Me Deixa que hoje eu To de Bobeira

Cerca de 399687 frases e pensamentos: Me Deixa que hoje eu To de Bobeira

Erica para Callie:
- Isso é igual a quando a gente precisa de óculos.
- Como assim?
- Quando eu era criança eu tinha umas dores de cabeça e eu fui ao oftalmologista e ele me disse que eu precisaria usar óculos. E eu não entendi... não fazia sentido pra mim por que a minha visão era boa e eu ganhei os óculos e eu coloquei e eu estava no carro indo pra casa e de repente eu gritei, porque os borrões verdes que eu vi durante a minha vida toda, eles não eram borrões, eram folhas nas árvores, e eu pude ver as folhas, e eu nem sabia que sentia falta delas. Eu não sabia que elas existiam e de repente, folhas. Você é meu óculos.

Quer dizer, sou definitivamente gay em espírito, e provavelmente eu poderia ser bissexual.

Alguém já sofreu por amor?
Eu não acredito nisso!
Se o amor é verdadeiro não existe sofrimento...

Como se me apresentaria o mundo
se eu pudesse viajar em um raio de luz?

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância

Eu não aguento mais essa sensação de que eu não sou boa o bastante.

Eu devo ter dito: ‘estou bem, obrigada’ pelo menos 37 vezes. E não foi verdade em nenhuma delas. Mas ninguém percebeu.

Ou me quer e vem, ou não me quer e não vem. Mas que me diga logo pra que eu possa desocupar o coração. Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida. E não darei. Não é mais possível. Não vou me alimentar de ilusões. Prefiro reconhecer com o máximo de tranquilidade possível que estou só do que ficar a mercê de visitas adiadas, encontros transferidos. No plano REAL: que história é essa? No que depende de mim, estou disposto & aberto. Perguntei a ele como se sentia. Que me dissesse. Que eu tomaria o silêncio como um não e ficaria também em silêncio. Acho que fiz bem.

A prova de que estou recuperando a saúde mental, é que estou cada minuto mais permissiva: eu me permito mais liberdade e mais experiências. E aceito o acaso. Anseio pelo que ainda não experimentei. Maior espaço psíquico. Estou felizmente mais doida.

Clarice Lispector
Um sopro de vida. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.

EU ENCHERIA O TEU MUNDO DE FLORES

Eu encheria o teu mundo de flores
Eu navegaria contigo por todos os mares
E conheceria contigo todos os sabores
Só para colocar em teus lindos olhos
O brilho de todas as estrelas do Infinito
Se eu pudesse ter esse teu sorriso sempre por perto
Se eu pudesse ter você
Sempre comigo...

Por isso eu desde o primeiro beijo te quis para ser meu companheiro, parceiro, e te confiei o que mais há de valor em mim, meu coração.

Me perdoe pelos meus mil anos à frente dos nossos segundos e pela saudade melancólica que eu senti o tempo todo mesmo sendo nossos primeiros momentos. Pelo retesamento na hora de entregar. Pela maneira como eu grito e culpo quem tiver perto por uma angustia que sempre foi e será só minha e que eu sempre suporto mas quando sinto amor fico achando que posso distribuí-la um pouco, mesmo sabendo que é fatal. Me desculpe por eu ter querido tanto ficar bonita e perfeita e só ter conseguido olheiras e ossos. Me perdoe pelas vezes que de tanto querer leveza acabei pesando a mão. De tanto querer sentir, pensei sobre como estava sentindo, e perdi o sentimento.

O mal vai ter fim
E no final assim calado
Eu sei que vou ser coroado
Rei de mim.

Eu quero viver tudo agora, mesmo sendo ruim. Por mim, o mundo que se f***.

Não, eu não tenho jeito de campeão.
Se eu fosse um cavalo de corrida,
ninguém apostaria um centavo em mim.
Mas eu corro e, curiosamente,
sempre chego onde eu quero chegar.

Que eu reze não para ser preservado dos perigos, mas para olhá-los de frente.

Trocando em miúdos

Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim?
O resto é seu
Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas de amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças

Aquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer
Aquela aliança, você pode empenhar
Ou derreter
Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado

Aliás
Aceite uma ajuda do seu futuro amor
Pro aluguel
Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu
Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde

Eu me permito mais liberdade e mais experiências.
E aceito o acaso.
Anseio pelo que ainda não experimentei.
Maior espaço psíquico.
Estou felizmente mais doida.

Clarice Lispector
Um sopro de vida. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.

Eu não tenho opinião definida sobre nada. Não acho que isso seja insegurança. Acho que é abertura, que tudo é passível de uma outra interpretação.

É que "quem sou eu?" provoca necessidade. É como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto.

Clarice Lispector
A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.