Me Ame quando eu menos Merece

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REVOADAS
Há um segundo atras
O rio era outro, outras águas
Eu teria uma vida mais longa...
Há cinco segundos atras
Eu era mais jovem quinze segundos
Somando-se dez segundos
Que eu levei pra escrever esta frase
Há dez minutos eu tento falar
Que o tempo passa
E implacavelmente deixa suas marcas...
Há quanto tempo tento falar desse enigma
Outros olhares, outras palavras, outros rios
E o rio passa em mim há quantos séculos
Outras palavras não explicaram
Ou não foram compreendidas
E o tempo tingiu nossas cãs
Um dia nos erguemos sobre nossos membros inferiores
E pensávamos que sabíamos de tudo
Mas o tempo muda as paisagens
Verga nossas espinhas e embaça os horizontes
Mas nós poetas escrevemos
E libertamos pássaros em revoadas
E nesse bater de asas divino
De editar sentimentos, alguma coisa muda
E navegamos incólumes às vicissitudes naturais
O individuo perece mas o poeta é imortal

Inserida por tadeumemoria

A LUA E AS ESTRELAS
E se eu não tivesse um sonho
O que eu componho
Mentiria
Mas a ilusão
Que me ergue como um pêndulo
Acalanta a fantasia
Já sei ser triste
Nesse vai e vem,
Nesse balanço
É triste ser feliz, eu já fui triste um dia...
Amanso o meu espírito com tua presença,
Com a tua voz eu danço...
Tua voz é melodia
Eu sou tão triste...
Noite passada,
Passada a noite,
Passadas e mais passadas
De mim mesmo
Eu te vejo num luau
Sob tudo que tem sobre tua cabeça
A razão que te devora
De fora pra dentro
De dentro pra fora
Você é tão feliz... e isso é triste
você tem tudo
Mas você não sabe o que é ter a lua e as estrelas...

Inserida por tadeumemoria

Pelos contos que eu não conto
Dá um desconto ao meu silencio
Não conto dos versos tristes
Não conto da estrela cadente,
Dos girassóis reluzentes
Que reluzem nos meus contos,
Não conto do meu silencio
Pois assim não o seria,
Não conto da minha alegria,
Que não valem nem um conto,
Pelos contos que eu não conto,
Conto pelos e apelos
Só não conto meus segredos
Pelos contos que eu não conto

Inserida por tadeumemoria

Conheço seus infernos e seus demônios
Mas com eles eu posso
Comerei suas carnes e roerei seus ossos

Mas o perfume que eu sinto e você não tem
Seu jeito doce e seu olhar terno
Só se eu fosse o que eu não sou
Eu não tenho um castelo
Somente o sabor agridoce
do beijo que eu ainda não dei,
Tanto amor... jamais imaginei

te vejo ardendo no leito
E vejo o que te consome
Esse desejo proibido e sem jeito
Mas com a Pomba-gira eu posso
Comerei suas carnes e roerei seus ossos

O que você tem de bom é ingênuo
O que você tem de grande é pequeno
Eu amo esse anjo escondido no teu guarda-roupa
mas essa porta não abre
Você se protege com facas, espadas e sabres

Inserida por tadeumemoria

Eu sou a poesia...
O sol? O que é o sol; o sol está tão distante...
A lua, as estrelas, a chuva, o vento, a tempestade..
Quatro paredes e um teto e você sai incólume
Mas a poesia... quem te protegerá da poesia...
quem te protegerá de ideologias patrióticas e tiranos
A bomba explodiu, uma das torres da mesquita ruiu
Velhos, mulheres e crianças entre as vítimas
Bagdah era um caos, mas ainda havia esperança...
O ar contaminado, o vento empoeirado
o horizonte fumaçado e translúcido...
um soldado metralhando o seu próprio medo
recebe um proj´etil na cabeça
esse é o meu verso, um poema macabro
Eu sou a poesia...
mas bem aventurado os que têm sede de justiça...
bem aventurado os mansos...
eu sou a poesia era um poema da namorada
no bolsinho da algibeira,
uma lembrança cabreira de um recruta tímido
sem a ideologia de morrer pela pátria
eu sou a poesia: um fuzil na destra, uma granada na esquerda,
o inimigo: qualquer movimento suspeito
e o que afrontasse a nossa ideologia
Bagdah era um inferno;
mulheres e velhos prostrados clamando por Allah...
o odor insuportável de cadáveres putrefatos,
gente ferida, gente agonizando...
e até ao final dos meus dezessete anos
caminhando entre as rosas e as samambaias
do jardim da minha casa
eu pensava que era poeta,
mas a namorada já dizia que eu era a poesia...

Inserida por tadeumemoria

ela se deita e diz que a vida é bela
e que a beleza de tudo é
por ser bela
se eu sou poeta ela é a poesia
poesia é a criação,
poeta é o criador, ou não?
ou pra ser venerada
a poesia criou o poeta
e o poeta apaixonado inventou o amor?

Inserida por tadeumemoria

Eles verão este inverno no meu olhar...
Eles verão e eu inverno a derramar...

Inserida por tadeumemoria

TRÊS DIAS
Um dia eu morri por três dias
E no paraíso minha tia Zilda ainda falava
De Engenheiro Pedreira como se fosse uma
Daquelas longínquas cidade do faroeste americano
Imaginei que tudo fosse um engano
E no meu sonho vi no jardim do paraíso
Jésse e seu irmão Frank James
Pensei: -que que esses salteadores fazem aqui?
Vi José "Malamuerte" Almada,
Caçador de recompensa
Que apavorava no Novo México;
E um punhado de ladrões de gado
Que sitiavam Tombstone, no Arizona
"O que esses bandidos fazem aqui no céu?
Parecia meio cruel mas ali mesmo no Guandu
No leito caudaloso do rio, os presuntos boiavam
Levando o terror causando calafrio
Era a faxina que o esquadrão da morte
Executava nas cercanias
Muita gente morreu para essa limpeza,
Talvez mais do que devia,
Mas ninguém nada via, ninguém nada sabia...
E pela manhã a sabiá cantava,
As flores floresciam
E tia Zilda aguava as trepadeiras,
As samambaias e as flores do jardim
Cantava uma canção antiga
Como se fosse eterna a vida, e a vida era assim...

Inserida por tadeumemoria

Eu ainda tenho uma certeza: azul é o céu
e a certeza de que estou bem perto
do que é perto de felicidade...

Inserida por tadeumemoria

SEM REAIS
Com cem reais eu compro
Dúzia e meia de jumentos,
Cada jumento trabalha por dez homens
E tem apenas um centésimo dos seus gastos,
Com cem reais, por um mês
E quinzena eu os alimento,
Quem precisa de homens,
Se temos vastos pastos
E resistentes cascos;
Com cem reais compro
Não sei quantas rapaduras,
Farinha e centenas de avoantes,
E antes que chegue o inverno,
Viro poeta e aprendo
A sonhar com a invernada
E nada que se diga de seca
Atravessa aquela cerca,
Nada que se fale de estio
Secará meus lagos ou rios
Com tudo isso compro o olhar
E a gratidão de severina
Compro as fantasias
E tudo que ela imagina;
Suas aspirinas e novalgina pra suas febres,
Compro a eternidade e suas utopias;
Mesmo que a seca mate meus jumentos;
Que as rapaduras me tragam diabetes
E o IBAMA me processe pelas avoantes;
Antes de todas as doenças
E todas as sentenças
Serei romântico e farei dez filhos,
Que me darão setenta netos
Aos quais ensinarei que com cem reais
Sob o sol causticante
E ilusões de algum inverno
Compra-se amor e sentimentos ternos
Os prazeres dalguma severina
E a aridez da vida naufraga nessa luta,
Nos sonhos, na fé, nos carinhos divinos
Dessa brisa que Deus acaricia na pele mestiça
E postura valente do povo nordestino

Inserida por tadeumemoria

Há alguns anos atrás por muito tempo eu pensei que podia voar; que seria um condor sobre o relevo fluminense; era uma ideia meio insana; parecia uma debilidade mental e assim fui intimado a uma terapia com um psiquiatra. por seis meses, duas por semana e quatro por mês frequentei a clinica do Dr Jartov hasstoff conceituado psiquiatra de descendencia russa. Passados seis meses e alguns dias, ao chegar na Clínica encontrei-a fechada; uma adolescente que reside no dificio e namora com o rapaz da cobertura, que não quis revelar seu nome , jura que viu jartov pulando da cobertura, mas seu corpo jamais foi encontrado. Acho que Jartov aprendeu a voar...

Inserida por tadeumemoria

Eu queria dizer algo sobre aquele tempo, sobre aqueles momentos, sobre o que conjecturávamos, sobre o que discutíamos, sobre o que discordávamos. Eu queria dizer alguma coisa, quando olhava os teus olhos cheios de promessas e possibilidades, que o teu sorriso tornavam acessíveis; eu queria dizer alguma coisa, quando as luzes de neon da cidade refletiam nas tuas maçãs e nas tuas franjas, e estávamos alheios às vitrines que exibiam objetos de desejos a quaisquer mortais; a vida buzinava, apitava,alarmava, as igrejas badalavam seus sinos; matrimônios e comemorações; a vida se derramava feito champanhe num drink inesquecível e embriagador com muita gente que ria, dançava, falava, olhava comia ia e vinha; era mágico e eu queria dizer alguma coisa... que se perdia em coisa alguma na evolução dos momentos, nesse pulsar indecifrável de emoções que conduz nossos destinos; eu estava sempre ali querendo dizer alguma coisa que se afogava numa surpresa, numa emoção, num novo encanto que tornaria irrelevante e inoportuno o que eu dissesse; eu queria dizer alguma coisa que expressasse o júbilo... eu quis dizer alguma coisa... eu quis sim, eu acho que quis... mas foi só isso.

Inserida por tadeumemoria

MARROM

A aeronave me esperava imponente

Eu demente de medo

Se algo de ruim acontecer

Não conte meus segredos;

Um dia perceberão que sou o grande poeta desse país,

Comentarão AMORAMORA

Mas então brincarei com os anjos...

Depois de uma existência pobre

Diga a alguém que muito amei

E que meus sentimentos e ressentimentos são nobres

Que além disso, acreditar na humanidade

E a loucura me fez poeta....

Queria ter falado mais de amor, mas é tão difícil,

Os edifícios tolhem os horizontes,

Os nascentes e os ocasos,

Não comente sobre mal resolvidos casos

Eu te amo demais, eu amo todos vocês,

Perdoem o mal jeito e a minha insensatez

Eu devia ter sido mais forte, eu devia ter tido mais sorte

A aeronave me espera imponente,

Publiquem meus poemas decentes

Desfrutem escondidos dos poemas indecentes,

Mas não comentem este lado marrom

Façam-no acreditar que eu era bom

A minha grande frustração é o país sem leis

E a corrupção me faz desejar ter nascido francês

A aeronave me espera imponente...

Inserida por tadeumemoria

ÓPERA

Eu não tenho nada e eles pensam que eu nada tenho

Mas tem um grilo que cricrila pela noite afora

Ele conversa sobre os medos da noite

E tem os gatos; e os gatos cantam

Como só os gatos sabem de ópera

E eu roubo-lhes as vidas

Já tenho sete, afora o infarto

Conversei com Deus nesse dia

Vi Maria na última travessia da Dutra


Eu não tenho nada e eles pensam que eu nada tenho

Mas o negro que vejo no antigo engenho

Tem cicatrizes nas costas,

Mas tem prosas bonitas de Angola

E derrama poesia quando fala de sinhá

E quando não fala de nada

Eu percebo o meu Brasil moreno

Tão rico, tão grande, tão pobre e pequeno

Que eu namoro as namoradas que não são minhas

E as minhas namoradas não namoram comigo

E eles pensam que eu não tenho nada e eu nada tenho

Porque o que eu tenho é sentar na calçada

E olhar a lua, as estrelas e o firmamento

E tudo isso já pertence a russos e americanos

Eu não tenho nada e eles pensam que eu nada tenho

Mas eu tenho a magia das palavras

Essa coisa que me instiga e me oferece a ilusão mambembe

De que eu de nada preciso

Que o resto é abstrato, o resto é engano...

Inserida por tadeumemoria

MORANGO
Eu ainda tinha um ideal
Mas esse capitalismo consumia os sonhos
E o que eu escrevia era romântico demais
Pra filosofias tão ocidentais;

Eu ainda não me estabelecera,
Aliás meu sonho era exatamente a instabilidade;
O azul anil desse vazio me acolhia
Como um astronauta perdido
Entre morcegos, meteoros e cometas...

A ilusão é o meu pilar,
A abstração é se realizar...
As tuas narinas me atraiam
E a tua língua parecia um morango
Dançando como uma oferenda
Ao som das tuas palavras;
Abstrato, eu te possuiria por todos os poros,
Astronauta eu te levaria a virgem
E virgem você me levaria a qualquer devaneio
Eu ainda tinha um ideal
Quando não tinha ideia do que era a castidade,
Como ela consome o que temos de casto,
Minha via láctea era teus seios
E hoje eu ceio os tão bem nos meus sonhos
Quando eu falo de abstração
Não é aquilo que eu falo aos teus ouvidos,
O que eu falo se derrama sólido entre sussurros
Embaçando a luz do abajur
Abstrato não é o que respinga no teu rosto
Que humilha, profana, mas apraz
Abstrato é o que trava na garganta
Ao perceber que perdemos a ingenuidade
Sem ingenuidade perdemos nossos sonhos
E sem sonhos castramos os ideais...

Inserida por tadeumemoria

AMOR
Deixa eu te dizer que o amor é lindo
É como a tarde dourando o firmamento
E a poesia canta os passarinhos a gorjear fogosos
Ah! o amor é tão lindo, que eu prometo eterno
O mais terno amor e se for triste
Porque triste é o amor, infinito será
Porque amor é assim assim...
Te direi todas as manhãs
Quando abrirem-se as rosas húmidas de orvalhos...
E as cambaxirras cantarem
Os primeiros raios do alvorecer
Porque no alvorecer o amor se expressa
Então entenda que os seres viventes,
As águas, o vento, o fôlego
Que conserva e harmoniza essa vida
Só é possível porque existe o amor

Inserida por tadeumemoria

Na adolescência eu era um anjo triste

Desses que perambulam,

que caem, que existem

melancólicos, sonhadores,cinzentos

Como os finais de tardes dos dias invernosos

A minha solidão respingava nas vidraças

Como a neblina fria jogada pelo vento

Que doía fundo na minha carapaça

E a minha angústia,

a dor daquele sentimento

A solidão de me sentir sozinho

Não era solitária, era uma multidão

E como cada um faz seu rumo, seu destino

De fazer da multidão, a sua poesia

Aquele garoto triste um dia teve o tino

Inserida por tadeumemoria

Depois da meia noite eu não sei quem

Inserida por tadeumemoria

EU VI
eu vi um homem que não era mais homem
e tinha um olhar que não era mais seu
e tinha a ausência de todos os fantasmas
e tinha a asma de todos os gatos
e tinha os mistérios dos cemitérios
a pele morta, sem vida,
dentes sem precedentes
um odor inconcebível;
não era mais um ser vivente,
por mais que parecesse gente,
não era um cachorro,
os cachorros são felizes e são gratos,
os gatos têm orgulho,
era maior que um rato em tamanho,
mas revirava o lixo
com a ânsia desse bicho
eu vi um homem que não era mais homem
ou vi um bicho que não era mais bicho

Inserida por tadeumemoria

eu tenho um olhar

somente um olhar

na manhã a passar na calçada

e os sonhos que eu tive

de um dia sonhar com a manhã

já passaram

ficou meu olhar

a olhar

o olhar da manhã a passar

Inserida por tadeumemoria