Me Deixa que hoje eu To de Bobeira

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Os homens de pouca inteligência não sabem encarecer a própria capacidade sem rebaixar a dos outros.

As revoluções frequentes fazem raquíticas as nações recentes.

O rosto de uma mulher, seja qual for a sua discrição ou a importância daquilo em que se ocupa, é sempre um obstáculo ou uma razão na história da sua vida.

O mal ou bem que fazemos aos outros reverte sobre nós acrescentado.

Saber viver com os homens é uma arte de tanta dificuldade que muita gente morre sem a ter compreendido.

O amor é um egoísmo a dois.

Pouca ou nenhuma vez se realiza com a ambição coisa que não prejudique terceiros.

Onde intervêm o favor e as doações abatem-se os obstáculos e desfazem-se as dificuldades.

São sempre desatinadas as vinganças por ciúmes.

A indiferença ou apatia que em muitos é prova de estupidez pode ser em alguns o produto de profunda sapiência.

É tal a falibilidade dos juízos humanos, que muitas vezes os caminhos por onde esperamos chegar à felicidade conduzem-nos à miséria e à desgraça.

Há injúrias que temos de ignorar para não comprometermos a nossa honra.

A glória só chega àqueles que com ela sonharam.

Do ódio à amizade a distância é menor que do ódio à antipatia.

Os ignorantes exageram sempre mais que os inteligentes.

As amoras

O meu país sabe às amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

Eugénio de Andrade
O Outro Nome da Terra

É preciso rirmos antes de sermos felizes, sob pena de morrermos antes de ter rido.

Há opiniões que nascem e morrem como as folhas das árvores, outras, porém, que têm a duração dos mármores e do mundo.

O orgulho pode parecer algumas vezes nobre e respeitável, a vaidade é sempre vulgar e desprezível.

A fortuna troca às vezes os cálculos da natureza.

Machado de Assis
Iaiá Garcia (1878).