Me Deixa que hoje eu To de Bobeira

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Tudo isso me perturbava porque eu pensara até então que, de certa forma, toda minha evolução conduzira lentamente a uma espécie de não-precisar-de-ninguém.

Entre as marteladas eu ouço o silêncio.

Clarice Lispector
Um sopro de vida. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.

O amor que eu tenho por você
É inabalável e jamais se esgota
Porque ele é imenso e verdadeiro
E retém em si a própria essência do tempo
E do universo:
É imortal,
É infinito,
É eterno.

Eu venho de uma longa saudade. Eu, a quem elogiam e adoram. Mas ninguém quer nada comigo. Meu fôlego de sete gatos amedronta os que poderiam vir. Com exceção de uns poucos, todos têm medo de mim como se eu mordesse.

Clarice Lispector
Um sopro de vida. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.

‎Eu fui com a sua cara, mas estou voltando para devolver.

Eu aprendi que quando as pessoas realmente gostam de você, elas voltam.

Desconhecido

Nota: A autoria do texto tem vindo a ser erroneamente atribuída a Clarice Lispector e Caio Fernando de Abreu.

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Eu não sou uma sonhadora. Só devaneio para alcançar a realidade.

Clarice Lispector
Um sopro de vida. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.

Não estou disposta a sofrer, desculpa. Eu te amo, mas eu tenho que ir. Eu tenho sonhos, mas não agora. Um beijo. Até um dia. (...) Agora durma. O dia amanhã será cheio.

E ninguém é eu. Ninguém é você. Esta é a solidão.

Clarice Lispector
Água viva. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Sabe,
Eu só queria uma amizade que não mentisse pra mim ou inventasse histórias. Uma amizade que eu pudesse confiar, que não me desaponte e eu não precise ficar tentando me reconstruir a todo tempo, porque isso não dá certo. Sabe quando um vaso quebra e você tenta colar ele de volta para ser o que era antes? Pois é, ele nunca vai ser o mesmo por dois motivos: irá faltar algum pedaço, mesmo que pequeno; ele foi quebrado. É tão difícil achar um amigo que não minta hora nenhuma. Que não minta, por mais que para nos proteger, pois, na verdade, não estão nos protegendo. Porque dói, e eu sei da verdade. Não quero que rebloguem esse texto, é só um desabafo, sei lá. Não sei mesmo. Só sei que dói, porque não importam quantas vezes você me machuca e me desaponta, parece que nunca vai ser o bastante enquanto não me vir chorando. Sim, chorando. Aquela pessoa que não odeia chorar e não chora por nada acaba chorando de tristeza. Me desaponta. Me machuca. Me corrói. Me maltrata. Sim, pode parecer drama, mas só quem já sofreu isso sabe como dói e sabe que não é. São só algumas coisas que eu queria falar. Obrigado por ter lido.

Não é tão fácil assim fingir que eu não me importo com você, que não me importo com quem você fala, onde você anda e dizer que não sinto ciúmes. Não é fácil dizer que o tudo, é nada.

Naquele carnaval, pois, pela primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera: ia ser outra que não eu mesma.

Clarice Lispector
Felicidade clandestina. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Nota: Trecho do conto Restos do Carnaval.

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Eu quero ser como água. Limpa, transparente, fonte de energia, mas que quando se rebela é capaz de inundar o mundo.

Sou feliz e trago as provas
Nos meus olhos molhados
E vejo a vida tão diferente
Eu já posso entender
A inocência do prazer.

Eu sou meio ciumenta, bem chata, quero ser mãe e acredito no amor da minha vida. Acredito no amor pra sempre.

Em um momento haviam dois caminhos a percorrer. Eu escolhi o menos percorrido, e isso fez toda a diferença.

Eu chorava, no começo eu chorava e não entendia, apenas não entendia, e não entender dói, e a dor fazia com que eu chorasse, no começo.

Eu estabeleço uma norma para diferenciar bem as pessoas. Escolho os amigos pela beleza, os conhecidos pelas qualidades de carácter, e os inimigos pelas de inteligência. Todo o cuidado é pouco na escolha dos inimigos. Não tenho um único que seja estúpido. São todos homens de capacidade intelectual e, por conseguinte, todos me apreciam.

Mas eu sou uma chata que parece viver com medo de dizer as coisas claramente.

Clarice Lispector
Todas as cartas. Rio de Janeiro: Rocco, 2020.

Nota: Trecho de carta para Tania Kaufmann, escrita em 5 de novembro de 1948.

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Prefiro sofrer com a verdade de um “não te amo” do que ser feliz e iludida com um “eu te amo”.