Matei Voce dentro de Mim
A suposta profanação
do teu amado solo sagrado
de pureza e tranquilidade
- por mim está concluído
tal qual Murici plantado,
de mim não conseguirá
nunca mais ficar resistindo.
Moro no teu pensamento,
no súcubo e íncubo
dos teus impulsos,
os teus deuses blasfemo,
e em retribuição são eles
é quem me rendem culto,
no teu sepulcral silêncio
seja no céu e inferno,
o teu giro sempre ocorre
ao redor do meu Universo.
Do meu ser fantasmagórico,
eclipsante e desafiador,
não há litania ou exorcismo
contra a possessão abissal
da minha presença sensual
vir a conseguir dela se livrar,
sem esforço e sem murmuração,
em nenhuma hipótese irá escapar.
Tudo em mim te venera
com o Mapuche-Huilliche
Da tua mão - não solto
mesmo que resista ou evite
Como Diucón com Chilco
que foi libertada do gelo
O espírito é de recomeço
amar não tem nenhum preço
(O Ano Novo virá com apreço)
Nada de mim em ti, é evanescente;
incipiente se renova e permanece,
com velatura de seda sobre a sua
pele com nímio certeiro nos impele
a nos colocar nas mãos do destino.
Perscrutar o teu mistério quase
místico é algo como mansa ave
e o meu roçar suave passeiam
com graça tangencial no seu brio,
flertando sibilante e visceralmente.
Doce é a ambição pela tua turgidez
de alta voltagem e do teu mais
terno amplexo que têm fortemente
se preparado - e a cada novo
eflorescimento tem se encaixado.
Não quero esconder que te quero
bem colado com beijos de Cambuí,
indecoroso, atrevido e abusado,
porque lado a lado sinto que os teus
planos são de amor e fogo apaixonado.
"Flores brancas "
Emergiu para mim
Aquele que outrora improvável
Gracioso como as nuvens
Anunciando a minha partida
Um adeus ,um ciclo findando
Como quem diz:
Fique em paz
As lágrimas que antes presas
Se soltam com alegria
O fim de um ciclo é como
Uma raiz profunda
Quando encerado
Se abrirá para um novo começo
Me disperso de te
Ype branco que que brevemente
Floriu para mim .
Algo de mim é feito
do mar que não foi devolvido,
Levo no meu destino,
o signo de Condor que voa
porque não encontrou o par,
para ser o perene amor,
Condor só voa com Condor.
Nem antes, durante ou depois,
nunca haverá outro Deus
que não seja o nosso Criador,
Em mim para Ele há um
autêntico roseiral de amor,
Quem disser o contrário
é apenas um mero inventor.
O nosso Deus majestoso
é o que origina e dá
forma à todo o tipo de vida,
A Lua Crescente que inspira
e ao amor além dos trinta dias
escrito como autêntica poesia.
Ele é o nosso perdoador,
e o único dominador
dos exércitos que existem
que subjugam os povos
aos piores tipo de dor,
Crer n'Ele garante a proteção
e a vitória ante a qualquer destruidor.
Uma parte de mim
descansa por saber
que leva em si a tradição
entre belas montanhas,
sem perder esperanças.
Nasceu capaz de sair
muito antes da Primavera,
se for preciso fazer guerra
contra qualquer guerra,
e contra qualquer quimera.
Jamais por escolha
e nem por ter nascido
forjado para a guerra,
e sim por amor à terra,
nenhum pouco efêmera.
Com o brilho cortante
da estrela mais brilhante
do rigoroso Inverno
e nascido tão belo,
que ouso chamar
de meu o seu Universo.
A minha liberdade
como mulher não deve
oferecer risco para mim,
para outra mulher,
a quem quer que seja,
e tampouco oferecer
risco ao meu país,
A minha liberdade
como mulher não deve
ser encarada nunca
como ameaça ou ofensa;
E da mesma maneira
que a sua deve existir
reconhecendo o seu lugar,
e o dever inalienável
de usar a cabeça para pensar.
Roça de leve a vontade
em mim que moro
no Centro de Rodeio,
Vou sair para passear
neste cair da tarde lá
no Ribeirão Rodeio Doze,
Para ver a concisão
da Lua Crescente na noite
com o nosso amor e a paixão.
A Lua refletida nos teus olhos,
e o perpassar dos sonhos
não ditos e as impressões
abraçados pelas emoções
no imenso Médio Vale do Itajaí,
serão vistos e celebrados,
Porque nascemos para ser
para todo o sempre namorados.
Tu bem sabe o que sempre
quis é o mesmo da sua parte,
Destarte, a glória de discernir
e a una declaração de vontade,
haverá de ser renovada
com toda devoção e lealdade.
Parte de mim é Kaingang
que colhe a flor do Gravatá,
Que aprecia este saboroso
abençoado e bom Fuá,
e não toca se não precisar.
A outra parte é Gravatá
em flor vestida de cor
nascida para conquistar
você do jeito que for.
Diga aos quatro ventos,
por toda a Santa Catarina:
- Que deseja ser o calor,
e todo o celebrado amor!
Mangue-botão
Algo em mim faz a transição,
o ponto onde o mar desiste,
Insistindo em ser a imensidão
tendo tudo a ver quando
a terra começa a vencer:
Do jeito exato do Mangue-botão
onde reinam cada um
dos três mangues que crescem,
abrigam e a vida nutrem.
Sem sequer tocar na lama,
os mangues roçam na contemplação
profunda d'alma humana
que possui asas guarás,
e se reserva do que não liberta.
[Sem deixar de lado o coração
enraizado na própria terra].
Não existe nenhuma
distância segura de mim;
pertenço ao coração,
à alma e ao pensamento.
No outono catarinense,
sou a flor persistente
do maracujá-silvestre
descoberta em maio.
Do sagrado ao abrir
e fechar dos teus olhos,
a insurgente favorita
e inabalável enigma.
Cada nova defesa vira
um brinquedo novo;
não me desmotiva
e alimenta a adrenalina.
Não nego que não exista
a emergência de amor,
embora a sedução convide
para o que não é só fantasia.
Tenho uma ancestralidade que me autoriza a torcer durante a Copa inteira.
A Copa para mim não começa com a festa de abertura, e sim quando o Brasil entra em campo.
Até por espelhamento
sei o que está destinado
na vida para mim ou não.
O que flui neste coração
tem a ver o curso do rio.
Talvez cada reflexo seu
seja para mim ou não.
Sou primavera gradual
se enraizando dentro,
e com pertencimento.
Tenho virado o plano
silente de madrugada,
A rota de flutuação
onde teus pés resistirão
buscar voltar ao chão.
Viveremos pelas rotas
do açaí-do-amazonas
na amada América do Sul,
O calendário será aliado,
e se sagrará o amoroso laço.
Agosto acenou para mim
com pétalas de Ipê-amarelo
logo que saí de casa cedo,
o quanto ainda te espero
foi o que carreguei comigo.
Não nego que aos quatro
ventos sussurei o meu desejo,
Mesmo sentindo a mudança
de estação no corpo
a cada cinco minutos;
Do jeito que você virá não
tenho nenhum receio,
porque virá para mim inteiro.
O Sol que ainda estava
meio desgosto por aqui
na minha cidade de Rodeio,
fiz dele o meu intercessor
para que me guie pelo teu
bonito caminho de amor.
As ofensas que eu recebi sobre as guerras e regimes que denunciei nunca me alcançaram, para mim sempre interpretei como retorno de que vale a pena deixar esse pessoal desnorteado e a história ser escrita.
Sem pedir licença entrei
na escuridão íntima,
Tua habilidade tem feito
de mim a Via Láctea
com coroa galáctica.
Minha doce e amável
fantasia embaladora,
Em retribuição tenho
deixado me iluminar
pela tua corte sedutora.
Em mim vive Araverá
sob o toborochi.
Trazes tudo de colibri,
tu me envolveste
e assim me seduziste.
Cortejando-me total
com o teu caporal,
de ti não paro de querer
o tempo todo o sideral.
Não sei se é delírio
ou muito perto disso:
insisto ser o teu destino.
Tudo tem sido motivo
para deixar bem claro isso.
Eu ainda sou a parte boa que restou de mim, sou tudo, sou nada, sou o amor, o ódio, a ternura, a loucura. Sou também o delírio, sou o êxtase, sou o deleite, sou aquilo que te falta e o que resta. Enfim sou tudo o que restou de de um dia que não começou...
(Saul Belezza - Patife)
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