava terminando. Quando paramos em frente ao destino, a senhora olhou para mim antes de abrir a porta.
— Hoje eu aprendi uma coisa.
— O quê?
— Que não devemos perguntar apenas: “Que animal é aquela pessoa?”. Talvez a pergunta mais importante seja:
A senhora abriu a porta, sorriu e completou:
— “Que animal eu estou sendo hoje?”
A senhora se despediu e seguiu seu caminho. Fiquei alguns segundos parado, pensando naquela conversa. Talvez aquela passageira tivesse razão. No fundo, todos nós carregamos um pequeno zoológico dentro de nós. Em alguns dias, somos leões; em outros, tartarugas. Às vezes, formigas, cães, águias ou corujas. E, infelizmente, também podemos ser cobras, pavões ou burros.
Mas existe uma diferença importante entre nós e os animais: eles simplesmente seguem a sua natureza; nós podemos refletir e escolher mudar. Podemos trocar a arrogância pela humildade, a falsidade pela sinceridade e a teimosia pela vontade de aprender.
E talvez essa seja uma das maiores viagens que podemos fazer: não aquela que nos leva a lugares distantes, mas a que nos conduz para dentro de nós mesmos, em busca de descobrir quem somos e, principalmente, quem estamos escolhendo ser a cada novo dia.
Peregrino Nino Carneiro

Se hoje o seu dia foi triste, alegre-se; pois na vida temos dias ruins.

Não virei poeta hoje, foram anos de indecisões e medo.

Se pode fazer algo por alguém, faça hoje, pois o amanhã é incerto.

Se hoje você sentiu aquele sonho distante, lembre-se que até o sol, às vezes, desaparece.

Vai lá, o tempo é hoje; pois o amanhã ninguém sabe.

Deixe quieto o amanhã, a vida é hoje.

Não demore, o tempo é hoje; o amanhã não sei.

O tempo de Deus acalma a ansiedade e age no momento certo. A espera de hoje prepara a colheita de amanhã; basta confiar, pois tudo se ajeita no ritmo divino.

Hoje, o gesto mais difícil e mais digno é amar sem ir atrás, amar sem contato, amar sem se humilhar.
Amor maduro às vezes é só isso. Ficar quieto dentro do peito e não virar ação.

Hoje andei por aí,
sem direção,
passos soltos, peito em contramão.
O dia passou sem me notar,
e eu fingindo que sabia onde chegar.
Vi risos fáceis, certezas demais,
gente inteira, histórias normais.
Eu, meio torta, quase ao avesso,
carregando o mundo em pouco endereço.
Andei pra cansar o que não dormia,
pra calar lembrança que insistia.
Não achei resposta, nem final feliz,
mas voltei inteira do jeito que fiz.

Hoje o dia esteve diferente, não leve, mas com menos pesar.


Respirei sem pedir licença.
Andei sem fugir dos pensamentos.
Alguns vieram, outros cansaram de bater.
Aprendi que nem todo silêncio é vazio.
Às vezes é só descanso.
Não foi um dia bom.
Foi um dia possível.
E, honestamente, isso já é avanço.

Hoje o vento trouxe o cheiro do tempo
e bateu no rosto sem aviso.
Tinha gosto de estrada,
de coisa vivida,
de lembrança que não vira saudade,
mas pede atenção.

Novo Começo


Não vem pronto.
Se constrói em gesto pequeno, repetido, teimoso.
Um passo hoje. Outro amanhã.
E quando vê, já não é mais o mesmo chão.
Novo começo é isso.
Não mudar o mundo.
É mudar de direção.

"Corre de mim que hoje estou puro talento"